Transpressão

No campo da geologia, a transpressão é um tipo de deformação transcorrente que se desvia do cisalhamento simples devido a um componente simultâneo de encurtamento perpendicular ao plano da falha. Esse movimento resulta em cisalhamento oblíquo e é improvável que um corpo deformado sofra encurtamento “puro” ou rejeito direcional “puro”. As proporções relativas de encurtamento e rejeito direcional são expressas pelo ângulo de convergência alfa, que varia de zero (deslizamento lateral ideal) a 90 graus (convergência ideal). Durante o encurtamento, a menos que haja perda de material, a transpressão causa espessamento vertical na crosta. Em escala regional, em limites de placas, a transpressão é marcada por convergência oblíqua.[1] Em escala local, a transpressão ocorre em dobras restritivas em zonas de falhas de rejeito direcional.
Estruturas transpressionais
As zonas de cisalhamento transpressional são caracterizadas por estruturas que indicam encurtamento perpendicular à zona e cisalhamento paralelo à mesma. Foliações de transposição, lineações, estilolitos [en], dobras e falhas reversas são algumas das características comuns. A transpressão com predominância de cisalhamento puro geralmente produz lineações íngremes, já a com predominância de cisalhamento simples favorece lineações horizontais.[2] Zonas transpressionais não verticais costumam apresentar cisalhamento significativo paralelo à linha de mergulho do limite da zona. Nesses casos, as lineações variam entre horizontais e verticais. A geometria completa das estruturas na zona é usada para determinar os deslocamentos reais do limite.
Curvas de retenção

Uma dobra-falha ocorre quando segmentos individuais de uma falha se sobrepõem e se conectam.[3] As estruturas formadas ao longo da falha transcorrente dependem do sentido do deslizamento. Quando uma falha sinistral desliza para a direita ou uma falha dextral desliza para a esquerda, forma-se uma curva de retenção.[2][4]:1 Essas áreas apresentam relevo positivo (elevação topográfica), encurtamento crustal e exumação do embasamento cristalino. Em afloramentos profundamente erodidos ou em levantamentos geofísicos subsuperficiais, as curvas de retenção costumam definir estruturas em flor positivas.[4]:13 Em vista planar, elas formam duplexes contracionais de rejeito direcional, com falhas contracionais subparalelas reversas ou de rejeito oblíquo, limitadas por dois segmentos de rejeito direcional. As curvas de retenção são comuns na superfície terrestre, desde exemplos em escala de subafloramento até cadeias montanhosas de grande escala. Há hipóteses de que estas ocorram em corpos extraterrestres, como a lua gelada de Júpiter, Europa, e em Vênus.[5]
Regiões transpressionais

- Montanhas Altai (oeste da Mongólia e sul da Sibéria, Rússia);[6]
- Gobi Altai (Mongólia);[8]
- "Big Bend" da Falha de Santo André, (Califórnia, EUA);[9]
- Falha Alpina na Nova Zelândia;[10]
- Plutão Galé–Doz (Zona Sanandaje–Sirjã, Irã).[11]
Ver também
Referências
- ↑ Dewey, J. F.; Holdsworth, R. E.; Strachan, R. A. (1 de janeiro de 1998). «Transpression and transtension zones». Geological Society, London, Special Publications (em inglês). 135 (1): 1–14. Bibcode:1998GSLSP.135....1D. CiteSeerX 10.1.1.519.2389
. ISSN 0305-8719. doi:10.1144/GSL.SP.1998.135.01.01
- ↑ a b Fossen, Haakon (2010). Structural Geology – Cambridge Books Online – Cambridge University Press (em inglês). [S.l.: s.n.] ISBN 9780511777806. doi:10.1017/cbo9780511777806
- ↑ Zanon, Marcela Lopes (2020). A análise do mecanismo de formação de Fault-Bend Folds e Fault-Propagation folds por meio da modelagem física analógica (Tese de Doutorado). Universidade Federal de Ouro Preto. p. xvii
- ↑ a b De Toni, Giuseppe Betino (21 de fevereiro de 2024). «Transpressão: uma revisão». Universidade Estadual de Campinas. Terrae Didatica. e024007 (20). ISSN 1980-4407. doi:10.20396/td.v20i00.8674325. Consultado em 13 de julho de 2025
- ↑ Cunningham, W. D.; Mann, P. (2007). «Tectonics of strike-slip restraining and releasing bends». Geological Society, London, Special Publications (em inglês). 290 (1): 1–12. Bibcode:2007GSLSP.290....1C. CiteSeerX 10.1.1.560.8865
. doi:10.1144/SP290.1
- ↑ Cunningham, W. Dickson; Windley, Brian F.; Dorjnamjaa, D.; Badamgarov, G.; Saandar, M. (1 de fevereiro de 1996). «A structural transect across the Mongolian Western Altai: Active transpressional mountain building in central Asia». Tectonics (em inglês). 15 (1): 142–156. Bibcode:1996Tecto..15..142D. ISSN 1944-9194. doi:10.1029/95TC02354
- ↑ Ryan, Holly F.; Scholl, David W. (1 de junho de 1989). «The evolution of forearc structures along an oblique convergent margin, central Aleutian Arc». Tectonics (em inglês). 8 (3): 497–516. Bibcode:1989Tecto...8..497R. ISSN 1944-9194. doi:10.1029/TC008i003p00497
- ↑ Cunningham, W. Dickson; Windley, Brian F.; Dorjnamjaa, D.; Badamgarov, J.; Saandar, M. (1 de maio de 1996). «Late Cenozoic transpression in southwestern Mongolia and the Gobi Altai-Tien Shan connection». Earth and Planetary Science Letters (em inglês). 140 (1–4): 67–81. Bibcode:1996E&PSL.140...67C. doi:10.1016/0012-821X(96)00048-9
- ↑ Mount, Van S.; Suppe, John (1987). «State of stress near the San Andreas fault: Implications for wrench tectonics». Geology (em inglês). 15 (12). 1143 páginas. Bibcode:1987Geo....15.1143M. doi:10.1130/0091-7613(1987)15<1143:sosnts>2.0.co;2
- ↑ Norris, Richard J.; Cooper, Alan F. (1 de outubro de 1997). «Erosional control on the structural evolution of a transpressional thrust complex on the Alpine fault, New Zealand». Journal of Structural Geology (em inglês). 19 (10): 1323–1342. Bibcode:1997JSG....19.1323N. doi:10.1016/S0191-8141(97)00036-9
- ↑ Mohajjel, Mohammad; Fergusson, Christopher L (1 de agosto de 2000). «Dextral transpression in Late Cretaceous continental collision, Sanandaj–Sirjan Zone, western Iran». Journal of Structural Geology (em inglês). 22 (8): 1125–1139. Bibcode:2000JSG....22.1125M. doi:10.1016/S0191-8141(00)00023-7