Transição Epitélio-Mesênquima
A Transição Epitélio-Mesênquima (EMT) é um processo pelo qual as células epiteliais perdem sua polaridade celular e adesão célula-célula e ganham propriedades migratórias e invasivas para se tornarem células mesenquimais. A EMT é essencial para vários processos da embriogênese, incluindo a formação do mesoderma e do tubo neural. Também foi demonstrado que a EMT ocorre na cicatrização de feridas, na fibrose e na metástase. A EMT é um processo que envolve mudanças em várias organelas e estruturas celulares, tais como membrana plasmática, citoesqueleto, Golgi, retículo endoplasmático, lisossomas, mitocôndrias, e matriz extracelular; assim como de processos celulares, como ciclo celular, apoptose, controle da expressão gênica e diferenciação celular.[1]
História
A Transição Epitélio-Mesênquima (EMT) foi reconhecida pela primeira vez como uma característica da embriogênese por Betty Hay na década de 1980.[2][3] A EMT e seu processo reverso, MET (transição mesenquimal-epitelial) são essenciais para o desenvolvimento embrionário, como na gastrulação, formação da crista neural, formação da válvula cardíaca, desenvolvimento do palato secundário e miogênese.[4]
As células epiteliais e mesenquimais diferem em fenótipo e função.[5] As células epiteliais estão conectadas umas às outras por junções selantes, junções comunicantes e junções aderentes. As células mesenquimais, por outro lado, apresentam morfologia fusiforme e interagem entre si por adesões celulares diferentes das junções celulares.[6] As células epiteliais expressam altos níveis de E-caderina, enquanto as células mesenquimais expressam níveis de N-caderina, fibronectina e vimentina.As células epiteliais expressam altos níveis de E-caderina, enquanto as células mesenquimais expressam níveis de N-caderina, fibronectina e vimentina.[7]
Referências
- ↑ Carvalho Leão, Marnie Hillary; Costa, Manoel Luis; Mermelstein, Claudia (fevereiro de 2023). «Epithelial‐to‐mesenchymal transition as a learning paradigm of cell biology». Cell Biology International (em inglês) (2): 352–366. ISSN 1065-6995. doi:10.1002/cbin.11967. Consultado em 9 de maio de 2025
- ↑ Kong D, Li Y, Wang Z, Sarkar FH (Fevereiro de 2011). «Cancer Stem Cells and Epithelial-to-Mesenchymal Transition (EMT)-Phenotypic Cells: Are They Cousins or Twins?». Cancers. 3 (1): 716–29. PMC 3106306
. PMID 21643534. doi:10.3390/cancers30100716
- ↑ Lamouille S, Xu J, Derynck R (Março de 2014). «Molecular mechanisms of epithelial-mesenchymal transition». Nature Reviews. Molecular Cell Biology. 15 (3): 178–96. PMC 4240281
. PMID 24556840. doi:10.1038/nrm3758
- ↑ Thiery JP, Acloque H, Huang RY, Nieto MA (Novembro de 2009). «Epithelial-mesenchymal transitions in development and disease». Cell. 139 (5): 871–90. PMID 19945376. doi:10.1016/j.cell.2009.11.007
- ↑ Lamouille S, Xu J, Derynck R (Março de 2014). «Molecular mechanisms of epithelial-mesenchymal transition». Nature Reviews. Molecular Cell Biology. 15 (3): 178–96. PMC 4240281
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- ↑ Thiery JP, Sleeman JP (Fevereiro de 2006). «Complex networks orchestrate epithelial-mesenchymal transitions». Nature Reviews. Molecular Cell Biology. 7 (2): 131–42. PMID 16493418. doi:10.1038/nrm1835
- ↑ Francou A, Anderson KV (2020). «The Epithelial-to-Mesenchymal Transition in Development and Cancer». Annual Review of Cancer Biology. 4: 197–220. PMC 8189433
. PMID 34113749. doi:10.1146/annurev-cancerbio-030518-055425