Usina Hidrelétrica Salto Grande (Americana)
Usina Hidrelétrica Salto Grande
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![]() Vista da barragem da UHE Salto Grande | |
| Localização | |
| Localização | São Paulo, Brasil |
| Rio | Rio Atibaia |
| Coordenadas | 22°41'51"S, 47°17'5"W |
| Dados gerais | |
| Empresa operadora | CPFL Renováveis |
| Empresa distribuidora | CPFL Paulista |
| Obras | 1940-1949 |
| Data de inauguração | 1949 |
| Características | |
| Tipo | usina hidrelétrica, barragem |
| Altura | 23 m |
| Reservatório | |
| Área alagada | 11,92 km² |
| Capacidade de geração | 30 MW |
| Unidades geradoras | 3 |
A Usina Hidrelétrica Salto Grande, atualmente denominada Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Americana, está localizada no rio Atibaia, que faz parte da bacia hidrográfica do rio Piracicaba, no município de Americana, estado de São Paulo. Atualmente é operada pela CPFL Renováveis.[1]
História
Primeira usina
Em 1907 a parte remanescente da Fazenda Salto Grande, de propriedade do Major Francisco de Campos Andrade, localizada entre o rio Jaguari e as terras da Fábrica de Tecidos Carioba, foi adquirida pelo Comendador Franz Müller, proprietário da fábrica.[2][3]
A intenção nesta aquisição estava ligada a facilidade apresentada pela mesma para a construção de uma usina hidrelétrica, pois havia uma grande queda d’água sobre um maciço de rocha magmática no rio Atibaia, propícia para geração de energia, o que possibilitaria a ampliação da sua indústria têxtil.[2][3]
O Comendador Müller contrata a firma Bromberg, Hacher & Cia. para sua construção.[3] Em 1911 foi inaugurada a primeira Usina Hidrelétrica de Salto Grande, com uma potência inicial de 2.500 kW, que passou a fornecer energia elétrica para a indústria e também para os distritos de Vila Americana, Cosmópolis, Rebouças (Sumaré), povoado de Nova Odessa e para a cidade de Santa Bárbara.[4]

Essa usina acabou sendo vendida em 1930 à Companhia Paulista de Força e Luz - CPFL, devido a crise econômica de 1929.[5]
Segunda usina
Para atender a demanda de energia elétrica das novas indústrias em Americana, a Companhia Paulista de Força e Luz inicia em 1940 a construção da nova usina hidrelétrica na Fazenda Salto Grande, que na época já era propriedade das Indústrias José João Abdalla S/A.[5]
Aproveitando a mesma queda d’água da antiga, concluiu sua construção em 1949, representando o que havia de mais moderno em tecnologia.[6][5]
A atual Usina Hidrelétrica de Salto Grande foi inaugurada em 19 de novembro de 1949 pelo então governador do estado Ademar de Barros.[7][8]
Características
Geração de energia
A usina localiza-se no rio Atibaia pouco antes da confluência com o rio Jaguari, onde é formado o rio Piracicaba. A barragem tem o comprimento de 200 metros, e com uma altura de 23 metros, onde é permitida a utilização de uma queda de 31,8 metros.[9]
Tem capacidade instalada de 30 MW, com três unidades geradoras de energia equipadas com turbinas Francis, cada unidade com potência de 10 MW e vazão de 39,4 m³/s,[9] sendo que a última unidade entrou em operação em 1953.[10]
Seus vertedouros, um total de três, possuem o comprimento total de 42,82 metros, na cota de 538,51 metros. Já seu reservatório ocupa uma área de 11,92 km², com um volume de 107 hm³.[1]
Vertimento de Macrófitas
O aporte de altas cargas orgânicas no reservatório, devido ao processo de uso e ocupação da bacia do rio Atibaia, resulta na degradação da qualidade ambiental da bacia e cria condições favoráveis para a colonização por macrófitas aquáticas - do tipo popularmente conhecido como aguapé - de parte do espelho d’água do reservatório de Salto Grande.[1]

