Trobar clus

Marcabru, ilustrado no manuscrito 12473, foi o criador do estilo clus.

Trobar clus (literalmente "trovar fechado"), também chamado de escur, prim, sotil, car ou cobert, foi um estilo occitano de poesia hermética difundido por um seleto grupo de trovadores.[1]

Ao contrário do trobar leu, o estilo fechado promovia rimas ricas e novas, metáforas preciosas e complexidades de pensamento.[2] O poema ideal em estilo clus devia ser estruturalmente complexo e difícil de memorizar.[3] O poeta visava, portanto, compor para um grupo esóterico de admiradores.[2]

Na disputa poética contra Giraut de Bornelh, Raimbaut de Aurenga adotou uma postura reacionária, defendendo a hierarquia do clus sobre o estilo leu. Para ele, a poesia popularizada era "comunal", e sua massificação levaria ao fim da excelência, pois a ausência de poemas ruins anularia a própria noção de bons poemas.[3]

Do trobar clus surgiu o trobar ric, que não focava na expressão enigmática, mas na beleza da forma e na sonoridade das palavras.[1]

O estilo chegou à Italia e foi representado por Guittone d'Arezzo.[4]

Referências

  1. a b De Riquer, Martin (1975). Los trovadores: historia literaria y textos. Barcelona: Editorial Planeta. pp. 74–76. ISBN 978-8432076008
  2. a b Chaytor, Henry John (1902). Hart, Horace, ed. The Troubadours of Dante. Being Selections from the works of the Provençal poets quoted by Dante With Introduction, Notes, Concise Grammar and Glossary (em inglês). Oxford: Clarendon Press. pp. 32–34 
  3. a b Van Vleck, Amelia E. (1991). Memory and Re-Creation in Troubadour Lyric (em inglês) 1st ed ed. Berkeley: University of California Press. pp. 133–134. ISBN 978-0520370401 
  4. Akehurst, F. R. P.; Davis, Judith M., eds. (1995). A handbook of the Troubadours. Col: Publications of the UCLA Center for Medieval and Renaissance Studies. Berkeley: University of California Press. p. 280.