Tiroteio no cruzamento de Ramot em 2025

Tiroteio no cruzamento de Ramot em 2025
LocalJerusalém
Coordenadas🌍
Data8 de setembro de 2025
c. 10h13 a.m (UTC+2)
Tipo de ataqueTiroteio em massa
Alvo(s)Israelenses
Mortes8 (incluindo os dois atiradores)
Feridos21
Responsável(is) Brigadas al-Qassam[1]
MotivoSob investigação

O Tiroteio no cruzamento de Ramot, ocorrido em 8 de setembro de 2025, foi um atentado em Jerusalém[2] no qual dois homens armados abriram fogo contra passageiros de um ônibus. A ação resultou na morte de seis pessoas e deixou outras 21 feridas.[3]

Os dois agressores foram mortos no local.[4] Após o ataque, o Hamas, organização militante palestina, elogiou a ação, classificando-a como uma "operação heróica" e conclamou os palestinos da Cisjordânia a intensificarem os confrontos.[5]

Antecendentes

O ataque aconteceu no contexto da Guerra de Gaza e a operação militar israelense na Cisjordânia, período marcado por intensas tensões, deslocamentos da população e elevado número de vítimas. O episódio foi comparado a ataques anteriores, como o tiroteio de Givat Shaul, em 2023, quando homens armados abriram fogo contra pessoas em um ponto de ônibus, resultando na morte de três civis.[4]

Ataque

Segundo os serviços de emergência, o tiroteio teve início por volta das 10h13, no horário local, quando o Magen David Adom (MDA) recebeu os primeiros relatos de disparos. Testemunhas relataram que os agressores atiraram contra um ônibus e contra pessoas que aguardavam nas proximidades. Um soldado presente reagiu, abrindo fogo contra os atacantes.[6]

Paramédicos do MDA relataram ter encontrado diversas vítimas inconscientes no chão, próximo ao ponto de ônibus, cercadas por estilhaços de vidro e destroços. O atendimento inicial foi prestado no local, seguido da evacuação dos feridos para hospitais em Jerusalém.[4]

As investigações apontaram que os agressores utilizaram uma submetralhadora improvisada do tipo Carlo, armamento de fabricação artesanal comum em oficinas palestinas na Cisjordânia e já empregado em outros ataques semelhantes.[7] Os dois atacantes foram mortos por um oficial da Brigada Hashmonaim das Forças de Defesa de Israel (FDI) e por um civil ultraortodoxo que possuía uma arma licenciada.

A Polícia de Israel anunciou que ambos os perpetradores haviam sido "neutralizados" e determinou o fechamento das principais vias de acesso ao cruzamento.[4] O local foi isolado, e grandes contingentes policiais e de segurança foram mobilizados sob a coordenação do comandante distrital.[4]

Vítimas

As autoridades confirmaram a morte de oito pessoas no ataque, incluindo os dois agressores e uma vítima que não resistiu após ser levada ao Centro Médico Shaare Zedek. Entre os mortos identificados estavam Levi Yitzhak Pash; Yisrael Matzner, de 28 anos; o rabino Yosef David, de 43 anos; o rabino Mordechai Steintzeg, de 79 anos; Yaakov Pinto, cidadão espanhol[8] de 25 anos; e Sarah Mendelson, de 60 anos.[9]

Além das fatalidades, pelo menos 21 pessoas ficaram feridas. Dez delas foram encaminhadas para hospitais de Jerusalém, incluindo o Shaare Zedek, o Hadassah–Ein Kerem e o Hadassah–Monte Scopus.[6] Entre os casos relatados estavam uma mulher de cerca de 30 anos, em estado moderado e consciente, tratada em Ein Kerem; um homem na faixa dos 20 anos, em condição moderada; e outro, de cerca de 40 anos, em estado crítico e instável, ambos hospitalizados em Monte Scopus. Para atender à demanda, o Serviço de Sangue do MDA forneceu aproximadamente 60 unidades e componentes de sangue aos centros médicos.[6]

