Tigranes, o Jovem
| Tigranes, o Jovem | |
|---|---|
![]() Tetradracma de Tigranes, o Jovem cunhado em Tigranocerta | |
| Rei de Sofena | |
| Reinado | 65 a.C. |
| Antecessor(a) | Tigranes, o Grande (Armênia) |
| Sucessor(a) | Tigranes, o Grande (Armênia) |
| Dados pessoais | |
| Cônjuge | Filha de Fraates III |
| Dinastia | artaxíada |
| Pai | Tigranes, o Grande |
| Mãe | Cleópatra do Ponto |
| Religião | Zoroastrismo |

Tigranes, o Jovem (em latim: Tigrānēs; em grego: Τιγράνης; romaniz.: Tigránēs; em armênio/arménio: Տիգրան; romaniz.: Tigran), foi um príncipe artaxíada que governou brevemente o Reino de Sofena em 65 a.C..
Nome
Tigranes (Tigrānēs; Τιγράνης, Tigránēs) é a forma latina e grega surgida do persa antigo *Tigrana (*Tigrāna) e do acadiano Tigranu (𒋾𒅅𒊏𒉡, Tīgranu). Hračʻya Ačaṙyan propôs que derivou por haplologia de *tigrarāna, supostamente significando "lutar com flechas" (cf. o persa antigo 𐎫𐎡𐎥𐎼𐎠𐎶, tigrām, “pontiagudo”, acusativo singular feminino),[1] que Ačaṙyan entendeu que derivou do avéstico 𐬙𐬌𐬖𐬭𐬀 (tiγra, "flecha") e sânscrito तिग्म (tigmá, "pontiagudo") e do avéstico 𐬭𐬇𐬥𐬀 (rə̄na, "batalha, luta") e sânscrito रण (raṇa, "batalha")).[2] Ele também comparou o grego antigo Tigrapates (Τιγραπάτης, Tigrapátēs, literalmente “mestre das flechas”) e, para a haplologia, o nome avéstico 𐬬𐬍𐬭𐬁𐬰 (vīrāz) de *vīra-rāz-.[3] J̌ahukyan considerou a explicação improvável.[4] É mais provável que decorra do iraniano antigo Tigrana (*Tigrāna-), uma formação patronímica com o sufixo *-āna- do nome *Tigra (*Tigrā-; lit. “delgado”), refletido no elamita Tigra (𒋾𒅅𒊏, Tīgra) e acadiano Tigra (𒋾𒅅𒊏𒀪, Tīgraʾ), da palavra discutida acima para "pontiagudo".[5][6][7] O nome foi tardiamente registrado em armênio como Tigrã (Տիգրան, Tigran).[2]
Vida
Tigranes, o Jovem era filho e herdeiro do rei artaxíada da Armênia, Tigranes, o Grande (r. 95–55 a.C.). Sua mãe era Cleópatra do Ponto, filha de Mitrídates VI (r. 120–63 a.C.), rei do Ponto.[8] Em c. 66 a.C., Tigranes desentendeu-se com seu pai e fugiu para a corte do xainxá arsácida Fraates III (r. 69–57 a.C.). Ele concordou em ajudar Fraates III a assumir o trono armênio em troca de se casar com sua filha. Este casamento, que ocorreu em 66/65 a.C., deu a Fraates III a oportunidade de se envolver nos assuntos da Armênia, incluindo impedir que o comandante romano Pompeu colocasse os interesses partas em risco. Fraates III, junto com Tigranes, liderou uma expedição à Armênia. Inicialmente bem-sucedidos, seus esforços foram interrompidos por um longo cerco em Artaxata, o que levou Fraates III a colocar Tigranes no comando da expedição, deixando-o com alguns soldados partas. No final das contas, ele foi derrotado por seu pai, levando-o a se juntar a Pompeu. Tigranes, o Grande logo se rendeu a Pompeu, que decidiu permitir que ele mantivesse sua coroa.[9] Em vez disso, Tigranes, o Jovem foi feito governante de Sofena com a garantia de que ascenderia ao trono armênio após a morte de seu pai.[10]
No entanto, após um breve reinado, Tigranes foi preso e deportado para Roma. A razão por trás disso é contestada. De acordo com M. Rahim Shayegan, foi porque permaneceu um aliado de Fraates III, com quem ainda conspirou para derrubar Tigranes, o Grande, enquanto Michał Marciak afirma que foi devido à sua disputa com Pompeu sobre o tesouro de Sofena.[11] Na primavera de 65 a.C., Fraates III protestou contra a prisão de seu genro, mas sem sucesso.[12]
Referências
- ↑ Schmitt 2014, p. 254.
- ↑ a b Ačaṙyan 1942–1962, p. 146-147.
- ↑ Bartholomae 1904, col. 1454.
- ↑ J̌ahukyan 1981, p. 57-58.
- ↑ Tavernier 2007, p. 324.
- ↑ Zadok 2009, § 527, p. 303.
- ↑ Schmitt 2011, p. 364.
- ↑ Toumanoff 1990, p. 93–94.
- ↑ Dąbrowa 2018, p. 79.
- ↑ Marciak 2017, p. 131.
- ↑ Marciak 2017, p. 95–96.
- ↑ Shayegan 2011, p. 323.
Bibliografia
- Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Տիգրան». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
- Bartholomae, Christian (1904). Altiranisches Wörterbuch [Old Iranian Dictionary]. Estrasburgo: K. J. Trübner
- Dąbrowa, Edward (2018). «Arsacid Dynastic Marriages». Electrum. 25: 73–83. doi:10.4467/20800909EL.18.005.8925
- J̌ahukyan, Geworg (1981). «Movses Xorenacʻu "Hayocʻ patmutʻyan" aṙaǰin grkʻi anjnanunneri lezvakan aġbyurnerə [The Linguistic Origins of the Proper Names in the First Book of Movses Khorenatsi's 'A History of the Armenians']». Patma-banasirakan handes [Historical-Philological Journal] (3)
- Marciak, Michał (2017). Sophene, Gordyene, and Adiabene: Three Regna Minora of Northern Mesopotamia Between East and West. Leida: BRILL. ISBN 9789004350724
- Schmitt, Rüdiger (2011). Iranische Personennamen in der griechischen Literatur vor Alexander d. Gr. (Iranisches Personennamenbuch. Band 5, Faszikel 5A. Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências
- Schmitt, Rüdiger (2014). Wörterbuch Der Altpersischen Königsinschriften [Dictionary of Old Persian Royal Inscriptions]. Viesbade: Reichert
- Shayegan, M. Rahim (2011). Arsacids and Sasanians: Political Ideology in Post-Hellenistic and Late Antique Persia. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. pp. 1–539. ISBN 9780521766418
- Toumanoff, Cyril (1990). Les dynasties de la Caucasie chrétienne de l'Antiquité jusqu'au xixe siècle : Tables généalogiques et chronologiques. Roma: Edizioni Aquila
- Tavernier, Jan (2007). «*Tigra-». Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550–330 B.C.): Lexicon of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts. Lovaina e Paris: Peeters Publishers
- Zadok, Ran (2009). Iranische Personennamen in der neu- und spätbabylonischen Nebenüberlieferung (Iranisches Personennamenbuch, Band 7, Faszikel 1B. Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências
