Tony Garcia (político)
Tony Garcia | |
|---|---|
![]() Tony Garcia em entrevista | |
| Deputado Estadual do Paraná | |
| Período | 1 de fevereiro de 1999 a 1 de fevereiro de 2003 |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Antônio Celso Garcia |
| Nascimento | 23 de abril de 1953 (72 anos) São Paulo, SP |
| Cônjuge | Priscila Sigel Garcia |
| Filhos(as) | 5 |
| Partido | PRN (1990–1998) PPB (1998–2003) |
| Profissão | Empresário |
Antônio Celso Garcia (São Paulo, 23 de abril de 1953), mais conhecido como Tony Garcia[1], é um empresário e político brasileiro. Ex-deputado estadual do Paraná entre 1999 e 2002, ganhou notoriedade nacional posteriormente ao ser pivô de diversas denúncias contra o ex-governador do Paraná Beto Richa e o ex-juiz Sergio Moro.[2]
Vida pessoal
Natural de São Paulo, Garcia levou uma chamada vida de playboy[3], principalmente a partir dos anos 80. Nesta década, passou uma temporada na Califórnia, Estados Unidos junto de seu irmão Marco Antônio, onde se apresentavam como da família italiana "Garibaldi", como forma de ocultar o sobrenome Garcia e fugir da discriminação contra mexicanos no país. Priscilla Presley, viúva de Elvis, com quem Marco se relacionou nos EUA, ajudou financeiramente uma empresa de Tony, Consórcio Nacional Garibaldi.[4]
No Brasil, realizou sua carreira no Paraná, onde investiu em empresas de publicidade (conseguindo emprego na Múltipla, agência de publicidade que servia o governo Ney Braga), em sucatas da construção da usina de Itaipu, além de ingressar na Valtec – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Também é dono de postos de gasolina.[5][6]
No início dos anos 90, foi amigo de celebridades como Ayrton Senna e Xuxa, além de Beto Richa, filho do ex-governador do Paraná José Richa.[7]
É pai de cinco filhos. De um casamento com Nice Maria, filha do governador Ney Braga, teve um filho. De seu casamento com Priscila Sigel Garcia, quatro.[5][8]
Carreira política
Disputou sua primeira eleição em 1990 nas eleições estaduais do Paraná, se candidatando a senador pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), do então presidente Fernando Collor, de quem se dizia amigo. Em sua campanha, comandada por Jamil Snege, aparecia nas propagandas enfrentando "marajás" utilizando luvas de boxe e marretas. Com 25,81% dos votos, não se elegeu, porém ficou a frente de políticos importantes do estado, como Maurício Fruet e Paulo Pimentel.[9]
Em 1992 concorreu a prefeito na eleição municipal em Curitiba. Tentou usar a imagem de Jaime Lerner em sua campanha, mesmo sem apoio formal do mesmo, terminando com apenas 3,76% dos votos.
Nas eleições estaduais do Paraná de 1994, concorreu novamente à senador, porém terminou em terceiro lugar, com 13,88% dos votos.
Conseguiu seu primeiro cargo público nas eleições de 1998, quando foi eleito deputado estadual pelo Partido Progressista Brasileiro (PPB). Ganhou destaque ao presidir a CPI da Telefonia da Assembleia do Paraná em 2001, que foi suspensa após começar a investigar denúncias de escutas ilegais no governo do estado.
Impulsionado pela sua atuação na CPI, concorreu novamente a senador nas eleições de 2002. Por conta de investigações de fraude financeira contra Garcia, seu advogado, Roberto Bertholdo (que se tornou seu candidato à suplente), requereu um habeas corpus para Tony concorrer as eleições, e teria pago membros do MP para concedê-lo.[10] Desgastado pelas investigações e embates com o candidato Paulo Pimentel, terminou em sexto lugar com 7,21%.
Após a derrota eleitoral se afastou da política, porém permanecendo próximo de Beto Richa, eleito prefeito de Curitiba em 2004, até seu rompimento em 2015.[11][12]
Denúncias
Denúncias contra Sergio Moro
Prisão
Em 2004, dois anos após ter seu habeas corpus afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tony foi preso por ordem do então juiz Sergio Moro. Tony era acusado de fraudes e desvios na gestão do Consórcio Nacional Garibaldi, liquidado pelo Banco Central (BC) em outubro de 1994, que deixou lesados pelo Brasil, com mais de 40 milhões de reais de prejuízo. O Consórcio foi criado meses antes da intervenção do BC na falida Valtec, em 1984. Impedido de exercer cargos administração ou gerência de instituições na área de fiscalização do BC após a intervenção, Tony nunca figurou formalmente como sócio da Garibaldi, mas foi acusado de exercer seu comando efetivo.[13][14][15]
Por ter colaborado com a Justiça e por ter se comprometido a indenizar parcialmente os lesados pelo consórcio, a pena de Tony foi reduzida para seis anos de prestação de serviços comunitários em 2008.[16]
Garcia se declara inocente, alegando que Moro teria "criado" uma situação para o envolver no processo, cujo verdadeiro alvo era o advogado de Tony, Roberto Bertholdo.[17]
Denúncias
Em 2023, Tony Garcia repercutiu na imprensa, pelas denúncias contra Sergio Moro.[18]
Enquanto estava preso, teria sido usado como "agente infiltrado" de Moro ao colaborar com o juiz. Suas "missões" envolviam o grampeamento, por meio de escutas ambientais e fornecimento de números de telefones para interceptação telefônica, de autoridades fora da competência da 1ª instância, com prerrogativa de foro, sem autorização de tribunais superiores. Os alvos não teriam relação com o caso pelo qual ele estaria sendo acusado. A prática foi chamada de "laboratório" de táticas utilizadas posteriormente por Moro na operação Lava Jato.[17]
Em 2023, Tony pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação dos atos de Moro contra ele.[19]
Em 2024, foi autorizada a investigação de Moro, pelo ministro Dias Toffoli.[20]
Em 2025, o ministro do STF Dias Toffoli autorizou busca e apreensão na 13ª vara Federal de Curitiba, onde foram apreendidos relatórios de inteligência, mídias e gravações que reforçaram denúncias de Tony Garcia, como um despacho em que Moro pedia para que Garcia tentasse gravar "novamente" uma autoridade com foro, pois as gravações anteriores teriam sido "insatisfatórias para os fins pretendidos".[21][22]
Denúncias contra Beto Richa
Em 2015, rompeu com com o então governador Beto Richa, desde então o acusando de corrupção por meio de cartas abertas.[6][23]
Em 2018, após ser apontado como beneficiário de desvios no governo do Paraná, Tony Garcia realizou uma delação premiada contra o ex-governador Beto Richa, então candidato ao senado. Conversas do grupo de Richa, gravadas por Garcia entre 2010 e 2015, época em que Garcia era próximo do então governador, embasaram a denúncia de fraude na licitação da "Patrulha do Campo", programa de manutenção das estradas rurais, com vistas a divisão de propina. Os áudios envolviam nomes como Pedro Rache, executivo da construtora Contern, e o então chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo.[24][25]
Em 2023, revelou que teria gravado Beto de maneira irregular, à mando da Lava Jato.[7]
Referências
- ↑ «Candidatos - 2002». Portal de Dados Abertos do TSE. 23 de agosto de 2021. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Catarina Scortecci (5 de junho de 2023). «Delator diz ter sido agente infiltrado de Moro e procuradores do Paraná». Folha de São Paulo. Consultado em 11 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 6 de junho de 2023
- ↑ «Empresário afirma que foi coagido por Moro a atuar como infiltrado». Consultor Jurídico. 3 de junho de 2023. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Redação O Estado Do Paraná (1º de outubro de 2002). «Tony Garcia mudou nome nos EUA para Anthony Garibaldi». Tribuna do Paraná. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b «TONY GARCIA SEM MORDAÇA». Mural do Paraná. 8 de junho de 2020. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b Ruth Bolognese (12 de novembro de 2017). «O governo paralelo de… Tony Garcia». Contraponto. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b Gabriel Carriconde (15 de junho de 2023). «De caçador de marajá a delator de Moro: quem é Tony Garcia?». Brasil de Fato. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Informe Folha». Folha de Londrina. 14 de dezembro de 1999. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ José Wille (23 de maio de 2022). «O ex-deputado Tony Garcia prometia combater a corrupção no passado». Memória Paranaense. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «MP diz que filhos de ministros do Judiciário 'vendiam' sentenças». Só Notícias. 15 de julho de 2006. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Maria Duarte (10 de novembro de 2004). «Carreira política começou com o partido de Collor». Folha de Londrina. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Célio Martins (7 de novembro de 2015). «Tony Garcia desabafa em carta ao amigo Beto Richa». Gazeta do Povo. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Redação O Estado Do Paraná (10 de julho de 2004). «Tony no banco dos réus por crime do colarinho branco». Tribuna do Paraná. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Tony Garcia é preso preventivamente a pedido do MPF-PR». Consultor Jurídico. 9 de novembro de 2004. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ «Resgate de dinheiro do Consórcio Garibaldi não tem burocracia». TRF-4. 4 de outubro de 2011. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Fabio Campana (30 de julho de 2008). «Tony Garcia condenado a seis anos de serviços comunitários». Cacarecos da Marta. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Tony Garcia: O "agente infiltrado" a serviço da República de Curitiba». Portal Migalhas. 18 de julho de 2023. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Catarina Scortecci (5 de junho de 2023). «Delator diz ter sido agente infiltrado de Moro e procuradores do Paraná». Folha de São Paulo. Consultado em 11 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 6 de junho de 2023
- ↑ «Delator pede ao STF para anular atos de Moro em suposta ação como infiltrado». Folha de São Paulo. 28 de setembro de 2023. Consultado em 11 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2023
- ↑ «STF autoriza investigação de Moro sobre suposta fraude em delação». G1. 16 de janeiro de 2024. Consultado em 23 de janeiro de 2024
- ↑ «PF encontra provas que reforçam denúncia de Tony Garcia contra Moro». Portal Migalhas. 17 de dezembro de 2025. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Elijonas Maia (17 de dezembro de 2025). «PF localiza ofício em que Moro dá ordem para grampo em autoridades». CNN Brasil. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Esmael Morais (26 de março de 2017). «'Corrupção continua mesmo com Beto Richa citado na Lava Jato', diz amigo de infância de governador tucano». Blog do Esmael. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Kátia Brembatti (13 de setembro de 2018). «Gravações feitas por Tony Garcia derrubaram grupo de Beto Richa do poder». Tribuna do Paraná. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Rogerio Galindo (17 de dezembro de 2018). «Tony Garcia é o Roberto Jefferson de Beto Richa: um descontente que atirou contra o próprio grupo». Gazeta do Povo. Consultado em 11 de janeiro de 2026
