As Bruxas de Salém (filme)

As Bruxas de Salém
The Crucible
As Bruxas de Salém (filme)
Winona Ryder e Daniel Day-Lewis,
destaques no cartaz do filme
 Estados Unidos
1996 •  cor •  124 min 
Género drama histórico
Direção Nicholas Hytner
Roteiro Arthur Miller
Baseado em The Crucible, de Arthur Miller
Elenco
Idioma inglês

The Crucible (bra[1]/prt:[2]As Bruxas de Salém) é um filme norte-americano de 1996 do gênero dramahistórico, dirigido por Nicholas Hytner, com roteiro de Arthur Miller baseado em sua peça homônima acerca do julgamento das Bruxas de Salém.[3]

Sinopse

O filme As Bruxas de Salém conta a história de uma pequena comunidade puritana em 1692, quando um grupo de meninas é flagrado dançando em uma espécie de “ritual” na floresta algo proibido naquele período. Para não serem punidas, elas começam a acusar pessoas da vila de bruxaria. Essas acusações vão tomando proporções cada vez maiores, até virar uma histeria coletiva que domina toda a cidade.[1]

No meio disso está John Proctor, um fazendeiro que tenta impedir que as mentiras continuem, mas acaba sendo envolvido pelas próprias acusações. A partir daí, vizinhos começam a desconfiar uns dos outros, famílias são destruídas e o tribunal passa a agir com base no medo, e não em provas reais.[2]

Elenco

Contexto Histórico do Período de Produção

O filme foi produzido em 1996, mas é baseado na peça de Arthur Miller (1953), escrita durante o macarthismo, período em que os Estados Unidos perseguiam pessoas acusadas de serem comunistas.[3] Miller usou os julgamentos das bruxas de Salém (1692) como metáfora para essa caça às bruxas moderna, marcada pelo medo, intolerância e perseguições sem provas.[4]

Na década de 1990, quando o filme foi lançado, os EUA viviam o pós-Guerra Fria e um clima de reavaliação política e moral, o que deu nova força à crítica de Miller sobre o fanatismo, a censura e o abuso de poder.5[5]

Contexto Histórico do Enredo

O filme se passa durante os julgamentos das bruxas de Salém, um evento real que aconteceu em 1692, na Nova Inglaterra puritana. A sociedade era extremamente religiosa e acreditava que tudo o que acontecia era obra de Deus ou do Diabo. Esse período também tinha vários conflitos: disputas de terra, rivalidades entre famílias, medo de ataques e uma instabilidade política que deixava a comunidade ainda mais tensa.[6]

Por isso, qualquer comportamento “fora do normal” podia ser visto como bruxaria “Ações diabólicas”. O filme mostra esse clima geral de medo e como situações simples acabam sendo usadas para justificar perseguições.[7]

Do Teatro para o Cinema  

Antes de virar filme, As Bruxas de Salém era uma peça de teatro. Arthur Miller escreveu tanto a peça quanto o roteiro do filme. A versão cinematográfica ampliou algumas cenas que no teatro eram apenas citadas, como o momento na floresta e as multidões no tribunal, deixando a história mais visual e mais intensa.[8]

Fidelidade ao Acontecimento Histórico?

Apesar de ser baseado em fatos reais, o filme muda algumas coisas:[9]

  • Abigail Williams, na vida real, tinha 11 anos, mas no filme aparece como adolescente/adulta.
  • O romance entre Abigail e John Proctor não tem comprovação histórica foi criado para intensificar o conflito.
  • Alguns personagens foram simplificados ou tiveram seus papéis ampliados para deixar a narrativa mais clara.
  • O tribunal realmente aceitava “evidência espectral”, ou seja, visões e sonhos como prova isso é mostrado corretamente no filme.

Análise Fílmica

As Bruxas de Salém é mais do que um filme sobre bruxaria. Ele mostra como o medo e o fanatismo podem destruir uma comunidade inteira. A partir das acusações das meninas, surge um clima de desconfiança tão forte que qualquer pessoa pode virar alvo, mesmo sem ter feito nada.[10]

O filme também dialoga com vários momentos da História em que grupos foram perseguidos apenas por serem diferentes ou por ameaçarem a ordem estabelecida. Exemplos disso são Joana d’Arc, condenada por heresia, ou até o apartheid na África do Sul, onde pessoas negras eram discriminadas e perseguidas por sua cor de pele. Esses casos mostram como o medo e a intolerância podem gerar injustiças que se repetem em épocas diferentes.[11]

Mesmo sendo ambientado no século XVII, o filme continua atual, pois fala de manipulação, fakenews, intolerância e do poder que uma mentira ganha quando é repetida muitas vezes.[12]

Recepção

O filme recebeu críticas positivas principalmente pelas atuações e pela maneira como retrata a sociedade puritana. Muitos críticos elogiaram a adaptação fiel da peça e a forma como o filme consegue mostrar o medo coletivo que tomou conta de Salém.[13]

