Tomoko Ohta

Tomoko Ohta
Biografia
Nascimento

Miyoshi (en)
Nome nativo
太田朋子
Nome no idioma nativo
太田朋子
Cidadania
Alma mater
Atividades
Outras informações
Empregador
National Institute of Genetics (en)
Áreas de trabalho
Membro de
Distinções

Tomoko Ohta (太田 朋子; Ōta Tomoko; nascida Tomoko Harada 原田 朋子, 7 de setembro de 1933, Miyoshi, Aichi) é uma cientista japonesa conhecida principalmente por estudos em genética de populações e evolução molecular e por ter desenvolvido a teoria quase neutra da evolução.

Educação

Tomoko Ohta nasceu e cresceu em Miyoshi, um subúrbio de Nagoia, no Japão. Era criança durante a Segunda Guerra Mundial e estava na 6ª série do ensino fundamental quando a guerra terminou. Nos anos seguintes, como estudante em Toyota, seus principais interesses foram matemática e física. Da Biologia, se interessou pelas leis de Mendel. Nesta época, a biografia da cientista Marie Curie também despertou seu interesse. Ingressou na Universidade de Nagoya e, posteriormente, transferiu-se para o departamento de agricultura da Universidade de Tóquio e se formou em Horticultura. Após se formar, sem conseguir emprego na sua área, trabalhou por dois anos em uma editora. Depois, conseguiu uma posição no Instituto Kihara de Pesquisa Biológica, em Yokohama, onde trabalhou com Hitoshi Kihara, o mais famoso geneticista japonês da época, realizando estudos de citogenética do trigo e da beterraba sacarina.[1]

Em 1962, foi para Raleigh, Estados Unidos, com uma bolsa de doutorado sob a orientação de Ken-Ichi Kojima na Universidade Estadual da Carolina do Norte, onde estudou genética de populações. Após obter um doutorado em Genética e Estatística, retornou ao Japão.[2][3]

Carreira

Após retornar ao Japão em 1967, Ohta esteve ligada ao Instituto Nacional de Genética, em Mishima, por toda sua carreira profissional. Inicialmente, obteve uma posição de pós-doutorado na instituição, sob a orientação de Motoo Kimura, que na época, assim como ela, estava muito interessado em genética de populações teórica do ponto de vista da evolução molecular.[1] Ainda nesta instituição, foi promovida a um cargo de pesquisadora, onde permaneceu de 1969 a 1996. Em abril de 1984, tornou-se professora titular do Departamento de Genética de Populações, tornando-se chefe deste departamento em 1988. Entre 1989 e 1991 atuou como vice-diretora da instituição. Ohta também atuou como vice-presidente da Sociedade para o Estudo da Evolução em 1993.[3]

Pesquisa

As principais contribuições de Tomoko Ohta se relacionam à genética de populações e à evolução molecular, notavelmente, sua teoria quase neutra da evolução molecular, que expandiu a teoria neutra de seu mentor no Instituto Nacional de Genética do Japão, Motoo Kimura. Desta forma, os estudos de Ohta e Kimura moldaram os fundamentos da teoria da evolução molecular e contribuíram para uma mudança considerável nas teorias genéticas da época. Até o início da década de 1960, a teoria evolutiva com ênfase na seleção natural assumia que novas mutações herdáveis seriam prejudiciais, sendo removidas das populações, ou benéficas, sendo transmitidas e disseminadas à maior parte dos indivíduos das futuras gerações. Sendo assim, não era esperado que as populações naturais abrigassem grande variabilidade genética. Entretanto, em 1966, analisando variação genética em populações naturais de Drosophila pseudoobscura por meio de eletroforese de proteínas, Richard Lewontin e John Lee Hubby descobriram uma quantidade de variação genética muito maior do que a esperada, padrão que logo se veria repetido em vários animais e plantas. Para tratar desta inesperada grande quantidade de variação genética, Motoo Kimura desenvolveu a teoria neutra da evolução, demonstrando que grande parte desta variação, assim como os padrões de evolução molecular, poderiam ser explicados assumindo-se que muitas das mutações fossem neutras, ou seja, nem prejudiciais, nem benéficas e, portanto, não afetadas pela seleção natural, mas por processos aleatórios conhecidos como deriva genética.[4]

Tendo trabalhado e contribuído com Motoo Kimura enquanto ele desenvolvia a teoria neutra da evolução, Ohta estava familiarizada com a questão e desenvolveu suas próprias ideias, buscando aperfeiçoar a teoria, convencida de uma realidade mais complexa que a divisão em mutações boas, neutras e prejudiciais, que formava um modelo muito simplista para explicar os dados observados.[4] Ohta introduziu então a ideia de que algumas mutações que eram consideradas neutras na teoria de Kimura fossem na verdade levemente deletérias, chegando por fim a sua teoria quase neutra da evolução (ou aproximadamente neutra).[5][6][7][8][9]

A teoria de Ohta levou ao desenvolvimento de uma nova classe de modelos de origem e fixação de alelos, com o objetivo de melhor explicar os dados observados.[7] Nesta perspectiva, Ohta reavaliou o papel do acaso e do tamanho da população. O tamanho da população é importante na probabilidade de uma variante levemente deletéria (quase neutra) se disseminar em uma população: em populações pequenas, o efeito do acaso é maior, enquanto a seleção natural é menos eficaz. Como resultado, tais mutações quase neutras podem ser fixadas por deriva genética mais facilmente em populações pequenas do que em populações grandes.[4][10]

