Um Homem em Declínio
| 人間失格 (Ningen Shikkaku) | |
|---|---|
| Um Homem em Declínio [PT] Declínio de um Homem [BR] | |
| Autor(es) | Osamu Dazai |
| Idioma | japonês |
| País | Japão |
| Editora | Shinchosha |
| Lançamento | 25 de julho de 1948 |
| Páginas | 271 |
| Edição portuguesa | |
| Tradução | Manuel Alberto Vieira |
| Editora | Editorial Presença |
| Lançamento | 15 de fevereiro de 2023 |
| Formato | Capa mole |
| Páginas | 160 |
| ISBN | 978-972-23-7054-7 |
| Edição brasileira | |
| Tradução | Ricardo Machado |
| Editora | Estação Liberdade |
| Lançamento | 3 de março de 2015 |
| Formato | Capa mole |
| Páginas | 152 |
| ISBN | 978-8574482446 |
Um Homem em Declínio (japonês: 人間失格, Hepburn: Ningen Shikkaku), é um romance de 1948 pelo escritor japonês Osamu Dazai. Conta a história de um homem perturbado, incapaz de revelar o seu verdadeiro eu aos outros, e que, em vez disso, mantém uma fachada de jovialidade vazia, mais tarde entregando-se a uma vida de alcoolismo e toxicodependência antes do seu desaparecimento final. O título original traduz-se como "Desqualificado como ser humano",[1] ou por "Humano falhado".[2] O livro foi publicado um mês após o suicídio de Dazai aos 38 anos.[2] Um Homem em Declínio é considerado um clássico da literatura japonêsa do pós-guerra[3] e a obra-prima de Dazai.[4] Goza de uma popularidade considerável entre os leitores mais jovens[5] e está em segundo lugar na listas das obras que mais venderam da editora Shinchosha, atrás da obra Kokoro do escritor Sōseki Natsume[5]
O romance foi publicado em Portugal em fevereiro de 2023 pela Editorial Presença com tradução por Manuel Alberto Vieira.[6]
Enredo
A história de Um Homem em Declínio é contada através de blocos de notas deixados pelo personagem principal, Ōba Yōzō (大庭葉蔵). São três blocos de notas que narram a vida de Ōba desde a sua infância até perto dos seus 30 anos. Os blocos de notas têm um prefácio e um epílogo escritos por um narrador sem nome, que recebe os cadernos de Ōba de um conhecido em comum dez anos depois de terem sido escritos.
O Primeiro Bloco de Notas
O primeiro caderno concentra-se no conflito extremo de Yozo Ōba em compreender os humanos. Apesar de ter nascido numa família decente e abastada, ele luta contra a sensação constante de extrema alteridade. Ōba fica confuso com as pessoas à sua volta e com as coisas que elas fazem, até mesmo com a sua família. A sua dificuldade em entender os humanos é tão forte que ele tem medo deles. Ao longo do livro, Ōba descreve os humanos como se ele estivesse separado deles. Nos primeiros anos de vida, Ōba recorre à palhaçada para estabelecer relações interpessoais. Ele define isto como sendo o último recurso para encontrar amor dos outros. Como Ōba não entende os humanos, ele age como eles para esconder a sua alteridade. Ele também descreve numerosas vezes que as suas travessuras são uma forma de não irritar os humanos e de não ser levado a sério por forma a evitar repreensões. Ōba é obcecado pelo medo de que alguém descubra que está a fingir e exponha o seu verdadeiro caráter.
O Segundo Bloco de Notas
Com o passar do tempo, Ōba fica cada vez mais preocupado com a potencial exposição da sua fachada alegre e fingida quando o seu colega de escola, Takeichi, não se deixa enganar por uma das suas palhaçadas. Ōba torna-se amigo dele para impedir que Takeichi revele o seu segredo. Inspirado por uma pintura de Van Gogh que Takeichi lhe mostra, ele começa a pintar para exprimir a sua angústia interior através da arte. Ōba pinta um autorretrato que é tão medonho que ele não ousa mostrá-lo a ninguém, exceto a Takeichi, que lhe prevê um futuro como grande artista.
Após terminar a escola secundária, Ōba é enviado para Tóquio para frequentar a universidade. Influenciado por um colega artista, Horiki, que ele conhece numa aula de pintura, Ōba mergulha num padrão de beber, fumar e prostituição, e frequenta reuniões comunistas sem ser um seguidor fervoroso. Depois de passar a noite com uma mulher casada, ele tenta cometer shinjū (suicídio duplo) com ela por afogamento. Ele sobrevive enquanto que ela morre, o que o deixa com um sentimento excruciante de culpa.
