Tim Beaumont
| Tim Beaumont | |
|---|---|
| Nascimento | 22 de novembro de 1928 |
| Morte | 8 de abril de 2008 (79 anos) Londres |
| Cidadania | Reino Unido |
| Progenitores |
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| Cônjuge | Mary Wauchope |
| Filho(a)(s) | Hubert Wentworth Beaumont, Alaric Charles Blackett Beaumont, Atalanta Armstrong Beaumont, Ariadne Grace Beaumont |
| Alma mater | |
| Ocupação | político, Padre anglicano |
| Religião | anglicanismo |
Timothy Wentworth Beaumont, Barão Beaumont de Whitley (22 de novembro de 1928 – 8 de abril de 2008) foi um político britânico e padre anglicano. Par vitalício desde 1967, em 1999 tornou-se o primeiro membro de qualquer uma das Casas do Parlamento do Reino Unido a representar o Partido Verde. Também foi conhecido pelas muitas doações aos partidos que pertenceu e pela fundação e subsídio de revistas.[1][2][3]
Vida privada
Beaumont teve vários antepassados na Câmara dos Comuns. Seu pai, o Major Michael Beaumont, foi um deputado conservador por Aylesbury, e seu avô paterno, Hubert Beaumont, foi deputado liberal por Eastbourne de 1906 a 1910,[3] além de filho do 1º Barão Allendale.[4] A mãe de Beaumont, Faith Pease, morreu quando ele tinha seis anos; seu avô materno era o político liberal Jack Pease, 1º Barão Gainford.[3]
Beaumont estudou por um ano no Eton College e depois na Gordonstoun School, em Elgin, Moray. Estudou agricultura na Christ Church, Oxford, onde se juntou ao Bullingdon Club e fundou o Wagers Club. Formou-se com dificuldade.[3]
Ele se casou em 1955 com Mary Rose Wauchope, filha de um oficial condecorado, historiadora de arte,[3] com quem teve dois filhos e duas filhas: Hubert, Alaric, Atalanta e Ariadne; a morte de Alaric em um acidente de trânsito em 1980 foi um golpe que nunca se recuperou.[1][4]
O Barão Beaumont de Whitley morreu no Hospital St. Thomas, em Londres, onde estava internado há algumas semanas.[5]
Carreira na Igreja
Após se formar em Oxford, ele estudou para ordens sagradas na Westcott House, Cambridge.[2][3] Foi ordenado diácono em 1955 e padre em 1956.[6] Ele se tornou um padre anglicano em Kowloon, Hong Kong, servindo como capelão assistente na Catedral de São João em Hong Kong de 1955 a 1957 e depois foi vigário da Igreja de Cristo, Kowloon Tong, até 1959.[1][2][3]
Tendo recebido uma herança familiar substancial naquele ano, ele retornou à Inglaterra para viver em Mayfair e depois em Hampstead.[2] Enquanto isso, ele foi um cura honorário na Igreja de Santo Estêvão em Rochester Row, Westminster, de 1960 a 1963.[1] Reverendo Beaumont se envolveu na reforma da igreja, representando a Diocese de Londres na Assembleia da Igreja de 1960 a 1965, e apoiando o movimento Paróquia e Povo.[2]
Considerando suas opiniões e estilo de vida incompatíveis com sua posição como padre, ele renunciou ao ministério ativo em 1973.[2][3] Retornou ao ministério ativo apenas em 1984, especialmente diante da diminuição de suas rendas; dois anos depois, foi nomeado padre responsável por St Philip e All Saints com St Luke, Kew na Diocese de Southwark, e então se aposentou em Clapham em 1991.[1][2]
A Escola Mary Rose, em Kowloon Tong, uma escola especial para alunos com necessidades de aprendizagem severas e complexas, foi construída com suas doações e recebeu o nome de sua esposa.[7]
Carreira política
Diante de suas doações substanciais ao Partido Liberal, ele se tornou seu tesoureiro adjunto em 1962-1963 e depois honorário de 1965 a 1966.[1][3] Tornou-se presidente do departamento de publicações do partido em 1963.[2][3] Ele foi feito um dos primeiros pares vitalícios liberais, em 1967, por Jeremy Thorpe, que havia sido seu contemporâneo em Oxford, e ele se tornou porta-voz para educação e artes até 1986.[2][3] Seu título era Barão Beaumont de Whitley, de Child's Hill na Grande Londres,[8] e foi apresentado na Câmara dos Lordes em 13 de dezembro de 1967.[9]