A diminuição da proliferação e do acúmulo dessas plantas podem ser realizados por alguns métodos de manejo. Todos esses métodos foram e continuam sendo estudados e aprimorados por meio do Plano de Manejo de Macrófitas Aquáticas. Atualmente é realizada regularmente na PCH Americana a remoção mecânica das plantas do reservatório.[1]
Em dezembro de 2023 obteve autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) para realizar o vertimento dessas plantas pela barragem de Salto Grande, sendo o processo realizado em fevereiro de 2024.[1]
A manobra de vertimento controlado envolve a abertura da comporta de superfície da PCH Americana, com uma saída controlada de água, onde as plantas aquáticas seguem o fluxo natural e chegam ao rio Piracicaba já quebradiças, o que reduz significativamente sua capacidade de sobrevivência e reprodução.[1]
Riscos de rompimento
A usina foi incluída pela Agência Nacional de Águas em novembro de 2018 na lista de estruturas onde há riscos em caso de rompimento, sendo classificada como de "alto risco e dano potencial alto", com categoria de risco A.[11]
Em 30 de abril de 2019, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) publicou o relatório que reclassifica a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Americana para categoria de risco B.[12]
De acordo com a ANEEL, por meio da Resolução nº 1.064 de 02 de maio de 2023, o Plano de Ação de Emergência é obrigatório para as barragens classificadas em A ou B ou que possuam categoria de dano potencial associado médio ou alto, em termos econômicos, sociais, ambientais ou de perdas de vidas, tendo por base as Matrizes de Classificação quanto à Categoria de Risco e Dano Potencial Associado e o Artigo 7º da Lei nº 12.334/2010.[9]
Áreas de lazer no reservatório
A margem esquerda do reservatório de Salto Grande é caracterizada por possuir vários condomínios e loteamentos fechados de alto padrão, além de loteamentos de chácaras de veraneio, também sendo utilizada como local de lazer na Praia dos Namorados e na Praia Azul, ambas com fácil acesso pela via Anhanguera.[13]
Referências
- ↑ a b c d e f «CPFL Renováveis - Portfólio». www.cpflrenovaveis.com.br. Consultado em 12 de março de 2019
- ↑ a b GOBBO, Célia; et al. (1999). Preservando nossa história (PDF). Americana / SP / Brasil: [s.n.]
- ↑ a b c «A FÁBRICA DE TECIDOS CARIOBA E A FAZENDA SALTO GRANDE». Estação Cultura Americana. Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ STOCK, Suzete de Cássia Volpato (2009). «Benamata – um lugar, uma herança» (PDF). Tese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas
- ↑ a b c «Usina Hidrelétrica de Americana chega aos seus 70 anos | Liberal». liberal.com.br. 17 de novembro de 2019. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ https://www.americana.sp.gov.br/download/APAMA_historico_territorio_da_area_de_protecao.pdf
- ↑ «IBGE | Biblioteca | Detalhes | Represa Salto Grande : Americana, SP». biblioteca.ibge.gov.br. Consultado em 12 de março de 2019
- ↑ «[Represa de Americana] - Centro de Memória-UNICAMP». atom.cmu.unicamp.br/. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ a b c «PCH AMERICANA - PLANO DE AÇÃO DE EMERGÊNCIA» (PDF). grupocpfl.com.br. 30 de novembro de 2016. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ «Jornal d'Oeste - 08/02/1953» (PDF). cdoc.fundacaoromi.org.br. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ «Após indicações de riscos, barragem em Americana é avaliada e relatório vai para Aneel». G1. 28 de fevereiro de 2019. Consultado em 12 de março de 2019
- ↑ «Barragem da represa de Salto Grande deixa categoria de risco alto em novo relatório». G1. 13 de dezembro de 2019. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ «Perfil do Município - Hidrografia». Prefeitura de Americana - Site Oficial. Consultado em 12 de março de 2019
