Trufa mágica
As trufas mágicas são os esclerócios de cogumelos psilocibinos, que tecnicamente não são o mesmo que "cogumelos". São massas de micélio que contêm o corpo de frutificação, o qual contém as substâncias químicas psicodélicas psilocibina e psilocina.
Em outubro de 2007, as autoridades holandesas anunciaram a proibição de cogumelos alucinógenos ou "cogumelos mágicos".[1][2] A proibição dos cogumelos não incluiu as espécies alucinógenas na forma de esclerócio, pois as autoridades acreditavam que estas eram menos potentes que os cogumelos. As trufas de psilocibina, que antes tinham poucas vendas, tornaram-se a única opção legal de produção.[3] Atualmente, smart shops nos Países Baixos oferecem trufas mágicas como uma alternativa legal aos cogumelos proibidos.
Vício e tolerância
O vício físico em trufas mágicas nunca foi documentado. Como o constituinte psicoativo das trufas mágicas é a psilocibina, o pró-fármaco da psilocina, o vício não é possível pelas definições convencionais.[4] Além disso, há fortes evidências que sugerem que há pouco ou nenhum potencial para dependência psicológica da psilocibina.[5]
A tolerância específica às trufas mágicas não é bem estudada. No entanto, a tolerância à psilocibina é um conceito bem compreendido, sendo necessárias doses repetidamente mais elevadas para se obter o mesmo efeito, devido à regulação negativa dos receptores 5-HT2A.[6] Existe também tolerância cruzada documentada entre a psilocibina e o LSD, o que significa que é necessária uma dose mais elevada destas substâncias para obter o mesmo efeito quando uma pessoa as consome com alta frequência. Através da abstinência temporária, a tolerância retorna ao nível basal.[7]
Referências
- ↑ Sterling, Toby (13 de outubro de 2007). «Dutch Declare Hallucinogenic Mushrooms Illegal». The Washington Post. Consultado em 2 de novembro de 2017
- ↑ MacIntyre, James (13 de outubro de 2007). «Netherlands imposes total ban on 'magic' mushrooms». The Independent. London. Consultado em 2 de novembro de 2017
- ↑ Morris, Hamilton (13 de fevereiro de 2012). «Hamilton and the Philosopher's Stone». Vice. Amsterdam. Consultado em 11 de fevereiro de 2017
- ↑ Johnson, Matthew W.; Griffiths, Roland R.; Hendricks, Peter S.; Henningfield, Jack E. (2018). «The abuse potential of medical psilocybin according to the 8 factors of the Controlled Substances Act». Neuropharmacology (em inglês). 142: 143–166. PMC 6791528
. PMID 29753748. doi:10.1016/j.neuropharm.2018.05.012
- ↑ Johansen; Krebs (29 de março de 2015). «Psychedelics not linked to mental health problems or suicidal behavior: a population study». Journal of Psychopharmacology. 29 (3): 270–279. PMID 25744618. doi:10.1177/0269881114568039
- ↑ Aronson (2016). Meyler's Side Effects of Drugs 16 ed. [S.l.]: Elsevier. ISBN 978-0-444-53716-4
- ↑ Isbell, Harris; Wolbach, A. B.; Wikler, A.; Miner, E. J. (1 de maio de 1961). «Cross tolerance between LSD and psilocybin». Psychopharmacologia (em inglês). 2 (3): 147–159. ISSN 1432-2072. PMID 13717955. doi:10.1007/BF00407974