Teste de Finkbeiner
O teste de Finkbeiner, nomeado em homenagem à jornalista científica Ann Finkbeiner, [1] é uma lista com critérios para ajudar jornalistas científicos a evitar preconceitos de gênero em artigos sobre mulheres na ciência .[2] [3] Ele pede que os escritores evitem descrever mulheres cientistas em termos de características estereotipicamente femininas, como seus arranjos familiares.
O teste de Finkbeiner foi associado à ação afirmativa, porque a escrita pode levar os leitores a ver as mulheres na ciência como diferentes dos homens de maneiras negativas ou injustas. [2] O teste ajuda a evitar preconceitos de gênero em reportagens científicas, de forma semelhante a vários testes que se concentram na sub-representação de grupos marginalizados em diferentes áreas. [4]
Lista de verificação
O teste de Finkbeiner é uma lista de verificação proposta pela jornalista freelance Christie Aschwanden para ajudar jornalistas a evitar preconceitos de gênero em artigos da mídia sobre mulheres na ciência.[3] Para passar no teste, um artigo sobre uma cientista não deve mencionar:
- Que ela é uma mulher
- A profissão do marido dela
- Como ela cuida dos filhos
- Como ela trata seus subordinados
- Como ela ficou surpresa com a competitividade em sua área
- Como ela é um modelo para outras mulheres
- Como ela é a "primeira mulher a ..." [5]
História
Aschwanden formulou o teste em um artigo de 2013 para a revista online Double X Science.[6] Ela criou o teste nos moldes do teste de Bechdel — usado para destacar preconceitos de gênero em filmes — em resposta à cobertura sexista da mídia sobre mulheres cientistas. Ela lembrou: [3]
As campanhas para reconhecer mulheres cientistas de destaque levaram a um gênero reconhecível de cobertura midiática. Vamos chamá-lo de gênero "Uma senhora que...". Você já viu esses perfis, claro que sim, porque eles estão por toda parte. A marca registrada do perfil "Uma senhora que..." é que ele trata o sexo do sujeito como seu detalhe mais importante. Ela não é apenas uma grande cientista, ela é uma mulher! E se ela também é esposa e mãe, esses papéis também são enfatizados.
Aschwanden deu ao teste o nome da jornalista Ann Finkbeiner, vencedora do Prêmio de Comunicação Científica do Instituto Americano de Física de 2008, [1] que havia escrito anteriormente um post [7] para o blog de ciências The Last Word on Nothing sobre sua decisão de não escrever sobre o assunto de seu último perfil, uma astrônoma, "como mulher". [5]
Ambas as jornalistas concordam que o teste "deveria aplicar-se principalmente a perfis de cientistas de interesse geral que pode ser encontrado no The New York Times ou na primeira seção da Nature, que se supõe que se centram em realizações profissionais". [3] O objetivo do teste é não enfatizar demais ou privilegiar o gênero de uma cientista. Até mesmo Finkbeiner, que prometeu "ignorar gênero" em seus escritos, tropeçou na tendência de focar no sexo. No perfil de um astrônomo, ela considerou mencionar que o cientista foi o "primeiro" a ganhar um determinado prêmio. "Depois de um leitor ter insistido para que Finkbeiner cumprisse a sua promessa", ela retirou a expressão "o primeiro" [3]
A tática de destacar as mulheres como "modelos" também pode distorcer a igualdade de gênero na recepção de notícias. Os estudantes citam indiscriminadamente acadêmicos e mentores de qualquer sexo ou gênero como "grandes modelos"; ser um modelo não é algo exclusivo do gênero de uma pessoa. Assim, enfatizar o sexo em perfis sobre membros de grupos marginalizados reforça a sua suposta diferença, perpetuando o preconceito de género na ciência. [3]
Recepção
O teste foi mencionado na crítica ao obituário publicado no New York Times sobre a cientista de foguetes Yvonne Brill. O obituário, publicado em 30 de março de 2013 por Douglas Martin, começava com as palavras: "Ela fez um estrogonofe de carne delicioso, seguiu o marido de emprego em emprego e tirou oito anos de licença do trabalho para criar três filhos".[8] Poucas horas após a publicação, o New York Times revisou o obituário para abordar algumas das críticas e o início do texto da versão revisada começava com "Ela era uma brilhante cientista de foguetes que acompanhou o marido de emprego em emprego...". [8] [9]
Outro artigo do New York Times, sobre Jennifer Doudna, publicado em 11 de maio de 2015, [10] atraiu críticas semelhantes com referência ao teste de Finkbeiner.[11] Um artigo no The Globe and Mail sobre a astrofísica Victoria Kaspi,[12] publicado em 16 de Fevereiro de 2016, atraiu as mesmas críticas,[13] tal como o livro de David Quammen, A Tangled Tree, por dar pouca importância às mulheres cientistas, especialmente Lynn Margulis.[14]
Susan Gelman, professora de psicologia na Universidade de Michigan, aplaudiu a iniciativa de falar sobre cientistas mulheres sem enfatizar seu gênero, mas questiona se o teste de Finkbeiner deveria tentar eliminar todas as referências à vida pessoal, sugerindo que a iniciativa deveria ser no sentido também de colocar questões pessoais aos cientistas homens.[15] Esta opinião é partilhada por outros escritores. [16] [17] Além disso, Vasudevan Mukunth salienta no The Wire que os países onde as mulheres estão drasticamente sub-representadas na ciência podem querer contornar as regras do teste na esperança de destacar quaisquer barreiras sistêmicas: "A utilidade do teste assenta no mito de igualdade de condições — isso não existe na Índia". [18]
Finkbeiner respondeu a estas questões em um post no Last Word on Nothing.[19]
Finkbeiner invertido
A abordagem "Finkbeiner invertido" é um exercício no qual os alunos são convidados a escrever um artigo sobre um cientista do sexo masculino que não passaria no teste de Finkbeiner se fosse sobre uma mulher.[20] [21]
Referências
- ↑ a b «Ann Finkbeiner». www.aip.org (em inglês). 3 de março de 2017. Consultado em 28 janeiro 2019
- ↑ a b «Debate: Why a Test Used to Spot Gender Bias in Science Reports Can Be Myopic». The Wire. Consultado em 28 janeiro 2019
- ↑ a b c d e f «The Finkbeiner Test». Columbia Journalism Review (em inglês). Consultado em 28 janeiro 2019
- ↑ Hickey, Walt; Koeze, Ella; Dottle, Rachael; Wezerek, Gus (27 de dezembro de 2017). «Creating The Next Bechdel Test». FiveThirtyEight. Consultado em 28 janeiro 2019
- ↑ a b Brainard, Curtis (22 março 2013). «'The Finkbeiner Test' Seven rules to avoid gratuitous gender profiles of female scientists». Columbia Journalism Review. Consultado em 31 março 2013
- ↑ Aschwanden, Christie (5 março 2013). «The Finkbeiner Test: What matters in stories about women scientists?». Double X Science. Consultado em 31 março 2013. Arquivado do original em 12 março 2017
- ↑ Finkbeiner, Ann (17 janeiro 2013). «What I'm Not Going to Do». The Last Word On Nothing. Consultado em 2 abril 2013
- ↑ a b Gonzalez, Robert T. (31 março 2013). «The New York Times fails miserably in its obituary for rocket scientist Yvonne Brill». io9. Consultado em 31 março 2013
- ↑ «NewsDiffs | Diffing: Yvonne Brill, a Pioneering Rocket Scientist, Dies at 88». www.newsdiffs.org. Consultado em 14 outubro 2015
- ↑ Pollack, Andrew (11 maio 2015). «Jennifer Doudna, A Pioneer Who Helped Simplify Genome Editing». New York Times. Consultado em 14 outubro 2015
- ↑ «Problems With How We Talk About Female Scientists « Berman Institute Bioethics Bulletin». bioethicsbulletin.org. Consultado em 14 outubro 2015
- ↑ Semeniuk, Ivan (16 fevereiro 2016). «McGill astrophysicist is first woman to win Canada's top science award». The Globe and Mail
- ↑ Shanahan, Marie-Claire (18 fevereiro 2016). «Two stories, same scientist: Gender and coverage of the Herzberg medal». Boundary Vision. Arquivado do original em 21 abril 2019
- ↑ Check Hayden, Erika (13 agosto 2018). «A New View of Evolution That Can't Be Represented by a Tree». The New York Times Book Review (em inglês)
- ↑ «Sexism In Science | Common Reader». Common Reader (em inglês). 23 fevereiro 2015. Consultado em 14 outubro 2015
- ↑ «Asking Questions and the "Finkbeiner Test"». Uncertain Principles (em inglês). Consultado em 14 outubro 2015
- ↑ Initiative, Katie Hafner,Carol Sutton Lewis,The Lost Women of Science. «The Feminist Test We Keep Failing: Lost Women of Science Podcast, Season 3 Bonus Episode». Scientific American (em inglês). Consultado em 18 de janeiro de 2023
- ↑ «Debate: Why a Test Used to Spot Gender Bias in Science Reports Can Be Myopic – The Wire». The Wire. Consultado em 3 de abril de 2018
- ↑ «The Last Word On Nothing | Arguing with the Finkbeiner Test». www.lastwordonnothing.com. Consultado em 18 de janeiro de 2023
- ↑ «The Reversed Finkbeiner Test». www.futurescienceleaders.com. Consultado em 14 outubro 2015. Cópia arquivada em 15 outubro 2015
- ↑ «Finkbeiner posts: round 2». genegeek (em inglês). Consultado em 14 outubro 2015. Arquivado do original em 18 agosto 2015