Estrada Romana do Alqueidão da Serra

Estrada Romana do Alqueidão da Serra
Informações gerais
ConstruçãoSéculo I a.C. a I d.C.
PromotorImpério Romano
Aberto ao públicoSim
Património de Portugal
Classificação  Imóvel de Interesse Público [♦]
DGPC73614
SIPA3288
Geografia
PaísPortugal
LocalizaçãoAlqueidão da Serra, Porto de Mós
Coordenadas🌍
Localização em mapa dinâmico
[♦] ^ DL Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163 de 17-07-1990

A Estrada Romana do Alqueidão da Serra (oficialmente Troço da Via Romana em Alqueidão da Serra[1]), é um notável vestígio de engenharia civil romana localizado na Carreirancha, perto da localidade de Alqueidão da Serra, na freguesia homónima do concelho de Porto de Mós, em Portugal. Integrada no no actual Parque Natural das Serras de Aire e dos Candeeiros, este troço viário secundário tinha o propósito principal de circulação de bens e pessoas e como auxiliar no escoamento de minério, que se destaca pela sua conservação e traçado original.[2]

A Estrada Romana de Alqueidão da Serra está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1990.[2]

História

O traçado da via romana do Alqueidão da Serra insere-se na vasta rede viária estabelecida pelo Império Romano, cuja génese se deu em época romana com o objectivo primordial de facilitar a progressão dos exércitos no processo de conquista dos territórios, assumindo, num segundo momento, um papel fundamental na administração de cada região e em questões práticas como a afluência de impostos às capitais provinciais e do império.

A via romana do Alqueidão da Serra é um caminho de carácter secundário que atravessava as Serras de Aire e Candeeiros, ligando entre si o Médio Tejo e o litoral estremenho. A sua construção ocorreu entre os séculos I a.C. e I d.C., período em que a região já se encontrava pacificada, conforme indicado por vestígios romanos como inscrições funerárias do século I. Crê-se que o seu objectivo primário era ligar as localidades de Scallabis (Santarém) e Collipo (perto de Leiria), dois importantes pólos administrativos da Antiguidade romana, mas o seu lançamento seria mais abrangente, fazendo a ligação da trilogia das vias que uniam Sellium (Tomar) ao porto de Paredes da Vitória (concelho de Alcobaça) e à localidade de Conimbriga (perto de Coimbra). Adicionalmente, o traçado terá auxiliado o escoamento do minério de ferro intensamente explorado pelos romanos nos lugares de Figueirinha e Zambujal, o que é comprovado pela recolha de escórias resultantes de actividades metalúrgicas ao longo da via.

A pertinência do traçado viário romano foi confirmada ao longo dos séculos subsequentes, sendo a via de Alqueidão da Serra aproveitada para a circulação de pessoas e bens, nomeadamente em plena Idade Média, altura em que se executaram alguns restauros pontuais.

No final do século XIV, em 1385, este caminho, conhecido na altura como a estrada romana da Carreirancha, teve um outro momento histórico ao conduzir o cavaleiro D. Nuno Álvares Pereira ao campo militar de São Jorge, na véspera da Batalha de Aljubarrota, travada pela independência de Portugal face a Castela.[1]

Descrição

O troço remanescente da via romana do Alqueidão da Serra, a pouco menos de um quilómetro da localidade, não possui mais do que 370 metros de extensão, sendo os primeiros 150 metros os mais bem conservados. A largura média é de 4 metros, embora a largura variasse em função da importância ou das curvas, onde se exigiam maiores dimensões, para facilitar o cruzamento de veículos. É das poucas vias romanas existentes em Portugal que se mantiveram fiéis à origem.

Nos trabalhos de restauro, a leitura estratigráfica de uma área parcialmente destruída permitiu identificar todos os elementos construtivos utilizados:

  • O pavimentum (calçada), que consiste em blocos de pedra cuidadosamente imbricados de cutelo, com spina central e definidos lateralmente por lajes maiores (acera), assentava diretamente sobre uma camada de argila e cascalho fino (nucleus);
  • O pavimentum foi arquitectado sobre um colossal podium em pedra, definido lateralmente por dois espessos muros;
  • O interior do podium era preenchido por duas camadas distintas de pedra: o statumen de calibre maior, junto à base, e o rudus, de calibre inferior, colocado sobre este.

O troço em bom estado de conservação, na Serra, é constituído por blocos de pedra regulares, intercalados por pedras menores. Ao longo das bermas, existem pequenos blocos de pedra elevados, colocados a espaços mais ou menos regulares, e em partes da via há muros de suporte em zonas de terreno desnivelado.

Existem vestígios isolados desta via entre Alqueidão da Serra e Vales. No lugar de Vales, há um pequeno troço bastante degradado e parcialmente destruído pela abertura de uma carreteira. Em vários sítios, são ainda identificáveis pequenos troços da via romana, hoje transformados em carreiros e caminhos. O local é servido por estrada municipal e é atravessado por carreiros de animais, encontrando-se nas imediações um parque de merendas.[1][3][4][5][6]

Referências

  1. a b c «Monumentos». www.monumentos.gov.pt (em inglês). Consultado em 11 de dezembro de 2025 
  2. a b Ficha na base de dados SIPA
  3. «Estrada Romana - Alqueidão da Serra». visite.portodemos.pt. Consultado em 11 de dezembro de 2025 
  4. «Estrada romana em Alqueidão da Serra - Porto de Mós | www.visitportugal.com». www.visitportugal.com. Consultado em 11 de dezembro de 2025 
  5. «PESQUISA GERAL». imovel.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 11 de dezembro de 2025 
  6. «Estrada Romana – JF Alqueidão da Serra». Consultado em 11 de dezembro de 2025 

Ligações externas