Tindalização
Tindalização é um método de esterilização descontínua concebido por John Tyndall, que utiliza o vapor de água.[1] É um método usado para destruir bactérias e endoesporos na preparação de alimentos[2], como grãos (centeio, trigo, etc), leite[3] e agar, e que não necessita de aumento da pressão. Usa-se também na esterilização de meios de cultura que, por exemplo, contenham açúcares ou gelatina.[4]
Metodologia
Após o acondicionamento do produto em recipientes fechados, ele é submetido ao tratamento térmico. As temperaturas variam dependendo de cada produto e do rigor térmico desejado, de 60 a 90 ºC por alguns minutos, por repetidas vezes resfriando-se entre cada aquecimento. Geralmente, o produto é aquecido de 3 a 12 vezes.[5]
As células bacterianas que se encontram na forma vegetativa são destruídas, porém os esporos sobrevivem. Depois do resfriamento, os esporos entram em processo de germinação e depois de 24 horas a operação é repetida até a obtenção da esterilização completa. Assim,este método permite que os esporos de fungos ou bactérias germinem entre as exposições, o que garante uma esterilização completa do produto.
A vantagem desse processo é que podem ser mantidos praticamente todos os nutrientes e a qualidade sensorial do produto em proporções maiores do que quando se utilizam outros tipos de tratamentos térmicos, devido ao processo descontínuo de aquecimento do produto e seu resfriamento entre cada etapa de esterilização.[6]
O processo de tindalização resulta em maior custo e é mais demorado, devido aos intervalos de resfriamento, que variam entre 12 a 24 horas. Porém, o processo é vantajoso no que se refere à manutenção dos nutrientes e características sensoriais, pois se conservam em maiores proporções do que em outros métodos de esterilização.[7]
Referências
- ↑ Teixeira, Luciano José Quintão (9 de agosto de 2023). Fundamentos de processos térmicos, processos não térmicos e tecnologias do processamento de alimentos. Col: Coleção Pesquisa Ufes. Wallaf Costa Vimercati. Vitória, ES: Edufes
- ↑ Keratimanoch, Sumate; Takahashi, Kigen; Kuda, Takashi; Okazaki, Emiko; Geng, Jie-Ting; Osako, Kazufumi (1 de janeiro de 2022). «Effects of tyndallization temperature on the sterility and quality of kamaboko». Food Chemistry. 130692 páginas. ISSN 0308-8146. doi:10.1016/j.foodchem.2021.130692. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Brown, J. V.; Wiles, R.; Prentice, G. A. (1979). «The effect of a modified Tyndallization process upon the sporeforming bacteria of milk and cream». International Journal of Dairy Technology (em inglês) (2): 109–112. ISSN 1471-0307. doi:10.1111/j.1471-0307.1979.tb01907.x. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Piqué, Núria; Berlanga, Mercedes; Miñana-Galbis, David (23 de maio de 2019). «Health Benefits of Heat-Killed (Tyndallized) Probiotics: An Overview». International Journal of Molecular Sciences (em inglês) (10). 2534 páginas. ISSN 1422-0067. PMC 6566317
. PMID 31126033. doi:10.3390/ijms20102534. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Gould, G.W. (setembro de 2006). «History of science – spores.: Lewis B Perry Memorial Lecture 2005». Journal of Applied Microbiology (em inglês) (3): 507–513. ISSN 1364-5072. doi:10.1111/j.1365-2672.2006.02888.x. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Moreira, Catarina (2015). «Conservação dos Alimentos pelo Calor». Revista de Ciência Elementar (2). ISSN 2183-9697. doi:10.24927/rce2015.107. Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Melo Filho, Artur Bibiano de (19 de novembro de 2010). Conservação de alimentos. Margarida Angélica da Silva Vasconcelos. [S.l.]: Ufrpe