Torre de Alloa
| Torre de Alloa | |
|---|---|
![]() A torre em 2020 | |
| Informações gerais | |
| Website | https://www.nts.org.uk/visit/places/alloa-tower |
| Geografia | |
| País | |
| Localização | Alloa |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
A Torre de Alloa (em inglês: Alloa Tower), situada em Alloa, Clackmannanshire, no centro da Escócia, é uma casa-torre do início do século XIV que serviu como residência medieval da família Erskine, mais tarde Condes de Mar.[1] Mantendo a sua cobertura de madeira e ameias originais, a torre é uma das mais antigas e maiores casas-torre escocesas. Foi classificada como monumento marcado em 1960[2] e é atualmente propriedade do National Trust for Scotland.[3]
História
A torre de quatro pisos tem 21 metros de altura, excluindo o sótão. A estrutura é construída em alvenaria de pedra irregular e mede 19,1 por 12,0 metros.[2] O edifício foi alvo de alterações nas suas janelas ao longo da história, mas retém várias características medievais no seu interior.[4]
Originalmente, foi edificada como parte de uma linha de fortificações para defesa da margem norte do Estuário do Forth.[5] Diversas obras do século XIX, incluindo o Gazetteer de Groome,[6] datam a torre do ano de 1223.[7] Contudo, investigações arqueológicas realizadas no início da década de 1990 datam a casa fortificada original do início do século XIV, altura em que possuía uma cave que servia, por vezes, como masmorra. Em meados do século XIV, foi ampliada com um salão nobre e passou a ter três pisos, com a entrada situada no primeiro andar. No século XV, foi expandida para quatro ou cinco níveis, mantendo o acesso pelo primeiro andar.[5]
No final do século XVI, terá sido acrescentado o acesso pelo rés-do-chão. John Erskine, 6.º Conde de Mar, construiu em 1710 uma mansão de grandes dimensões que incorporava a torre como anexo. Mar escreveu:
"Existe algo na Velha Torre, especialmente se for adaptada ao novo design, que é venerável pela sua antiguidade e que não tem má aparência, fazendo com que se lamente a obrigação de a demolir."[8]
Mar planeou remodelar o interior da torre, mas não é claro que alterações foram efetivamente realizadas. A mansão foi destruída por um incêndio em 1800[5] e reconstruída por George Angus entre 1834 e 1838 para o 9.º Conde. Acabaria por ser demolida algum tempo depois de 1868.[2] Atualmente, a torre é uma atração pública e acolhe eventos para diversas festividades, como a Páscoa e o Natal, todos os anos.
História real em Alloa
Em fevereiro de 1497, o jardineiro de Alloa levou árvores para serem plantadas no jardim do Castelo de Stirling.[9] Margarida Tudor reuniu-se com o Chanceler James Beaton em Alloa, a 11 de julho de 1524, para discutir a transferência de poder do Regente Albany para o jovem Jaime V.[10] Jaime V e Maria de Guise viajaram até Alloa por barco a 7 de abril de 1540.[11]
Maria da Escócia
Maria da Escócia visitou John, Lorde Erskine, e a sua esposa Annabell Murray em Alloa a 16 de junho de 1562, e novamente em maio de 1565. Maria regressou a Alloa a 28 de julho de 1566, pouco após o nascimento de Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra.[12] Algumas fontes indicam que o embaixador francês, Michel de Castelnau, acompanhou o Bispo de Ross a Alloa para felicitar Maria pelo sucesso do parto.[13] Mais tarde, viriam a trocar dezenas de cartas em código cifrado.[14][15]
A visita de Maria a Alloa atraiu subsequentemente a atenção dos seus inimigos, sendo os detalhes da mesma contestados.[16] Uma crónica menciona que a rainha deixou os seus servos em Newhaven e apanhou um pequeno barco para Alloa, tripulado por "homens simples do ofício do mar".[17] De acordo com George Buchanan e o "Book of Articles", a tripulação era composta por "piratas notórios", associados de Jaime Hepburn, 4.º Conde de Bothwell, incluindo William e Edmund Blackadder.[18][19][20]
A 28 de julho, em Alloa, Maria anunciou os seus planos de viajar para Jedburgh para presidir a tribunais de justiça.[21] A 31 de julho, intercedeu junto do cunhado de Annabell Murray, o Laird de Abercairney, em nome da viúva despejada de um dos seus inquilinos.[22] Claude Nau escreveu que os únicos companheiros de Maria em Alloa foram as suas damas de companhia e o Conde de Mar, e que Henrique Stuart, Lorde Darnley, fez apenas uma visita breve.[23][24] Quando Darnley chegou a Alloa por estrada, Maria ordenou-lhe que se fosse embora.[25] Maria gostava de dançar em Alloa durante esta visita; diz-se também que terá ido a Stirling disfarçada de cidadã comum e participado numa dança em redor da cruz do mercado.[26]
Jaime VI e uma máscara de casamento
Jaime VI da Escócia permaneceu em Alloa durante quatro dias em agosto de 1579.[27] Em dezembro de 1592, o viúvo John Erskine, Conde de Mar, casou-se com Marie Stewart, filha de Esmé Stewart, 1.º Duque de Lennox.[28] Jaime VI e Ana da Dinamarca ofereceram o enxoval à noiva, e as celebrações do matrimónio realizaram-se em Alloa, após o casamento em Holyroodhouse.[29][30] Uma versão das memórias de David Moysie menciona que o Rei e a Rainha estiveram "em Alloway, a casa do Conde de Mar, para o banquete de Natal e de Ano Novo (Yuill and at Nursemes)". Newersmes era um termo da língua escocesa para o dia de Ano Novo.[31][32]
As festividades, habitualmente realizadas na casa da família do noivo, foram mencionadas por um dos convidados, o cortesão John Elphinstone.[33] Foram comprados trajes para uma máscara (peça de teatro mascarada) em Alloa, na qual Ana da Dinamarca atuou, dançando com tafetá de seda e "gold tock", um tipo de tecido brilhante com fios metálicos.[34][35][36] A festa foi interrompida quando Sir John Carmichael e Sir George Home chegaram de Edimburgo com notícias da crise causada pela descoberta dos Spanish Blanks (documentos em branco assinados para uma conspiração espanhola).[37] Em Inglaterra, após a União das Coroas, Ana viria a desenvolver ainda mais a forma da "máscara" para afirmar a sua autoridade enquanto rainha.[38]
Julgamentos de bruxaria
John Erskine, o segundo Conde de Mar, é conhecido pelo seu envolvimento em dois julgamentos. O primeiro, em 1596, dizia respeito a Margaret Crawford. Esta fora acusada de celebrar missa segundo o rito católico, tendo sido solicitado a John Erskine que estabelecesse uma comissão para o seu julgamento. O segundo processo, decorrido entre 1613 e 1614, envolveu os irmãos Erskine de Dun: Robert, Anna, Helen e Isobel. Foram considerados culpados de conspirar com uma bruxa, Janet Irvine, com o intuito de envenenar os seus sobrinhos para poderem reclamar a respetiva herança.[39]
Entre maio e agosto de 1658, muitos residentes de Alloa viram-se também envolvidos numa caça às bruxas. Margaret Duchell foi detida concelho paroquial de Alloa e, após interrogatório, confessou ter feito um pacto com o diabo, causado danos a terceiros e participado em sabás com outras seis bruxas. Quatro dessas seis, Margaret Taylor, Bessie Paton, Janet Black e Katherine Rainie, foram detidas entre junho e agosto. Duchell acabaria por morrer na prisão em maio daquele ano.[39]
Ver também
- Monumento marcado
- Lista de castelos da Escócia
- Lista de castelos na Inglaterra
- Lista de castelos da Irlanda do Norte
- Lista de castelos do País de Gales
Referências
- ↑ «Alloa Tower from The Gazetteer for Scotland» (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «Alloa Tower | Designation | trove.scot» (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ «Alloa Tower» (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ MacGibbon, David; Ross, Thomas (1887). The castellated and domestic architecture of Scotland from the twelfth to the eighteenth century (em inglês). Robarts - University of Toronto. Edimburgo: D. Douglas. Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «Alloa Tower | Place | trove.scot» (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ «Alloa from The Gazetteer for Scotland» (em inglês). Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ Ballingall, William (1872). The shores of Fife. (em inglês). Edimburgo: Edmonston & Douglas. Consultado em 24 de janeiro de 2026
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