Titan Clydebank

O Titan Clydebank remodelado em Clydebank, situado ao lado da bacia de equipamento do antigo estaleiro da John Brown & Company.

O Titan Clydebank, mais conhecido como Titan Crane, é um guindaste com estrutura em balanço de 45,7 m de altura localizado em Clydebank [en], West Dunbartonshire, Escócia.[1] Projetado para erguer equipamentos pesados, como motores e caldeiras, durante a montagem de navios de guerra e transatlânticos no estaleiro da John Brown & Company, foi o primeiro guindaste com estrutura em balanço movido a eletricidade do mundo e o maior de seu tipo na época de sua conclusão.

Situado no extremo de uma bacia de montagem em forma de U, o guindaste foi utilizado na construção de alguns dos maiores navios do século XX, incluindo o RMS Queen Mary, RMS Queen Elizabeth e o Queen Elizabeth 2. Estrutura histórica classificada como Categoria A no patrimônio tombado, foi restaurado em 2007 como atração turística e museu de construção naval. O guindaste aparece na atual nota de £5 do Clydesdale Bank.

História

O estaleiro em Clydebank foi fundado em 1871, após a empresa James & George Thomson se mudar de Govan Graving Docks.[1][2] A John Brown & Company adquiriu o estaleiro em 1899, e em 1905, encomendou o guindaste por £24.600 à empresa de engenharia de Dalmarnock [en], Sir William Arrol & Co. [en][3] O Titan foi concluído dois anos depois, em 1907.[3] Foi projetado pelo engenheiro escocês Adam Hunter (1869–1933), que atuava como engenheiro-chefe da Arrol & Co., após ter servido como aprendiz na construção da Ponte do Forth.[4] A Stothert & Pitt [en], de Bath, Inglaterra, fabricou e instalou a maior parte da maquinaria do Titan, incluindo motores elétricos da Lancashire Dynamo and Motor Co.[4][5]

A doca foi utilizada para a montagem de navios, e o guindaste instalava motores e caldeiras nos navios.[6] A capacidade de elevação do Titan e a localização do estaleiro na confluência do rio Clyde e do rio Cart [en] contribuíram para o rio sucesso do estaleiro, que construía navios de grande porte.[5][7]

Testado em 24 de abril de 1907, o Titan era o maior guindaste com estrutura em balanço já construído, com capacidade de 160 t a um raio de 26 m.[4] Sua capacidade original foi aumentada para 203 t em 1938, quando ficou evidente que a especificação inicial não seria suficiente para instalar as novas torres de canhões de longo alcance em navios como o HMS Duke of York.[4][8][9]

Nas noites de 13 e 14 de março de 1941, o Clydebank Blitz [en] devastou a cidade, matando 528 civis, ferindo gravemente mais de 617 pessoas e deixando 48.000 desabrigados.[10] Apenas sete propriedades em Clydebank escaparam ilesas, em um dos piores bombardeios na Grã-Bretanha.[11] Os ataques, com 260 bombardeiros da Luftwaffe na primeira noite e 200 na segunda, visaram a indústria de Clydeside, mas o Titan Clydebank permaneceu intacto.[10][12]

Em 1968, o estaleiro foi incorporado à Upper Clyde Shipbuilders [en] com outros quatro, numa tentativa de aumentar a competitividade.[13] Após as eleições gerais de 1970, a mudança de governo resultou na suspensão de financiamento, levando ao fechamento do estaleiro da John Brown & Company.[3][13] O estaleiro foi comprado pela Marathon Manufacturing Company, de Houston, Texas, para a construção de plataformas de petróleo.[3] Em 1980, a Marathon vendeu o estaleiro para a empresa francesa Union Industrielle et d’Entreprise (UiE). Os proprietários da UiE, Bouygues, fecharam o estaleiro em 2001, e o local foi destinado à revitalização.[14]

Os navios construídos com o guindaste incluem HMS Hood, RMS Queen Mary, RMS Queen Elizabeth, Queen Elizabeth 2 e HMY Britannia.[15][16]

Restauração

A bilheteria (também conhecida como Pursers Office) e o centro de informações no Titan Clydebank, com a silhueta do RMS Queen Mary.

O guindaste ficou fora de uso na década de 1980, sofrendo vandalismo na casa de comando e corrosão na estrutura durante o período de abandono.[17] Em 1988, foi reconhecido como uma estrutura histórica classificada na Categoria A no patrimônio tombado.[3]

A empresa de regeneração urbana Clydebank Re-Built iniciou um projeto de restauração de £3,75 milhões em 2005, e o guindaste foi aberto ao público em agosto de 2007.[17] A estrutura foi passou por jateamento abrasivo para remover tinta velha e ferrugem, permitindo reparos antes da repintura.[17] Um elevador para visitantes acessarem o guindaste e uma escada de evacuação de emergência foram instalados, além de uma tela de malha ao redor da área de observação e holofotes para iluminar o guindaste à noite.[17]

Projeto

Uma área do Titan Clydebank foi convertida em uma plataforma de observação pública.