Lord Beaumont discursava com frequência na Câmara. Tentou proibir a venda de bebidas em garrafas e latas não retornáveis; proibir castigos corporais em escolas para crianças com deficiência; e remover o status de instituição de caridade das escolas independentes. Fracassou em todas as tentativas, mas suas intenções o tornaram uma figura popular na Câmara dos Lordes.[1] Ele fazia parte da diretoria da Sociedade de Reforma da Lei Sexual; atraiu a atenção em 1976 com um ataque ao Papa por ter "enlouquecido" por castigar a masturbação como pecado, apesar da ausência, segundo ele, de qualquer justificativa bíblica.[3]
Foi chair do Partido Liberal em 1967-1968 e depois presidente entre 1969-1970. Em 1974, ano das duas eleições gerais, foi presidente do comitê eleitoral dos Liberais.[1][4] Lord Beaumont se tornou um dos principais defensores da derrubada do governo trabalhista liderado por James Callaghan em 1977, abandonando o pacto liberal-trabalhista estabelecido por David Steel. Apesar disso, apoiou a oferta trabalhista de devolução de poderes à Escócia e ao País de Gales.[3] No Conselho da Europa, foi substituto do partido de janeiro de 1975 a abril de 1977 e representante de abril de 1977 a outubro de 1978;[10] também foi vice-presidente do grupo liberal.[2]
Em 1978-80, ele abandonou a bancada liberal para se tornar coordenador da Aliança Verde, da qual foi um dos fundadores. No início da década de 1980, apresentou uma emenda à RSPCA para proibir "a inflição deliberada de dor ou sofrimento severos" em animais e apoiou Lord Houghton na pressão por controles sobre o uso de animais em procedimentos científicos.[3] Contudo, ainda em 1980, foi nomeado vice-presidente do Executivo do Partido Liberal e diretor de promoção de políticas.[2]
Na acirrada discussão sobre a ordenação de divorciados em 1989, foi um dos 11 liberais nos comitês eclesiásticos que venceram os 10 tradicionalistas. Retornou em 1992 à bancada do Partido Liberal Democrata, nascido da fusão de seu antigo partido, e envolveu-se com questões ambientais e de pobreza. No debate sobre ajuda externa, defendeu que a ajuda fosse dada diretamente aos pobres do mundo em desenvolvimento. Também tentou tornar os Liberais-Democratas mais verdes. A razão oficial para sua saída do partido foi a oposição ao apoio liberal-democrata ao livre comércio.[3][5] Mas também culpou a falta de ação do líder dos Liberais Democratas, Charles Kennedy, em relação ao meio ambiente.[4]
Após 31 anos na Câmara dos Lordes, em 18 de novembro de 1999, ele proferiu seu primeiro discurso como membro do Partido Verde,[3] tornando-se porta-voz do partido para a agricultura.[2] Assim, se tornou o único membro do Partido Verde em qualquer uma das Casas do Parlamento. Como defensor das ideias verdes, argumentava contra a globalização, defendendo um freio ao crescimento da aviação e exigindo um acordo melhor para os Verdes nas transmissões eleitorais.[1] Para os militantes do Partido Verde, ele forneceu informações valiosas sobre tópicos como subsídios para energias renováveis e o péssimo planejamento energético do governo por meio de perguntas escritas. Essas perguntas auxiliavam frequentemente as campanhas do partido.[4] Em abril de 2002, iniciou o primeiro debate parlamentar do Partido Verde propondo a re-nacionalização da Railtrack,[1] forçando os ministros a defender a estrutura ferroviária fracassada. Durante a crise da febre aftosa em 2001, Lord Beaumont destacou seu impacto sobre os fazendeiros e também a crueldade desnecessária criada tanto pelo abate de animais quanto pelas longas distâncias que eles percorriam para o abate.[4]
Beaumont era um eurocético e, durante muitos anos, foi vice-presidente da Campanha para uma Grã-Bretanha Independente, que fez campanha contra a adesão britânica à União Europeia.