O Terceiro Bloco de Notas: Parte Um
Ōba é expulso da universidade e fica ao cuidado de um amigo da família. Durante esteperíodo, ele conhece uma mãe solteira que é uma conhecida de Horiki e tenta ter um relacionamento normal com ela, servindo como uma figura paterna para a sua filha pequena, mas regressa aos seus hábitos de bebida e ao seu medo da humanidade; ele eventualmente as abandona. Ele então passa a viver com a dona de um bar antes de conhecer a Yoshiko, uma jovem inexperiente que o incentiva a parar de beber.
O Terceiro Bloco de Notas: Parte Dois
Graças à influência estabilizadora da Yoshiko na sua vida, Ōba para de beber e encontra um emprego remunerado como cartunista. Então Horiki aparece, levando Ōba novamente para comportamentos autodestrutivos. Pior ainda, no momento em que relembra Crime e Castigo de Dostoiévski, enquanto discute o antónimo de crime com Horiki, Yoshiko é agredida sexualmente por um conhecido. O terror e o desespero causados por este incidente afastam Ōba da sua esposa e levam-no a outra tentativa de suicídio com drogas soníferas .
Após receber alta do hospital onde foi internado depois da sua tentativa de suicídio, Ōba torna-se viciado em morfina. Ele é confinado numa instituição psiquiátrica e, ao ser libertado, muda-se para um local isolado com a ajuda do irmão, concluindo a história com o comentário de que agora não se sente nem feliz nem infeliz.
Legado
Na sua crítica de 2014 de Um Homem em Declínio, William Bradbury do The Japan Times, chamou-o de um romance intemporal, dizendo que a "luta do indivíduo para se encaixar numa sociedade de normas permanece tão relevante hoje quanto era na época em que foi escrito". Ele também apontou que o estilo "direto" distanciava o livro do tom de uma autobiografia propriamente dita, apesar das semelhanças com a vida pessoal de Dazai.[7]
Serdar Yegulalp da Genji Press, observou (em 2007) a força de Dazai ao retratar a situação do protagonista, descrevendo o romance como "sombrio de uma forma que é ao mesmo tempo extrema e também estranhamente natural". [8]
Uma analista moderna, Naoko Miyaji, propôs que Dazai sofria de transtorno de stress pós-traumático complexo quando escreveu o livro.
O romance foi apresentado a um público mais amplo no início da década de 2020, ao tornar-se uma sensação nas redes sociais e na plataforma de vídeos online, TikTok.[9]
Adaptações notáveis
Filme
- 2019: Ningen Shikkaku (dir. Mika Ninagawa)[10]
- 2019: Human Lost (dir. Fuminori Kizaki)
Série de anime
- 2009: Aoi Bungaku
Mangá
- 2009: Um Homem em Declínio por Usamaru Furuya[11]
- 2017: No Longer Human por Junji Itō
Música
- 1990: Ningen Shikkaku por Ningen Isu
Referências
- ↑ Dazai, Osamu (1948). No Longer Human. Norfolk, Connecticut: New Directions Publishing
- ↑ a b Dazai, Osamu (2023). A Shameful Life. Berkeley, California: Stone Bridge Press
- ↑ The Columbia Anthology of Modern Japanese Literature. 1. New York: Columbia University Press. 2005
- ↑ «Takeshi Obata Illustrates Cover for Best-Selling Japanese Novel». ComiPress. 22 de agosto de 2007. Consultado em 27 de julho de 2009
- ↑ a b «没後70年、作家・太宰治を生んだ「三つの空白期」». Yomiuri Shimbun (em japonês). 6 de junho de 2018. Consultado em 21 de junho de 2023
- ↑ «Um Homem em Declínio de Osamu Dazai pela Editorial Presença». otakupt.com. 30 de janeiro de 2023. Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ Bradbury, William (25 de outubro de 2014). «No Longer Human». The Japan Times. Consultado em 14 de março de 2015
- ↑ Yegulalp, Serdar. «Book Reviews: No Longer Human (Osamu Dazai)». Genji Press. Consultado em 14 de março de 2015
- ↑ Martin, Andrew (5 de março de 2023). «Osamu Dazai, with Help from TikTok, Keeps Finding New Fans». The New York Times
- ↑ 小栗旬、太宰治役で減量 蜷川実花監督と「人間失格」誕生秘話映画化. cinematoday.jp (em japonês). 3 de dezembro de 2018. Consultado em 2 de dezembro de 2018. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2018
- ↑ «No Longer Human». Vertical, Inc. Consultado em 10 de dezembro de 2011. Arquivado do original em 15 de junho de 2013