Apesar de sua teoria ter desafiado parcialmente a posição de seu mentor Kimura, ambos mantiveram relações de amizade e de colaboração profissional.[11] Em 1974, Kimura e Ohta propuseram um conjunto de cinco princípios gerais que poderiam influenciar a evolução molecular, incluindo ideias que décadas mais tarde seriam fortemente corroboradas, relacionadas às taxas de evolução molecular e quais partes dos genes teriam taxas mais altas ou mais baixas de evolução.[4]

Embora tenha tido uma recepção mista da comunidade científica de sua época,[1] a teoria quase neutra de Ohta encontrou bastante suporte a partir da década de 1990, por meio de dados de evolução de proteínas e uma quantidade crescente de evidências se tornou disponível no século XXI, especialmente por estudos em genômica. Desta forma, dado seu apoio, a teoria quase neutra da evolução de Ohta ainda representa um ponto de partida fundamental para novos desenvolvimentos teóricos em seu campo.[4][2] Além do campo da evolução molecular em si, as contribuições de Ohta para uma melhor compreensão da variação genética possuem grande significância para vários outros campos da Biologia, como a Ecologia, a conservação biológica, a Sistemática e a história evolutiva dos seres vivos, e para a Medicina.[4]

Reconhecimento

Ohta é amplamente reconhecida pela importância de suas contribuições no campo da evolução molecular e é recipiente de muitos prêmios, no Japão e internacionalmente.

Publicações destacadas

Livros

  • Kimura, Motoo; Ohta, Tomoko (1971). Theoretical aspects of population genetics. Princeton, NJ: Princeton Univ. Press. ISBN 9780691080987 
  • Ōta, Tomoko (1980). Evolution and variation of multigene families. Berlin: Springer-Verlag. ISBN 978-3-540-09998-7 
  • Ohta, Tomoko; Aoki, Kenichi, eds. (1985). Population genetics and molecular evolution: papers marking the sixtieth birthday of Motoo Kimura. Tokyo: Japan Scientific Societies Press. ISBN 978-0387155845 

Artigos

Referências

  1. a b c Sridhar, Hari; Ohta, Tomoko (2020). «Revisiting Ohta 1973». Reflections on Papers Past (em inglês) 
  2. a b Ohta, Tomoko (2012), «Tomoko Ohta» (PDF), Current Biology, 22 (16), pp. R618–R619, Bibcode:2012CBio...22.R618O, PMID 23082325, doi:10.1016/j.cub.2012.06.031 
  3. a b c «Profile of Tomoko Ohta». Perspectives on Molecular Evolution 
  4. a b c d e f «The Crafoord Prize in Biosciences 2015» (PDF). The Royal Swedish Academy of Sciences. Consultado em 28 de fevereiro de 2023 
  5. Ruse, Michael; Travis, Joseph (2009). Evolution: The First Four Billion Years (em inglês). [S.l.]: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-06221-4 
  6. Sato, Narumi. «National Institute of Genetics: OHTA, Tomoko - Professor Emeritus». National Institute of Genetics 
  7. a b McCandlish, David M.; Stoltzfus, Arlin; Dykhuizen, Daniel E. (2014). «Modeling Evolution Using the Probability of Fixation: History and Implications»Subscrição paga é requerida. The Quarterly Review of Biology. 89 (3): 225–252. ISSN 0033-5770. JSTOR 10.1086/677571. PMID 25195318. doi:10.1086/677571. Consultado em 28 de fevereiro de 2023 
  8. Razeto-Barry, Pablo; Díaz, Javier; Vásquez, Rodrigo A. (2012). «The Nearly Neutral and Selection Theories of Molecular Evolution Under the Fisher Geometrical Framework: Substitution Rate, Population Size, and Complexity». Genetics. 191 (2): 523–534. ISSN 0016-6731. PMC 3374315Acessível livremente. PMID 22426879. doi:10.1534/genetics.112.138628 
  9. Steen, TY (2008). «The Case of Ohta Tomoko: A Woman Geneticist in the Neutralist-Selectionist Evolution Controversy». Historia Scientiarum. Second Series (em inglês). 18 (2): 172–184 
  10. Nei, Masatoshi; Suzuki, Yoshiyuki; Nozawa, Masafumi (2010). «The Neutral Theory of Molecular Evolution in the Genomic Era». Annual Review of Genomics and Human Genetics. 11: 265–289. PMID 20565254. doi:10.1146/annurev-genom-082908-150129 
  11. Steen, TY. (1996). «Always an excentric?: A Brief Biography of Motoo Kimura»Subscrição paga é requerida. Journal of Genetics. 75 (1): 19–25. doi:10.1007/BF02931748 
  12. «Tomoko Ohta | American Academy of Arts and Sciences». www.amacad.org (em inglês). 14 de setembro de 2025. Consultado em 17 de novembro de 2025 
  13. «The Imperial Prize, Japan Academy Prize, Duke of Edinburgh Prize Recipients 71st - 80th | The Japan Academy». www.japan-acad.go.jp 
  14. a b Yount, Lisa (2007). A to Z of Women in Science and Math (em inglês). [S.l.]: Infobase Publishing. pp. 232–233. ISBN 978-1-4381-0795-0 
  15. «Tomoko Ohta». National Academy of Sciences 
  16. «Emperor to present two awards to Tanaka». The Japan Times. 2002 
  17. «The Crafoord Prize in Biosciences 2015». Crafoord Prize. 2015 
  18. Jones, Colin P.A. (2016). «So-called egalitarian Japan is still honor-bound». Special To The Japan Times 
  19. «SMBE Lifetime Contribution Award». Society for Molecular Biology & Evolution 
  20. «Tomoko Ohta | American Academy of Arts and Sciences». www.amacad.org (em inglês). 14 de setembro de 2025. Consultado em 17 de novembro de 2025