Viva (canal de televisão alemão)
VIVA
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|---|---|
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| País | |
| Fundação | 1 de dezembro de 1993 |
| Extinção | 31 de dezembro de 2018[1] |
| Pertence a | Viacom International Media Networks Europe |
| Proprietário | Viacom |
| Sede | 1993–2005 (Colônia) 2005–2018 (Berlim, Alemanha) |
| Formato de vídeo | 1080i HDTV (reduzido para 16:9 576i para transmissão em SDTV) |
| Canais irmãos | MTV MTV Brand New Comedy Central Nickelodeon Nicktoons Nick Jr. |
| Página oficial | viva |
| Disponibilidade terrestre | |
VIVA foi um canal de televisão aberta alemão dedicado à música, lançado em 1º de dezembro de 1993.
Criado para concorrer diretamente com a MTV Europe, o canal buscava destacar a música e a cultura pop alemãs em um momento em que a MTV exibia, majoritariamente, produções em inglês de artistas norte-americanos, britânicos, irlandeses e australianos. Após mais de uma década de competição, o VIVA foi adquirido em 2005 pela Viacom, proprietária da MTV.[2] O canal também contou com versões lançadas em outros países da Europa, como Suíça, Áustria, Hungria e Reino Unido.[3][4][5][6]
Nos anos seguintes, o canal sofreu mudanças estruturais e editoriais, perdendo espaço para outras marcas da Viacom, como a própria MTV e o Comedy Central. Em junho de 2018, foi anunciado seu encerramento definitivo.[7][8] O canal saiu do ar às 14h do dia 31 de dezembro daquele ano, sendo substituído pela programação do Comedy Central.
História
Início das transmissões e os primeiros anos
A ideia de criar o canal VIVA surgiu de uma iniciativa formada por Christoph Post, Jörg A. Hoppe, Helge Sasse e o ex-diretor da MTV, Michael Oplesch. Durante as discussões iniciais, Hoppe propôs o nome “VIVA” como um título provisório, sugerindo que fosse uma sigla para Videoverwertungsanstalt (algo como “instituto de reaproveitamento de vídeos”).[9] No entanto, Dieter Gorny — cofundador e único diretor-geral desde a estreia do canal até sua aquisição pela Viacom — negou essa explicação, afirmando que essa sigla foi criada depois, como um backronym (sigla montada retroativamente).[10] Mesmo com o histórico de insucesso do nome, anteriormente usado por um programa da RTL e por uma revista feminina da editora Gruner + Jahr, optou-se por mantê-lo.[11]
O canal VIVA entrou no ar em 1º de dezembro de 1993, tornando-se o segundo canal musical da Alemanha. O primeiro, a Musicbox, havia sido transformado em Tele 5 em 1988, e gradualmente abandonou os conteúdos musicais. Foi nesse espaço que o VIVA se inseriu. Seus estúdios estavam instalados em Colônia, no prédio alugado da VOX, pertencente ao grupo Bertelsmann. A criação do canal foi apoiada pela gigante Time Warner, que via na emissora uma forma de impulsionar os negócios da Warner Music na Alemanha. A Bertelsmann Music Group (BMG), por outro lado, recusou o convite para participar, temendo represálias da MTV Europe e duvidando da viabilidade de um canal musical em alemão competir com a MTV.
Apesar disso, executivos da Time Warner, como Tom McGrath e Peter Bogner, seguiram com o projeto, em parceria com outras gravadoras, como Sony, PolyGram e EMI, além de produtores independentes como Michael Oplesch, Rudi Dolezal e Hannes Rossacher (da produtora Me, Myself & Eye). A esses somaram-se os sócios Christoph Post, Jörg A. Hoppe, Marcus O. Rosenmüller, Helge Sasse e Frank Otto — este último incluído por sua experiência no mercado alemão.[12][13][14] Entre os primeiros VJs do canal estavam Stefan Raab e Heike Makatsch, que mais tarde se destacariam na televisão e no cinema.
Desde sua criação, o VIVA se posicionou como uma alternativa à MTV Europe, cuja programação era majoritariamente em inglês. Documentos internos da Time Warner indicavam que a MTV era vulnerável por transmitir apenas em língua inglesa, sem licença específica para a Alemanha e sem vínculos diretos com a Europa.[12] O VIVA, por sua vez, propunha-se a exibir pelo menos 40% de música alemã, promovendo artistas locais e reforçando sua identidade nacional.[15]
Pouco antes da estreia, o primeiro diretor do canal, Michael Oplesch, foi substituído por Dieter Gorny, ex-professor e ex-diretor do Rockbüro NRW e da Popkomm. Gorny permaneceu à frente do canal até sua aquisição pela MTV, em 14 de janeiro de 2005.