O Titan Clydebank utiliza um contrapeso fixo e guinchos elétricos montados em uma viga rotativa, tornando-o mais rápido e responsivo que seus predecessores a vapor.[18] Para levantar conjuntos menores que não exigiam a capacidade total de 150 t, um guincho auxiliar de 30 t era usado, já que cargas grandes eram relativamente raras.[19]

O Titan Clydebank tem 49 m de altura, pesa cerca de 800 t e está apoiado em quatro pilares de concreto afundados a 23 m de profundidade.[9][19] Os braços do guindaste têm 45,7 m e 27,4 m de comprimento.[9][19] A torre é quadrada, com 12 m de lado, e seu centro está a apenas 10,7 m da borda do cais.[9]

Após a remoção do Beardmore Crane [en] na década de 1970 e do Fairfield Titan [en] em 2007, restam quatro guindastes gigantes com estrutura em balanço no rio Clyde.[16][20] Os outros estão em Stobcross (Finnieston Crane), Scotstoun (Barclay Curle Crane [en]) e Greenock (James Watt Dock Crane [en]).[20] Menos de sessenta guindastes gigantes com estrutura em balanço foram construídos no mundo, seis deles no Clyde, e, em maio de 2011, acredita-se que apenas onze permaneciam, quatro no Clyde.[9]

Premiações

O guindaste recebeu o Prêmio de Patrimônio da Engenharia ( em inglês: Engineering Heritage Award) de 2012 da Instituição de Engenheiros Mecânicos [en], sendo descrito como "um magnífico exemplo de engenharia mecânica, que forma parte integrante da paisagem local".[12][21] Em 2013, foi designado como um Marco Histórico de Engenharia Civil e Mecânica Internacional pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis e pela Sociedade dos Engenheiros Mecânicos dos Estados Unidos, sendo o quinto reconhecimento desse tipo concedido a uma estrutura escocesa.[21]

Pela restauração da estrutura, foram concedidos o Prêmio Chicago Athenaeum de Arquitetura em 2008 e o reconhecimento do Civic Trust em 2009.[21]

Referências

  1. a b «John Brown's Shipyard». Clyde Waterfront. Consultado em 21 de março de 2014. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2014 
  2. «J. and G. Thomson». gracesguide.co.uk. Consultado em 22 de abril de 2014 
  3. a b c d e «History». Clydebank Rebuilt. Consultado em 21 de março de 2014. Cópia arquivada em 21 de março de 2014 
  4. a b c d «Titan Crane». American Society of Civil Engineers. Consultado em 29 de janeiro de 2022 
  5. a b «CLYDEBANK, FORMER JOHN BROWN SHIPBUILDING YARD, TITAN CANTILEVER CRANE, INCLUDING FORMER FITTING OUT DOCK». Historic Environment Scotland. Consultado em 29 de maio de 2025 
  6. «Titan Clydebank». clydewaterfront.com. Consultado em 22 de abril de 2014 
  7. «John Brown & Company (Clydebank) Ltd». University of Glasgow. Consultado em 22 de abril de 2014 
  8. «Scotland's Titan Crane dedicated by ASCE, ASME as a landmark». American Association of Engineering Societies. Consultado em 21 de março de 2014. Cópia arquivada em 22 de março de 2014 
  9. a b c d e «Titan Crane, Clydebank». engineering-timelines.com. Consultado em 22 de março de 2014 
  10. a b «Clydebank Blitz». Education Scotland. Consultado em 21 de março de 2014. Cópia arquivada em 6 de março de 2016 
  11. «The Clydebank Blitz». BBC. Consultado em 21 de março de 2014 
  12. a b «Top engineering award for Clydebank's Titan Crane». BBC News. 5 de julho de 2012. Consultado em 22 de março de 2014 
  13. a b «Upper Clyde Shipbuilders work-in 1971/72». University of Strathclyde. Consultado em 22 de abril de 2014 
  14. Cresswell, Jeremy (1 de agosto de 2001). «Curtain goes down on the end of an era as Clydeside yard puts up For Sale sign». The Scotsman. Consultado em 22 de março de 2014 
  15. Osborne, Hannah (20 de agosto de 2013). «Scotland's Titan Crane Recognised as Engineering Masterpiece With International Award». International Business Times. Consultado em 21 de março de 2014 
  16. a b «Titan Crane». Clyde Waterfront. Consultado em 22 de março de 2014. Cópia arquivada em 13 de março de 2014 
  17. a b c d «Titan Crane, Clydebank» (PDF). MacLean and Speirs. Consultado em 22 de março de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 22 de março de 2014 
  18. «Scotland's Titan gains Eiffel Tower status». Institution of Civil Engineers. 22 de agosto de 2013. Consultado em 21 de março de 2014 
  19. a b c «Facts». Clydebank Rebuilt. Consultado em 21 de março de 2014. Cópia arquivada em 22 de março de 2014 
  20. a b «And then there were four: Titan Cranes of the Clyde». gbarr.info. 1 de junho de 2011. Consultado em 22 de março de 2014 
  21. a b c «Scotlands Titan gains Eiffel Tower status». Clydebank Re-built. 20 de agosto de 2013. Consultado em 22 de março de 2014. Cópia arquivada em 11 de janeiro de 2014 

Ligações externas