Ut unum sint

Ut unum sint
Carta encíclica do papa João Paulo II
Evangelium Vitae Fides et Ratio
Data 25 de maio de 1995
Assunto Empenho ecumênico
Encíclica número 12 de 14 do pontífice
Texto em latim
em português
Brasão pontifício de São João Paulo II

Ut Unum Sint (em latim: “Para que sejam um”) é uma encíclica do Papa João Paulo II, publicada em 25 de maio de 1995. Trata-se da primeira encíclica dedicada inteiramente ao tema do ecumenismo, ou seja, à busca da unidade entre todos os cristãos. O título deriva das palavras iniciais (incipit) do texto, extraídas da oração sacerdotal de Jesus antes da Paixão: “Ut omnes unum sint” — “Para que todos sejam um” (João 17:21).[1]

Contexto histórico

O documento foi publicado no clima pós-Concílio Vaticano II, especialmente em continuidade ao decreto Unitatis Redintegratio (1964), que marcou a renovação do empenho católico pelo diálogo ecumênico. Durante a segunda metade do século XX, o movimento ecumênico ganhou força, envolvendo Igrejas ortodoxas, comunidades eclesiais protestantes e diversas iniciativas internacionais, como o Conselho Mundial de Igrejas.

A encíclica foi redigida com forte contribuição do cardeal Georges Cottier, teólogo da Casa Pontifícia, e representa a consolidação da posição da Igreja Católica de que a busca da unidade entre os cristãos é parte essencial de sua missão.[2]

Conteúdo

João Paulo II reafirma que o compromisso ecumênico da Igreja Católica é irreversível, pois corresponde ao desígnio de Cristo de reunir todos os seus discípulos em um só rebanho. O documento destaca:

  • A necessidade de um diálogo teológico paciente e fraterno, especialmente com as Igrejas Ortodoxas Orientais, com as quais a Igreja Católica partilha os sacramentos e a sucessão apostólica;
  • O estímulo ao diálogo e à cooperação com as comunidades eclesiais protestantes, reconhecendo nelas a presença do Espírito Santo, os elementos de santificação e a riqueza bíblica e espiritual;
  • A insistência de que a busca da unidade não é uma mera questão diplomática, mas uma exigência do próprio Evangelho e um testemunho diante do mundo;
  • O convite aos bispos, teólogos e fiéis católicos a se empenharem em todos os níveis — internacional, diocesano e paroquial — na promoção de iniciativas ecumênicas concretas.

Um dos pontos mais significativos da encíclica é a abertura de João Paulo II a refletir sobre o exercício do ministério petrino. Ele convida os líderes cristãos a dialogarem sobre formas de compreender o primado do Papa de maneira que este não seja obstáculo, mas instrumento de unidade.

Recepção

A Ut Unum Sint foi acolhida como um marco no movimento ecumênico contemporâneo. Entre as Igrejas Ortodoxas, o documento foi recebido com apreço pela clareza com que reafirma a importância da tradição comum. Entre comunidades protestantes, foi visto como um sinal de abertura e desejo autêntico de diálogo, embora algumas tensões tenham persistido em torno do papel do papado.

No campo acadêmico, a encíclica tornou-se referência em cursos de ecumenismo e teologia sistemática, sendo considerada uma das contribuições mais significativas do pontificado de João Paulo II.[3]

Ver também

Referências

  1. John 17:21; see Ut unum sint, paragraph 9
  2. In an interview in "30Days", 3-2004, Cottier remarked:"Going back to the early years, the first “big” text I worked on was the social encyclical Centesimus annus. And then the Ut unum sint on ecumenicalism, the moral encyclical Veritatis splendor, and the Fides et ratio… also the Catechism of the Catholic Church" http://www.30giorni.it/articoli_id_3545_l3.htm, accessed 17 February 2013
  3. Weigel, George. The End and the Beginning: Pope John Paul II -- The Victory of Freedom, the Last Years, the Legacy . The Crown Publishing Group. Kindle Edition

Ligações externas