Tomás Manuel de Noronha e Brito
Tomás Manuel de Noronha e Brito
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|---|---|
| Bispo da Igreja Católica | |
| Bispo emérito de Olinda | |
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| Atividade eclesiástica | |
| Ordem | Ordem dos Pregadores |
| Diocese | Diocese de Olinda |
| Eleição | 24 de novembro de 1827 |
| Nomeação | 23 de junho de 1828 |
| Predecessor | Frei Antônio de São José Bastos |
| Sucessor | Frei João da Purificação Marques Perdigão |
| Mandato | 1828-1829 |
| Ordenação e nomeação | |
| Ordenação presbiteral | 15 de março de 1794 |
| Nomeação episcopal | 17 de dezembro de 1819 |
| Ordenação episcopal | 4 de março de 1821 Sé de Santa Catarina por Manuel de São Galdino, O.F.M. Disc. |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Lisboa 2 de fevereiro de 1770 |
| Morte | Olinda 9 de julho de 1847 (77 anos) |
| Nacionalidade | português |
| Funções exercidas | Bispo de Cochim (1819-1828) |
| dados em catholic-hierarchy.org Bispos Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Tomás Manuel de Noronha e Brito, O.P. (Lisboa, 2 de fevereiro de 1770 – Olinda, 9 de julho de 1847) foi um bispo português.
Foi ordenado padre em 15 de março de 1794. Em 17 de dezembro de 1819, foi apontado Bispo de Cochim, sendo consagrado em 4 de março de 1821. Em 23 de junho de 1828, é nomeado bispo de Olinda, cargo que exerceu até 6 de março de 1829, quando renunciou. Foi bispo-emérito de Olinda até 1847, quando veio a falecer.
Foi o principal co-consagrante do bispo Dom Carlos de São José e Souza, O.C.D., bispo de São Luís do Maranhão.
Biografia
Nasceu em Lisboa em 1770 e ingressou na Ordem dos Pregadores, sendo ordenado sacerdote em 1794. Atuou em diferentes cargos dentro da ordem, tanto em Portugal como no ultramar.[1]
Carreira na Índia
Na Índia Portuguesa, Dom Thomaz exerceu funções administrativas no convento dos dominicanos de Goa, como mestre dos estudos e vigário geral. Também inquisitoriais, incluindo os cargos de deputado e de promotor do Santo Ofício em Goa. Em 1819 foi nomeado por Dom João VI bispo de Cochim, sendo confirmado e consagrado em 1821. Nesse ínterim, sucede no Estado da Índia a deposição do último vice-rei, o Conde do Rio Pardo, Dom Diogo de Sousa, e o início do governo constitucional. Dom Thomaz assumiu a posição do partido europeu nas tensões sociais e políticas que tiveram lugar. Também em decorrência disso, deixou Goa e partiu para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro pouco antes de proclamada a Independência do país.[2]
Bispo de Olinda
Após a Independência, foi indicado pelo imperador Pedro I para a Sé de Olinda, em 1823. Sua nomeação esteve ligada ao esforço imperial de reforçar a autoridade eclesiástica e a fidelidade monárquica em Pernambuco, província marcada por movimentos rebeldes como a Revolução Pernambucana (1817) e a Confederação do Equador (1824).[2]
Durante sua administração, buscou consolidar a disciplina do clero, publicou exortações pastorais e manteve diálogo com o governo imperial em momentos de crise política. Entretanto, entrou em conflito com o cabido local e com a Mesa da Consciência e Ordens, refletindo tensões entre o Padroado e as novas instituições brasileiras. Em 1829, apresentou sua renúncia ao cargo, tornando-se bispo emérito.[2]
Ideias políticas
Dom Thomaz de Noronha e Brito defendia a monarquia como princípio de ordem social e política. Alinhava-se ao modelo de monarquia constitucional moderada, atribuindo ao imperador a função de guardião da unidade do Estado e protetor da Igreja no sistema do Padroado.
Nos escritos pastorais enfatizava a obediência à autoridade legítima e a necessidade de harmonia entre poder temporal e espiritual. Rejeitava propostas republicanas ou federativas, vistas como ameaças à ordem e à religião, e apoiava as iniciativas do governo imperial de conter rebeliões provinciais. Essa postura o aproximava das estratégias centralizadoras do Império, ainda que mantendo reservas diante da ingerência estatal em assuntos eclesiásticos.[2]
Últimos anos
Após a renúncia, partiu para Portugal, onde permaneceu até o ano de 1839, quando voltou para Pernambuco. Nesta província, assumiu a direção do Curso Jurídico de Olinda, sendo o terceiro diretor da instituição, cargo que ocupou até sua morte em 9 de julho de 1847. O bispo faleceu no convento franciscano do Recife.[2][1]
Legado
Sua trajetória tem sido interpretada como reveladora das transformações políticas e religiosas que marcaram a transição do Antigo Regime português para o Estado imperial brasileiro. Representa também o trânsito de clérigos que atuaram tanto no Oriente quanto no Atlântico, articulando experiências coloniais diversas.[2]
Ver também
Referências
- ↑ a b «Dom Tomas Manoel de Noronha e Brito, O.P.». Catholic-Hierarchy. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e f DUDA, Celson Francisco (2025). De Goa a Pernambuco: a trajetória do bispo Dom Thomaz de Noronha e Brito (1821–1829) (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de Pernambuco
Fontes
- Cheney, David M. «Tomas Manoel de Noronha e Brito, O.P.» (em inglês). Catholic-Hierarchy.org
- «Tomás Manuel de Noronha e Brito» (em inglês). GCatholic.org
- Duda2025
| Precedido por Frei José da Soledade, O.C.D. |
![]() Bispo de Cochim 1819 — 1828 |
Sucedido por Frei Joaquim de Santa Rita Botelho, O.F.M. |
| Precedido por Frei Antônio de São José, O.S.B. |
![]() Bispo de Olinda 1828 — 1829 |
Sucedido por Frei João da Purificação, O..S.A. |

