Triangulação (política)

Um diagrama conceitual que ilustra a triangulação política.

Na política, triangulação é uma estratégia onde um político apresenta sua posição como estando acima ou entre as alas esquerda e direita de um espectro político democrático. Envolve adotar para si algumas das ideias do oponente político. A lógica por trás disso é que ele leva o crédito pelas ideias do oponente e isola o triangulador dos ataques à essa questão específica.[1] A tática é associada ao ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, na década de 1990.

Origens

O uso político do antigo termo foi usado pela primeira vez pelo principal conselheiro político de Clinton, Dick Morris, como forma de descrever sua estratégia para reeleger Clinton nas eleições presidenciais dos EUA em 1996. A oposição dos partidários republicanos obteve uma vitória esmagadora para assumir o controle do Congresso nas eleições de 1994 nos EUA. Clinton precisava aprovar e receber crédito pela legislação, conquistando uma coligação de partidários republicanos e democratas moderados, abandonando os partidários democratas progressistas com os quais ele já havia trabalhado. Nas palavras de Morris, a triangulação significava que "o presidente precisava tomar uma posição que não apenas mesclasse o melhor dos pontos de vista de cada partido, mas também os transcendesse para constituir uma terceira força no debate".[2] Às vezes também é chamado de "triangulação clintoniana".[3] Morris defendeu um conjunto de políticas diferentes das políticas que eram tradicionais do Partido Democrata. Essas políticas incluíam desregulamentação e orçamentos equilibrados. Um dos pilares mais citados da estratégia de triangulação de Clinton foi quando, no seu discurso sobre o Estado da União de 1996, Clinton declarou que a "era de governo grande acabou".[4]

Os comentaristas especularam por vezes que a ênfase de Clinton no empreendedorismo e no sector pós-industrial era a cooptação dos ideais conservadores apresentadas primeiramente pelo reaganomics nos anos 1980.[5] O PhD em história Brent Cebul argumenta que a triangulação representava um tradicional esforço liberal para estruturar a economia com o objetivo de criar novos empregos e, ao mesmo tempo, produzir novas receitas fiscais que poderiam apoiar inovações políticas progressistas. Cebul argumenta que esta tradição remonta às políticas locais e estaduais inspiradas no New Deal, e o "liberalismo do lado da oferta" dos anos 1970.[6]

Outro uso

Os políticos que teriam usado a triangulação incluem: o ex-presidente Barack Obama[7] e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton nos EUA; o ex-primeiro-ministro Tony Blair com o "Novo Trabalhismo" no Reino Unido;[8] os ex-primeiros-ministros Jean Chrétien e Paul Martin pelo Partido Liberal do Canadá; o ex-primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt com "Os Novos Moderados" na Suécia; os ex-primeiros-ministros Bob Hawke, Paul Keating e Kevin Rudd pelo Partido Trabalhista Australiano; a ex-primeira-ministra Nicola Sturgeon pelo Partido Nacional Escocês; e Emmanuel Macron, que foi eleito presidente da França numa plataforma centrista com o objetivo de ser "nem esquerda nem direita".[8] Durante seu discurso sobre o Estado da União de 2010, Obama insistiu que permaneceria com o sua agenda de centro-esquerda face às críticas em vez de recorrer à triangulação.[4]

Ver também

Referências

  1. Nesmith & Quirk 2016.
  2. Morris 1999, p. 80.
  3. Halstead & Lind 2002, p. 5; Goldberg 2007; Trende 2012.
  4. a b Sanger 2010.
  5. Nelson, Perry & Riley 2016, p. 34.
  6. Cebul 2019.
  7. Frei 2010; Feldmann 2010: "Perhaps President Obama's tax-cut deal with the GOP was astute, after all. While he angered liberals, he also won back some independent support – an example of Clintonian 'triangulation.'"
  8. a b Dyer & Martin 2022.

Bibliografia

Livros

Jornal

Notícias e sítios