Theraphosinae
Theraphosinae
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| ~50 gêneros (veja o texto) | |||||||||||||
Os terafosinos (Theraphosinae) formam uma subfamília de aranhas migalomorfas da família Theraphosidae, endêmica do Novo Mundo. É a subfamília mais diversa de tarantulas no mundo, com mais de 500 espécies conhecidas distribuídas exclusivamente nas Américas.[1][2]
A subfamília é caracterizada por um mecanismo singular de defesa: o uso de pêlos urticantes abdominais que podem ser liberados no ar quando perturbados.[1][3] As maiores e mais longevas aranhas do mundo pertencem a esta subfamília, incluindo a aranha-golias-comedora-de-pássaros (Theraphosa blondi), que pode pesar até 175 gramas e atingir 28 centímetros de envergadura das pernas.[4]
Características
Morfologia
As espécies de Theraphosinae apresentam grande variação de tamanho. A menor espécie conhecida, Aphonopelma paloma, possui corpo de apenas 12 milímetros de comprimento,[5] enquanto a maior, Theraphosa blondi, pode atingir 13 centímetros de comprimento corporal e envergadura de pernas de até 28 centímetros, com massa podendo chegar a 175 gramas.[4]
Como todas as Mygalomorphae, possuem quelíceras robustas voltadas para baixo, com presas que podem atingir até 4 centímetros de comprimento em espécies grandes como T. blondi.[6] O corpo é geralmente robusto, coberto por pelos densos, e as pernas são equipadas com duas garras terminais.
Pêlos urticantes
A característica mais distintiva da subfamília Theraphosinae é a presença de pêlos urticantes especializados no abdômen, uma adaptação defensiva exclusiva de tarantulas do Novo Mundo.[3][7] Foram documentados sete tipos morfológicos diferentes de pêlos urticantes em Theraphosinae (tipos I a VII), sendo os tipos I, III e IV os mais comuns na subfamília.[3]
Esses pelos podem ser liberados de duas maneiras: esfregando as pernas traseiras contra o abdômen para lançá-los no ar em direção ao predador, ou por contato direto. Os pêlos urticantes causam irritação intensa em pele e mucosas, sendo particularmente eficazes contra mamíferos predadores.[1] Além do uso defensivo direto, as fêmeas incorporam esses pelos em seus casulos de ovos e algumas espécies os utilizam para forrar as paredes de suas tocas como proteção adicional.[7]
Algumas espécies, como Theraphosa blondi, também são capazes de produzir sons audíveis (estridulação) esfregando cerdas especializadas nas pernas, criando um ruído de advertência que pode ser ouvido a até 4,5 metros de distância.[8]
Hábitos e comportamento
As espécies de Theraphosinae são predominantemente terrestres e construtoras de tocas, habitando buracos no solo que forram com seda para maior estabilidade.[1] Vivem em praticamente todos os ambientes terrestres dentro de sua distribuição, desde o nível do mar até altitudes de 4.524 metros nos Andes, o maior registro altitudinal conhecido para qualquer tarântula.[9]
São predadores generalistas noturnos que se alimentam principalmente de grandes artrópodes, mas espécies maiores podem ocasionalmente capturar pequenos vertebrados como roedores, lagartos e anfíbios.[1] Apesar do nome popular "comedoras de pássaros" atribuído ao gênero Theraphosa, a predação de aves é extremamente rara e oportunística.[4]
Distribuição geográfica
A subfamília Theraphosinae é endêmica do Novo Mundo, com distribuição que se estende desde o sudoeste dos Estados Unidos até as zonas temperadas do norte da Argentina e sul do Chile.[1][2] Nos Estados Unidos, as tarantulas são encontradas a oeste do Rio Mississípi, ao sul de uma linha que atravessa Missouri, Kansas, Colorado, Utah e Nevada, e através do norte da Califórnia.[10]
A subfamília está presente em praticamente todos os países da América Central e América do Sul, incluindo México, Guatemala, Belize, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Brasil, Peru, Equador, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile, além de diversas ilhas do Caribe como Trinidad, Cuba e Antilhas Menores.[1][5]
As espécies habitam uma ampla variedade de ambientes, incluindo florestas tropicais, savanas, pampas, desertos, florestas de montanha e regiões semiáridas.[5] A maior diversidade de espécies concentra-se nas regiões tropicais da Amazônia e florestas da América Central, embora gêneros como Aphonopelma tenham se diversificado extensivamente em ambientes áridos e desérticos da América do Norte.[5]
Gêneros
A subfamília Theraphosinae inclui aproximadamente 50 gêneros reconhecidos e mais de 500 espécies descritas:[1][2]
- Acanthoscurria
- Aenigmarachne
- Aphonopelma
- Bonnetina
- Brachypelma
- Chromatopelma
- Citharacanthus
- Clavopelma
- Crassicrus