No consenso do agregador de críticas RottenTomatoes diz: "Esta adaptação (...) renderiza obedientemente a peça marcante de Arthur Miller na tela com um belo design de produção e performances robustas, se não com a raiva política e a profundidade temática que deram ao drama sua reputação". Na pontuação onde a equipe do site categoriza as opiniões da grande mídia e da mídia independente apenas como positivas ou negativas, o filme tem um índice de aprovação de 69% calculado com base em 62 comentários dos críticos. Por comparação, com as mesmas opiniões sendo calculadas usando uma média aritmética ponderada, a nota alcançada é 7,3/10.[14]

Prêmios e indicações

Premiação Categoria Recipiente Resultado
BAFTA Film Awards Melhor ator coadjuvante Paul Scofield Venceu[15]
Melhor roteiro adaptado (Arthur Miller) Indicado[15]
Festival de Berlim Urso de Ouro Nicholas Hytner Indicado[carece de fontes?]
Globos de Ouro Melhor atriz coadjuvante Joan Allen Indicado[16]
Melhor ator coadjuvante Paul Scofield Indicado[carece de fontes?]
Oscars Melhor atriz coadjuvante Joan Allen Indicado[17]
Melhor roteiro adaptado (Arthur Miller) Indicado[17]
Satellite Awards Melhor ator coadjuvante Paul Scofield Indicado[carece de fontes?]
Melhor atriz coadjuvante Joan Allen Indicado[carece de fontes?]
Melhor roteiro adaptado (Arthur Miller) Indicado[18]

Referências

  1. 1.      1 2 'As Bruxas de Salém' no AdoroCinema
  2. «As Bruxas de Salém». noCineCartaz (Portugal)
  3. 1.      SCHRECKER, Ellen. Many Are the Crimes: McCarthyism in America. Princeton: Princeton University Press, 1998. Disponível em: https://www.ellenschrecker.com/manyarethecrimes
  4. 1.      E SCHRECKER DOT COMROACH, Marilynne K. The Salem WitchTrials: A Day-by-Day Chronicleof a CommunityUnderSiege. Lanham: Taylor Trade Publishing, 2004. Disponível em: https://www.simonandschuster.com/books/The-Salem-Witch-Trials/Marilynne-K-Roach/9781589791329
  5. 1.      MILLER, Arthur. As Bruxas de Salém (The Crucible). (peça escrita em 1953). Informação sobre o contexto da peça e do macarthismo pode ser encontrada em artigo analítico: OLIVEIRA, Wélica Cristina Duarte de. As Bruxas de Salém (The Crucible) de Arthur Miller: aproximações e distanciamentos entre a peça e a produção cinematográfica. Revista Moinhos, v. 6, 2019. DOI: 10.30681/moinhos.v0i6.3171. Disponível em: https://doi.org/10.30681/moinhos.v0i6.3171
  6. 1.      BARROS, Maria Theresa da Costa. As Bruxas de Salem (The Crucible). In: psicanalise e cinema. Rio de Janeiro: Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro; Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro, v. 10, n. 10, 2023. p. 9–17.
  7. BRÍCIO, Mariana. As Bruxas de Salem: Feitiço através dos tempos. In: psicanalise e cinema. Rio de Janeiro: Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro; Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro, v. 10, n. 10, 2023. p. 19–24
  8. 1.      Arthur Miller escreveu o roteiro do filme de 1996.Confirmado nos créditos oficiais do filme.(Fonte real: IMDb, catálogos de cinema, Penguin Books.)
  9. 1.      https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19620/os-julgamentos-das-bruxas-de-salem/
  10. 1.      E SCHRECKER DOT COMROACH, Marilynne K. The Salem WitchTrials: A Day-by-Day Chronicleof a CommunityUnderSiege. Lanham: Taylor Trade Publishing, 2004. Disponível em: https://www.simonandschuster.com/books/The-Salem-Witch-Trials/Marilynne-K-Roach/9781589791329
  11. «As Bruxas de Salém». Brasil: CinePlayers. Consultado em 27 de setembro de 2019
  12. 1.      BARROS, Maria Theresa da Costa. As Bruxas de Salem (The Crucible). In: PSICANÁLISE E CINEMA. Rio de Janeiro: Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro; Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro, v. 10, n. 10, 2023. p. 9–17.
  13. 1.      https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19620/os-julgamentos-das-bruxas-de-salem/
  14. 1.      MILLER, Arthur. As Bruxas de Salém (The Crucible). (peça escrita em 1953). Informação sobre o contexto da peça e do macarthismo pode ser encontrada em artigo analítico: OLIVEIRA, Wélica Cristina Duarte de. “As Bruxas de Salém (The Crucible) de Arthur Miller: aproximações e distanciamentos entre a peça e a produção cinematográfica”. Revista Moinhos, v. 6, 2019. DOI: 10.30681/moinhos.v0i6.3171. Disponível em: https://doi.org/10.30681/moinhos.v0i6.3171
  15. a b «BAFTA Awards - Orange British Academy Film Awards 1997 (Edition 50)» (em francês). AlloCiné. Consultado em 27 de setembro de 2019 
  16. «54.º Globo de Ouro - 1997». CinePlayers. Consultado em 27 de setembro de 2019 
  17. a b «69.º Oscar - 1997». CinePlayers. Consultado em 27 de setembro de 2019 
  18. «The Crucible» (em inglês). Starpulse.com. Consultado em 13 de fevereiro de 2014