Tomé Portes del-Rei

Tomé Portes del-Rei
Conhecido(a) porAtuação na ocupação inicial da região do Rio das Mortes
Nascimento
século XVII

Mogi das Cruzes, Capitania de São Vicente
Morte
c. 1702

Região do Rio das Mortes, Capitania de Minas Gerais
Ocupaçãobandeirante

Tomé Portes del-Rei foi um bandeirante atuante no final do século XVII e início do século XVIII. Proveniente da vila de Taubaté, é tradicionalmente associado às primeiras incursões, descobertas e fixações populacionais de origem paulista na região do Rio das Mortes, no atual estado de Minas Gerais. Em parte da historiografia, é apontado como fundador ou cofundador do núcleo que daria origem a São João del-Rei, atribuição que, no entanto, é objeto de debate historiográfico.[1][2][3]

Contexto histórico

A atuação de Tomé Portes del-Rei ocorreu no contexto da expansão bandeirante em direção ao interior da América portuguesa, intensificada com a busca por metais preciosos no final do século XVII. A região da bacia do Rio das Mortes tornou-se um eixo estratégico desse movimento, articulando caminhos entre as áreas mineradoras emergentes e os centros paulistas de abastecimento e recrutamento.[4]

Incursões e fixação no Rio das Mortes

Por volta de 1700, Tomé Portes del-Rei partiu de Taubaté liderando uma expedição que se estabeleceu nas proximidades do Rio das Mortes. Essa iniciativa resultou em uma das primeiras fixações populacionais paulistas na região, contribuindo para a abertura de caminhos, a organização de pontos de passagem e o reconhecimento de áreas auríferas.[1]

A repartição das jazidas entre seus companheiros favoreceu o surgimento de acampamentos mineradores, entre eles o arraial de Santo Antônio e outros núcleos que se desenvolveriam nos anos seguintes, incluindo o arraial de Nossa Senhora do Pilar, embrião da futura São João del-Rei.[2]

Redes familiares e continuidade da ocupação

Tomé Portes del-Rei integrava uma rede familiar típica do bandeirantismo paulista. Era filho do reinol João Portes de El-Rei e aparentado a outros sertanistas, como Bartolomeu da Cunha Gago. Sua filha Maria Antunes Cardoso casou-se com Antônio Garcia da Cunha, que deu continuidade à exploração aurífera na região após a morte do sogro, permanecendo no Rio das Mortes entre 1702 e 1704 e fixando-se no Porto Real da Passagem.[5][6]

Morte

Tomé Portes del-Rei foi morto por volta de 1702, em um levante de seus próprios escravizados, episódio recorrente nos relatos sobre os primeiros tempos da mineração. Após sua morte, sua viúva, Juliana de Oliveira, retornou a Taubaté, onde faleceu em 1728.[5]

Debate historiográfico sobre a fundação

A atribuição do título de “fundador” de São João del-Rei a Tomé Portes del-Rei decorre de uma tradição historiográfica que enfatiza sua liderança nas primeiras incursões, a organização logística das expedições e a criação de estruturas iniciais de circulação e abastecimento na região do Rio das Mortes.[1]

Outros autores, contudo, atribuem maior centralidade a Antônio Garcia da Cunha, destacando sua atuação direta na descoberta de jazidas auríferas e na consolidação do arraial que deu origem ao núcleo urbano. Essa perspectiva privilegia o momento da descoberta do ouro como critério fundamental para a fundação.[6]

Pesquisas acadêmicas mais recentes tendem a relativizar ambas as posições, compreendendo a formação de São João del-Rei como um processo coletivo, marcado por diferentes fases: exploração, fixação populacional e institucionalização administrativa com a criação da vila em 1713. Nessa abordagem, Tomé Portes del-Rei é reconhecido como personagem central nos primórdios da ocupação regional, mas inserido em uma dinâmica histórica mais ampla e plural.[4][3]

Referências

Bibliografia

  • Viegas, Augusto (1969). Notícia de São João del-Rei. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais 
  • Barbosa, Waldemar de Almeida (1995). Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia 
  • Silva Leme, Pedro Taques de Almeida Paes (1904). Genealogia paulistana. VII-VIII. São Paulo: Duprat 
  • Guimarães, Fábio N. (1966). Antônio Garcia da Cunha, o fundador de São João del-Rei. Ouro Preto: Museu do Ouro 
  • Boxer, Charles R. (2000). A idade de ouro do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras