Valdir Fraga

Valdir Fraga
Valdir Fraga em 2023.
Deputado Estadual do Rio Grande do Sul
Período1º de fevereiro de 1991
até 1º de fevereiro de 1999
Vereador de Porto Alegre
Período1º de fevereiro de 1977
até 1º de fevereiro de 1991
Dados pessoais
Nome completoValdir Fraga da Silva
Nascimento10 de maio de 1943 (82 anos)
Porto Alegre, RS
ProgenitoresMãe: Zenide Fraga da Silva
Pai: Julio da Silva
PartidoMDB (1971-1980)
PDT (1980-1991)
PTB (1991-[depois de 2000])
PDT ([depois de 2000]-[antes de 2010])
PMDB ([antes de 2010]-?)
ProfissãoServidor público

Valdir Fraga da Silva (Porto Alegre, 10 de maio de 1943) é um servidor público e político brasileiro. Foi vereador de Porto Alegre entre 1977 e 1991 (presidindo a Câmara Municipal por duas ocasiões), e deputado estadual do Rio Grande do Sul entre 1991 e 1999.[1]

Vida pessoal

Natural de Porto Alegre, Fraga nasceu em 10 de maio de 1943, filho do carpinteiro e mestre de obras Julio da Silva, e de Zenide Fraga da Silva.

Estudou no Colégio Cruzeiro do Sul e no Colégio Marista Rosário de Porto Alegre. Cursou Letras na Faculdade Ritter dos Reis.

Na década de 1960, foi jogador de futebol juvenil do Sport Club Internacional.

Na sociedade civil, atuou na União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre (UMESPA), e como líder comunitário em algumas “vilas” na zona norte de Porto Alegre.

Foi servidor público na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, cargo do qual se licenciou em 1972 para ser assessor do deputado Aluízio Paraguassu Ferreira, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.[1][2]

Carreira política

Vereador de Porto Alegre

Após quatro anos como assessor parlamentar, se candidatou pela primeira vez em 1976, se elegendo vereador de Porto Alegre pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Amigo da jogadora de futebol feminino do Grêmio de Porto Alegre, Marianita, em novembro de 1981 foi procurado pela jogadora para levar o tema da regulamentação do futebol feminino, prática então proibida, para a Câmara Municipal de Porto Alegre. Valdir ajudou a montar o anteprojeto da Federação Gaúcha de Futebol que regulamentava a prática do esporte.[3][4]

Foto oficial enquanto presidente da Câmara de Vereadores

Já pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), reelegeu-se em 1982. Neste período, presidiu a casa pela primeira vez, de 31 de janeiro de 1983 a 15 de dezembro de 1984. Entre 1º de janeiro de 1986 e 12 de maio de 1988, assumiu a Secretaria do Governo Municipal, na gestão do prefeito Alceu Collares.

Elegeu-se vereador pela terceira vez em 1988, assumindo pela segunda vez a presidência da casa, entre 1º de janeiro de 1989 e 1º de janeiro de 1991.[1]

Deputado estadual do Rio Grande do Sul

Nas eleições de 1990, se elegeu pela primeira vez deputado estadual.[5]

Durante seu primeiro mandato, presidiu as Comissões de Finanças e Orçamento e a Comissão Especial para Promoção e Desenvolvimento do Turismo no Estado, que foi fundamental para a criação da Secretaria Estadual do Turismo.

Por conta de discordâncias com o PDT e o então governador Alceu Collares, migrou para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1991.

Apoiado pelo correligionário Sérgio Zambiasi, disputou a prefeitura de Porto Alegre nas eleições de 1992, tendo como vice o médico Jairo Cruz. Com 7,93% dos votos, não foi eleito.[6]

Em 1994, se elegeu pela segunda vez ao mandato de deputado estadual.[7]

Nas eleições de 1996, concorreu novamente para a prefeitura da capital, tendo como vice a ex-primeira dama da cidade, Terezinha Irigaray. Não conseguiu a eleição, dessa vez obtendo 3,22% dos votos.[8]

Em seu segundo mandato, comandou a Comissão de Assuntos Municipais, que tratou das últimas emancipações de municípios gaúchos pelo estado.[9]

Em 1997 e 1998, ficou sob risco de perder o mandato, após se envolver no episódio do escândalo das diárias, em que diversos deputados eram acusados de utilizar diárias da Assembleia para turismo, acusação negada pelos parlamentares.[10][11]

Além disso, foi alvo de denúncias de manter funcionários fantasmas e tomar parte dos salários de assessores pelo seu assessor José Divino Nunes da Silva. Em janeiro de 1998, foi hospitalizado, após sofrer isquemia cerebral, decorrente de hipertensão. Fraga negou as acusações, alegando que o recolhimento de dinheiro seria referente a empréstimos feitos pelo assessor.[12][13] Pela falta de quórum nas audiências sobre sua possível cassação, conseguiu concluir o mandato.[14]

Nas eleições de 1998, tentou a reeleição para o cargo de deputado estadual, sem sucesso.[15]

Carreira posterior

Mesmo sem mandato eletivo, continuou próximo do trabalho da Assembleia, atuando como assessor da bancada do PTB.[16]

Nas eleições de 2000, concorreu novamente à vereador de Porto Alegre, sem sucesso.[17]

Em 2004, foi condenado a 50 dias multa e a dois anos e seis meses de prisão em regime aberto, acusado do crime de concussão, de exigir parte do salário de seus funcionários sob pena de demissão, quando era deputado estadual. A pena de prisão foi substituída por prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária.[18]

Durante o governo de Germano Rigotto (2003-2007) atuou como diretor do Departamento de Assessoramento Institucional no gabinete do vice-governador Antonio Hohlfeldt, atuando diretamente no programa Consulta Popular.[19]

Após o fim do governo Rigotto, atuou na assessoria parlamentar do deputado estadual Kalil Sehbe (PDT).[9]

Durante os mandatos de José Fogaça e José Fortunati como prefeitos de Porto Alegre, foi assessor do gabinete do prefeito de Porto Alegre no Legislativo Municipal, cargo que serve como interlocutor entre a Prefeitura e a Câmara.[20][21]

Relação com Dilma Rousseff

Durante as eleições de 2010, seu nome voltou à tona por conta de um antigo episódio envolvendo a então candidata Dilma Rousseff em 1989, na época em que Fraga era presidente da Câmara de Porto Alegre, e Dilma a diretora-geral da casa.

No episódio, Dilma teria sido exonerada por ter deixado um operário ocioso pela falta de pregos e por não ter comparecido na manhã daquele dia para solucionar a questão. Os adversários da candidata capitalizaram a "demissão" de Dilma para a campanha contra ela, enquanto seus aliados afirmavam que ela teria saído do cargo para trabalhar para a campanha do então marido, Carlos Araújo.

Conforme Fraga, "eu a exonerei porque houve um problema com o relógio de ponto".[22] Embora se beneficiasse do discurso de "homem que demitiu Dilma" anteriormente, Fraga amenizou o discurso durante a eleição, afirmando que "seria natural que [Dilma] saísse para trabalhar na campanha do marido", e declarou voto na petista.[13]

Referências

  1. a b c «Ver. Valdir Fraga». Memorial - Câmara Municipal de Porto Alegre. 2012. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  2. ANGELIS, Patrícia Trindade de (Novembro de 2001). «O "social" como objeto da luta política : uma análise da assembléia legislativa gaúcha». Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. p. 48. Consultado em 20 de Janeiro de 2026 
  3. Maíra Nunes (19 de janeiro de 2024). «Pioneira do Grêmio, Marianita assume diretoria e quer mudar futebol feminino». Dibradoras. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  4. «Das Pioneiras às Gurias Gremistas». Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  5. Resultado da Eleição 1990 — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  6. Resultado da Eleição 1992 — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  7. Resultado da Eleição 1994 — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  8. Resultado da Eleição 1996 — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  9. a b Vanessa Canciam (18 de outubro de 2008). «Valdir Fraga: Câmara da capital era a retaguarda do movimento pelas Diretas Já». Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  10. «Deputados não admitem irregularidades nas diárias». Pioneiro. 11 de janeiro de 1998. p. 10. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  11. «"Há um tempo de plantar e outro de colher"» (PDF). Adverso. 15 de maio de 1998. p. 11. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  12. «Deputado do PTB é acusado de irregularidades no RS». Folha de Londrina. Agência Estado Porto Alegre. 6 de janeiro de 1996. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  13. a b Plínio Fraga (27 de setembro de 2010). «Ex-deputado tenta se livrar da fama de o "homem que demitiu Dilma" no RS». Folha de São Paulo. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  14. Rádio Guaíba (2 de julho de 2015). «Basegio pode se tornar o primeiro deputado cassado da história do Parlamento gaúcho». Portal Adesso. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  15. Resultado da Eleição 1998 — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  16. «Assembléia vira abrigo de alguns ex-deputados». Pioneiro. 2 de abril de 1999. p. 9. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  17. Resultado da Eleição 2000 — Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  18. «Ex-deputado acusado de concussão é condenado a 2 anos de prisão». Consultor Jurídico. 22 de maio de 2004. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  19. «Delegacias regionais do trabalho serão sede do PPP». Governo do Estado do Rio Grande do Sul. 26 de junho de 2003. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  20. «VTC pede apoio para agilizar liberação de nova garagem». Câmara Municipal de Porto Alegre. 21 de setembro de 2009. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  21. «Moradores irregulares do Lami continuam negociações». Câmara Municipal de Porto Alegre. 27 de setembro de 2011. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  22. Carvalho, Luís Maklouf (julho de 2009). «Mares nunca dantes navegados: Como e por que Dilma Rousseff se tornou a candidata de Lula à sucessão presidencial». Piauí (34): 26-33. Cópia arquivada em 21 de setembro de 2016