Revistas e outras organizações
Tim Beaumont utilizou grande parte de sua riqueza em vários investimentos na imprensa, em revistas de baixa circulação.[3] Foi dono do semanário político Time and Tide, comprado de Lady Rhondda,[4] um rival vacilante do New Statesman e do The Spectator, o qual ele vendeu para uma editora de direita, e do New Outlook, um mensal independente liberal.[1][3] Financiou a revista Prism, órgão mensal do movimento de reforma da Igreja, e da qual foi editor de 1960 a 1963; mais tarde, a revista se converteu na New Christian, com comentários religiosos e políticos, mas após cinco anos, esta revista foi incorporada ao American Christian Century.[2] Comprou de Cecil Harmsworth King, a Studio Vista, conceituada revista de belas-artes e livros sobre arte, que refletia a perspectiva artística de sua esposa.[2][3] Ainda lançou a Wonderland para crianças e comprou a revista Small Car.[3]
Apoiou financeiramente a Ikon Theatre Company, que produzia peças no Lyric Theatre, em Hammersmith,[1] e a capela do Churchill College, além de várias outras instituições.[4] Beaumont foi patrono do grupo de campanha pela igualdade transgênero Press for Change.[3] Foi presidente do Albany Trust (1969-1971), envolvido na reforma da lei homossexual, presidente do Instituto de Pesquisa sobre Deficiência Mental e Múltipla (1971-1973),[3] presidente da Federação Britânica de Sociedades Cinematográficas (1973-1979) e tesoureiro da Church Action on Poverty.[1][3] Foi presidente da Exit, depois Voluntary Euthanasia Society, em 1980.[1][4] Chegou a ser preso após a morte de um de seus membros, embora nunca tenha sido acusado.[2]
Ele editou The Selective Ego, um volume resumido dos diários de James Agate, publicado em 1976, editou e contribuiu para um Liberal Cookbook, publicado em 1972, além de escrever uma coluna sobre culinária para o The Illustrated London News.[3] Escreveu o livro The End of the Yellowbrick Road, publicado em 1997.[3]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n «Lord Beaumont of Whitley». Times Online Obituary. 11 de abril de 2008. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o «The Rev Lord Beaumont of Whitley». The Telegraph (em inglês). 11 de abril de 2008. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y Roth, Andrew (10 de abril de 2008). «Lord Beaumont of Whitley». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f g h i «Lord Beaumont of Whitley: Millionaire priest and publisher who became». The Independent (em inglês). 11 de abril de 2008. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ a b «Green Party's Lord Beaumont dies». BBC News (em inglês). 10 de abril de 2008. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ «BEAUMONT OF WHITLEY». www.crockford.org.uk. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ «天保民學校 Mary Rose School». www.mrs.edu.hk. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ «Issue 44470, 7 December 1967». www.thegazette.co.uk. p. 13399. Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ «Lord Beaumont Of Whitley - Hansard - UK Parliament». hansard.parliament.uk (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2025
- ↑ «Lord BEAUMONT OF WHITLEY (Royaume-Uni)». pace.coe.int. Consultado em 6 de maio de 2025
Ligações externas
- «Green Party's Lord Beaumont dies» (em inglês). BBC News
- «Lord Beaumont of Whitley» (em inglês). UK Parliament
- «Mr Timothy Beaumont» (em inglês). Hansard Historic
- «Reverend Timothy Wentworth Beaumont, Baron Beaumont of Whitley» (em inglês). The Peerage