A primeira transmissão do VIVA aconteceu em 1º de dezembro de 1993, com os estúdios baseados em Colônia-Mülheim, no mesmo prédio da produtora Brainpool. O primeiro videoclipe exibido foi “Zu geil für diese Welt”, do grupo Die Fantastischen Vier — que também foi o último a ser exibido em 2018. A identidade do canal foi moldada principalmente pelos produtores Rudi Dolezal e Hannes Rossacher. Em 1994, o VIVA chegou à liderança de audiência, segundo dados da própria emissora. No entanto, perdeu força após o retorno da MTV à TV aberta. A partir de meados de 2004, o VIVA voltou a liderar ligeiramente entre o público-alvo do mercado publicitário.
Em 1995, o canal criou o prêmio musical Comet, e nesse mesmo ano lançou o canal alternativo VIVA Zwei, voltado para gêneros como rock alternativo, metal, hip-hop underground e música eletrônica.[16] Porém, como o canal nunca foi lucrativo, ele foi encerrado em 7 de janeiro de 2002 e substituído pelo VIVA Plus.
A partir de 2000, o VIVA iniciou sua expansão internacional, com versões do canal na Suíça, Áustria e Polônia, além de parcerias com outras emissoras. Em 2003, surgiram críticas quando se descobriu que a gravadora Universal havia conseguido reservar posições privilegiadas na rotação de videoclipes, beneficiando seus artistas.
Aquisição pela Viacom
Em 2002, surgiram os primeiros rumores sobre a venda do canal VIVA, com a Viacom figurando entre os interessados. Naquele momento, a AOL Time Warner tornou-se acionista majoritária. Com a posterior venda do Warner Music Group, o VIVA também foi colocado no mercado. A disputa pela compra envolveu a Viacom, a ProSiebenSat.1 Media e o RTL Group. A aquisição foi concluída em 24 de junho de 2004, quando a Viacom, controladora da MTV, adquiriu o canal por aproximadamente 310 milhões de euros.[17][18]
A partir de janeiro de 2005, a Viacom assumiu o controle total da emissora. Houve uma redução drástica na produção de conteúdo original, substituído por programas adquiridos de terceiros, além de demissões em massa.[19] O último programa ao vivo regular, VIVA Live!, ficou no ar até 2011.[20]
Em março de 2005, o canal mudou sua sede de Colônia para Berlim.[21] Em 14 de janeiro de 2007, o VIVA Plus foi encerrado, dando lugar ao Comedy Central, embora o programa Get the Clip tenha sido transferido para o VIVA e exibido até 2014.
Reestruturação e mudanças na programação
A partir de 1º de janeiro de 2011, com a migração da MTV para a TV por assinatura, o VIVA adotou uma nova identidade visual e passou a exibir parte da programação da antiga concorrente. O canal transformou-se, assim, em uma vitrine para os produtos da Viacom, incluindo conteúdos da Nickelodeon e do Comedy Central.[22][23]
No mesmo ano, em 22 de março, a programação passou a ser transmitida no formato 16:9. Ainda em 2011, foi lançado o VIVA HD, com qualidade full HD, disponível em operadoras como Telekom Entertain, Unitymedia e Zattoo. Em 2012, o canal encerrou suas transmissões via sinal analógico.
Entre 2014 e 2015, o VIVA passou a compartilhar espaço com o Comedy Central, o que resultou na drástica redução de sua programação musical.[24][25][26] Apesar de algumas tentativas de retomar esse conteúdo, a grade tornou-se cada vez mais restrita. A partir do fim de 2015, os realities deixaram de ser exibidos, e o canal passou a se dedicar quase exclusivamente à música.