Assaltantes

A organização palestina Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, ligada ao Hamas, reivindicou responsabilidade pelo ataque.[1] Os agressores foram identificados como palestinos da Cisjordânia, supostamente originários das aldeias de al-Qubeiba e Qatanna, situadas próximas a Ramallah e à região do ataque.[10]

Posteriormente, o Shin Bet anunciou a prisão de um suspeito de cumplicidade em Jerusalém Oriental.[11]

Reações

Internas

O primeiro-ministro israelense Netanyahu, enviou condolências às famílias das vítimas e dos feridos, classificando o episódio como parte da "guerra intensa que Israel enfrenta em várias frentes". Outros ministros interpretaram o ataque como evidência de que a criação de um Estado palestino pacífico não seria viável no momento, apelando à comunidade internacional para que não reconhecesse formalmente um Estado palestino.[12]

O Hamas elogiou os autores do atentado, descrevendo a ação como uma "operação heróica". Em comunicado, o grupo afirmou tratar-se de "uma resposta natural aos crimes da ocupação e à guerra de extermínio", conclamando ainda os palestinos da Cisjordânia a "intensificarem o confronto com a ocupação e seus colonos".[5] A Jihad Islâmica Palestina também elogiou o ataque.[13]

O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou indiretamente o ataque, reiterando sua posição de "rejeitar e condenar qualquer dano causado a civis palestinos e israelenses, bem como todas as formas de violência, independentemente de sua origem".[13]

Internacionais

  •  Brasil: o governo brasileiro condenou o ataque e transmitiu condolências aos familiares das vítimas e ao povo israelense. No comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores, "o Brasil manifesta seu repúdio a atos de violência de qualquer natureza, e reafirma sua convicção de que a paz na região somente será possível mediante uma solução política".[14]

Ver também

Referências

  1. a b «Hamas claims responsibility for Monday's deadly Jerusalem shooting». Reuters (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2025 
  2. «At least a dozen injured in Jerusalem shooting, emergency services say». CNN (em inglês). 8 de setembro de 2025. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  3. «Terror in Jerusalem: Six Israelis murdered, 21 wounded». The Jerusalem Post (em inglês). 8 de setembro de 2025. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  4. a b c d e תמרי, לירן (8 de setembro de 2025). «15 נפגעים בפיגוע ירי בירושלים, בהם 5 במצב אנוש. שני מחבלים נוטרלו». Ynet (em hebraico). Consultado em 8 de setembro de 2025 
  5. a b Summers, Charlie (8 de setembro de 2025). «Hamas hails Jerusalem terror attack as 'heroic operation'». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  6. a b c «Terror in Jerusalem: Five Israelis murdered, 12 wounded | The Jerusalem Post». The Jerusalem Post | JPost.com (em inglês). 8 de setembro de 2025. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  7. Fabian, Emanuel (8 de setembro de 2025). «Jerusalem shooters used makeshift 'Carlo' submachine gun, photos indicate». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  8. «Spanish national among those killed in Jerusalem, Spain's foreign ministry says». CNN. 8 de setembro de 2025. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  9. Staff, ToI (8 de setembro de 2025). «At scene of Jerusalem terror attack, Netanyahu says Israel fighting 'mighty war against terror'». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  10. «Terrorists who carried out Jerusalem shooting were West Bank Palestinians». The Times of Israel (em inglês). 8 de setembro de 2025. ISSN 0040-7909. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  11. Summers, Charlie (8 de setembro de 2025). «Shin Bet reportedly nabs suspected accomplice in Jerusalem terror attack». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  12. «Benjamin Netanyahu in Jerusalem: Israel fighting a war on terror | The Jerusalem Post». The Jerusalem Post | JPost.com (em inglês). 8 de setembro de 2025. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  13. a b Yohanan, Nurit (8 de setembro de 2025). «Palestinian Authority indirectly condemns the Jerusalem attack, slamming 'any harm' to civilians». The Times of Israel (em inglês). ISSN 0040-7909. Consultado em 8 de setembro de 2025 
  14. «Nota à imprensa nº 412:ataque a tiros em Jerusalém Oriental». Ministério das Relações Exteriores. 9 de setembro de 2025. Consultado em 9 de setembro de 2025