- Cyclosternum
- Cyriocosmus
- Cyrtopholis
- Euathlus
- Eupalaestrus
- Grammostola
- Hapalopus
- Hapalotremus
- Hemirrhagus
- Homoeomma
- Lasiodora
- Lasiodorides
- Magulla
- Maraca
- Megaphobema
- Melloleitaoina
- Metriopelma
- Neostenotarsus
- Nesipelma
- Nhandu
- Ozopactus
- Pamphobeteus
- Paraphysa
- Phormictopus
- Plesiopelma
- Proshapalopus
- Pseudhapalopus
- Reversopelma
- Schismatothele
- Schizopelma
- Sericopelma
- Sphaerobothria
- Stichoplastoris
- Theraphosa
- Thrixopelma
- Tmesiphantes
- Vitalius
- Xenesthis
Estudos filogenéticos recentes baseados em dados genômicos sugeriram a necessidade de reorganização taxonômica da subfamília, com propostas de divisão em três tribos: Theraphosini, Hapalopini e Grammostolini.[2] O gênero Aphonopelma, amplamente distribuído nos Estados Unidos e México, foi recuperado como polifilético, indicando que pode representar múltiplas linhagens evolutivas distintas.[2]
Taxonomia e evolução
A subfamília Theraphosinae foi formalmente revisada e definida por Fernando Pérez-Miles et al. em 1996, com base em análise cladística que identificou os pêlos urticantes como principal sinapomorfia do grupo.[11]
Estudos filogenômicos recentes utilizando dados de transcriptoma e elementos ultraconservados confirmaram a monofilia de Theraphosinae e sua posição como grupo-irmão de Aviculariinae, outra subfamília americana com pêlos urticantes.[7][2] A diversificação do grupo nas Américas ocorreu principalmente nos últimos 5 milhões de anos, com rápida radiação adaptativa em ambientes áridos e desérticos, particularmente no gênero Aphonopelma.[5]
Conservação
Diversas espécies de Theraphosinae enfrentam ameaças devido à destruição de habitat e coleta excessiva para o comércio de animais de estimação. Todas as espécies do gênero Brachypelma, endêmico do México, estão listadas no Apêndice II da CITES, com algumas espécies no Apêndice I devido ao risco crítico de extinção.[12]
A espécie Brachypelma smithi foi a primeira aranha a ser incluída na CITES, em 1985, devido à coleta excessiva para o comércio internacional.[12] A criação em cativeiro tem se expandido significativamente, ajudando a reduzir a pressão sobre populações selvagens, embora o tráfico ilegal ainda represente uma ameaça significativa para várias espécies.[12]
Referências
- ↑ a b c d e f g h Pérez-Miles, Fernando; Perafán, Carlos (2020). Theraphosinae. New World Tarantulas. Cham: Springer. pp. 121–151. doi:10.1007/978-3-030-48644-0_5. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f Borges, Lucas M. (2023). «Phylogenomics of Lasiodoriforms: reclassification of the South American genus Vitalius Lucas, Silva and Bertani and allied genera». Frontiers in Ecology and Evolution. 11. doi:10.3389/fevo.2023.1177627. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c Bertani, Rogerio; Guadanucci, Jose Paulo L. (2013). «Urticating setae of tarantulas (Araneae: Theraphosidae): morphology and revision». Zoologia. 30 (3): 292-306. doi:10.1590/S1984-46702013000300006. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «Largest spider». Guinness World Records. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e Hendrixson, Brent E.; De Russy, Bryce L.; Hamilton, Chris A.; Bond, Jason E. (2016). «Taxonomic revision of the tarantula genus Aphonopelma Pocock, 1901 (Araneae, Mygalomorphae, Theraphosidae) within the United States». ZooKeys. 560: 1-340. doi:10.3897/zookeys.560.6264. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Goliath birdeater». Encyclopædia Britannica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c Foley, Iris C. (2019). «Tarantula phylogenomics: A robust phylogeny of deep theraphosid clades inferred from transcriptome data sheds light on the prickly issue of urticating setae evolution». Molecular Phylogenetics and Evolution. 140. 106573 páginas. doi:10.1016/j.ympev.2019.106573. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Goliath bird-eating tarantula». Smithsonian's National Zoo. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ Ferretti, Nelson (2015). «Revision of Hapalotremus Simon, 1903 (Araneae: Theraphosidae)». Zootaxa
- ↑ «The Tarantula (Family Theraphosidae)». The Florida State Collection of Arthropods. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ Pérez-Miles, F.; Lucas, S.M.; Silva, P.I.; Bertani, R. (1996). «Systematic revision and cladistic analysis of Theraphosinae». Mygalomorph. 1: 33-68
- ↑ a b c Mendoza, Jorge I.; Francke, Oscar F. (2020). «Species conservation profiles of tarantula spiders (Araneae: Theraphosidae) listed on CITES». Biodiversity Data Journal. 8: e39679. doi:10.3897/BDJ.8.e39679. Consultado em 17 de janeiro de 2026