Encerramento definitivo
Em junho de 2018, a Viacom anunciou oficialmente o encerramento do VIVA, marcado para 31 de dezembro daquele ano. A programação seria integralmente substituída pelo Comedy Central, que voltaria a ocupar as 24 horas da grade.[27] De acordo com Mark Specht, diretor da Viacom na Alemanha, o canal ainda era financeiramente viável, mas a empresa optou por concentrar seus investimentos em marcas consideradas mais promissoras, como MTV, Comedy Central e Nickelodeon.[28] Além disso, a perda de relevância da grade, com horários pouco atrativos, já havia afastado boa parte do público-alvo.[29]
Em 31 de dezembro de 2018, o VIVA foi ao ar pela última vez com o especial VIVA Forever. Durante o programa, diversos músicos e artistas renomados, além de antigos apresentadores — como DJ Bobo, Mola Adebisi, Samy Deluxe, Udo Lindenberg, Alex Christensen, Oliver Pocher, Matthias Opdenhövel e os irmãos Lochis — enviaram mensagens de despedida. Os depoimentos foram embalados pela música Viva Forever, das Spice Girls. Ao final, os apresentadores e convidados se despediram com o trocadilho “Auf Vivasehen” (uma brincadeira com Auf Wiedersehen, que significa “até logo”).
O último videoclipe exibido foi Zu geil für diese Welt, da banda Die Fantastischen Vier — o mesmo que inaugurara a programação do canal 25 anos antes. Nos momentos finais, o logotipo atual deu lugar à sua versão original, em azul e amarelo. Na sequência, a tela escureceu, exibindo esse logotipo acompanhado da inscrição em estilo de lápide: VIVA – Rest in Peace 1993–2018. Exatamente às 14h, a transmissão foi encerrada e a programação passou a ser ocupada pelo Comedy Central.[30]
Logotipos
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1993 – 1998 -
1998 – 2001 -
2002 – 2004 -
2005 – 2010 -
2011 – 2018
Notas
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em eslovaco cujo título é «VIVA (Nemecko)», especificamente desta versão.
Referências
- ↑ «Bye bye Viva: Wir verabschieden uns nach 25 Jahren vom coolsten Musiksender» (em alemão). viva.tv. Consultado em 15 de julho de 2023. Arquivado do original em 20 de junho de 2018
- ↑ Koehl, Christian; Koehl, Christian (28 de fevereiro de 2005). «Viacom cues change in German music TV» (em inglês). Variety. Consultado em 15 de julho de 2023
- ↑ Plunkett, John (16 de outubro de 2009). «MTV replaces TMF with Viva». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ «Iszak Eszti a VIVA megszűnéséről: "Rengeteg emlék kavarog most bennem"» (em húngaro). 3 de agosto de 2017. Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ «Bye Bye VIVA: Wir verabschieden uns nach 25 Jahren vom coolsten Musiksender». viva.tv. 20 de junho de 2018. Consultado em 24 de maio de 2025. Arquivado do original em 20 de junho de 2018
- ↑ «10 Jahre Viva Schweiz: Was hat das Leben aus den Moderatoren gemacht?». Blick. 30 de setembro de 2018. Consultado em 24 de maio de 2025. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2018
- ↑ «Musiksender Viva wird endgültig eingestellt» (em alemão). Luxemburger Wort - Deutsche Ausgabe. 21 de junho de 2018. Consultado em 15 de julho de 2023
- ↑ píše, Sekáč (21 de junho de 2018). «Nemecká VIVA ukončí vysielanie po 25-tich rokoch» (em eslovaco). Consultado em 15 de julho de 2023
- ↑ GmbH, DWDL de. «Happy Birthday: 15 Jahre Videoverwertungsanstalt». DWDL.de (em inglês). Consultado em 18 de maio de 2025
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- ↑ «… einen Termin verschwitzt - brand eins online». www.brandeins.de (em alemão). Consultado em 18 de maio de 2025
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- ↑ «MedienCity: Eine kleine Geschichte des Musiksenders Viva». www.mediencity.de (em alemão). Consultado em 18 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de abril de 2023
- ↑ «Musikkanal geht an den Start». Der Spiegel (em alemão). 6 de junho de 1993. ISSN 2195-1349. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Kleiner Bruder». Der Spiegel (em alemão). 22 de agosto de 1993. ISSN 2195-1349. Consultado em 18 de maio de 2025
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- ↑ GmbH, DWDL de. «Comedy statt Clips: Viva kürzt sein Musikprogramm». DWDL.de (em inglês). Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Bye Bye VIVA: Wir verabschieden uns nach 25 Jahren vom coolsten Musiksender - News - VIVA». web.archive.org. 2 de janeiro de 2019. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Musikfernsehen: Viacom stellt Viva ein - HORIZONT». www.horizont.net (em alemão). Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ Mascato, Manuel. «Aktuelle Nachrichten aus Berlin und der Welt - Berliner Morgenpost». www.morgenpost.de (em alemão). Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ TVClipsDeutschland (31 de dezembro de 2018), VIVA HD Sendeschluss und Übergang zu ComedyCentral HD, consultado em 18 de maio de 2025