Tioacetona

 Nota: Não confundir com tiocetona.
Tioacetona
Nomes
Outros nomes
  • Tioacetona
  • Dimetil tiona
  • Tiopropanona
  • Sulfoacetona
  • Sulfopropanona
Identificadores
PubChem 641811
ChemSpider 557043
SMILES
 
  • CC(=S)C
InChI
 
  • InChI=1/C3H6S/c1-3(2)4/h1-2H3
    Key:JTNXQVCPQMQLHK-UHFFFAOYSA-N
Propriedades
Fórmula química C3H6S
Massa molar 74.145 g mol-1
Aparência Líquido laranja-avermelhado a castanho
Odor Extremamente desagradável; “alho-poró”
Ponto de fusão −55 °C
Ponto de ebulição 70 °C (decomp.)
Solubilidade em água Insolúvel em água; solúvel em éter, benzeno, etanol
Riscos associados
Principais riscos
associados
Odor intenso
Página de dados suplementares
Estrutura e propriedades n, εr, etc.
Dados termodinâmicos Phase behaviour
Solid, liquid, gas
Dados espectrais UV, IV, RMN, EM
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão.

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

Tioacetona é um composto organossulfurado da família das tiocetonas, de fórmula química (CH3)2C=S. Apresenta-se como um líquido laranja-avermelhado ou castanho, instável acima de −20 °C; nessa faixa, polimeriza-se rapidamente ou converte-se no seu trímero cíclico, a tritioacetona (2,2,4,4,6,6-hexametil-1,3,5-tritiano). É célebre pelo cheiro extremamente forte e repulsivo, considerado o pior já conhecido pela humanidade.[1]

Histórico

A tioacetona foi obtida pela primeira vez em 1889 por Baumann e Fromm como impureza da tritioacetona.[2]

Relatos clássicos do impacto olfativo incluem:

  • Freiburg im Breisgau, 1889 – uma tentativa de destilação causou náuseas e desmaios num raio de ≈ 200 m, levando à evacuação parcial da área.[3]
  • Esso Research (Reino Unido), 1967 – “quantidades vestigiais tornaram o laboratório e 200m ao redor inabitáveis”.[4]

Estrutura e propriedades

A estrutura é análoga à da acetona (C3H6O), substituindo-se o oxigênio por enxofre (ligação C=S).

Propriedade Valor
Massa molar 74,15 g·mol−1
Ponto de fusão −55 °C
Ponto de ebulição 70 °C (decomp.)
Densidade (−20 °C) 0,94 g·cm−3
  • Instabilidade – polimeriza-se mesmo a temperaturas sub-zero, formando politioacetona (polímero linear) e tritioacetona (trímero cíclico, p.f. ≈ 24 °C).
  • Solubilidade – insolúvel em água; solúvel em solventes orgânicos pouco polares.

Preparação

O método mais comum envolve o craqueamento da tritioacetona [(CH3)2C=S]3 a 500–600 °C:

A tritioacetona pode ser obtida por:

Polimerização

Mesmo a −78 °C, a tioacetona pode polimerizar, sobretudo na presença de luz ou radicais livres. O polímero apresenta:

  • massa molar média: 2 000–14 000 g·mol−1;
  • ponto de fusão: 70–125 °C;
  • bandas de IV em 2 950, 2 900, 1 440, 1 360–1 375, 1 085 e 643 cm−1.[6]

Odor

Baumann e Fromm descreveram o odor da tioacetona da seguinte forma:

«[…]Nossos esforços nesse sentido fracassaram devido ao fato de que esta substância tem um odor terrível, que se propaga em um tempo surpreendentemente curto e contamina áreas inteiras da cidade. […] Segundo nossas percepções, a intensidade do odor desta substância supera tudo o que se sabe sobre substâncias de cheiro forte a este respeito

— – Baumann, E. y Fromm, E., página 2593

Por não ter aplicação industrial, é manuseada apenas sob atmosfera inerte e temperaturas inferiores a −20 °C, com equipamento de proteção individual completo.

Ver também

Referências

  1. Lowe, Derek (11 de junho de 2009). «Things I Won't Work With: Thioacetone». Science (em inglês). Consultado em 20 de julho de 2024 
  2. Baumann, E.; Fromm, O. (1889). «Über Thioderivate der Ketone». Berichte der Deutschen Chemischen Gesellschaft (em alemão). 22: 1035–1045. doi:10.1002/cber.188902201224 
  3. «Everything is awesome? Unravelling the world's worst smells». Chemical Communications (em inglês). 2017. pp. 8571–8587. doi:10.1039/C6CC04803J 
  4. Edwards, D. A.; Filby, R. G. (1967). «Odoriferous organic compounds». Chemistry & Industry (em inglês): 893–894 
  5. Bailey, W. J.; Chu, H. (1965). «Synthesis of polythioacetone». ACS Polymer Preprints (em inglês). 6: 145–155 
  6. Sharkey, W. H. (1975). «Polymerization through the carbon–sulfur double bond». Advances in Polymer Science (em inglês). 17. [S.l.: s.n.] pp. 73–103. doi:10.1007/3-540-07111-3_2