Teoria empírica de campo
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Teoria dos Efeitos Limitados, conhecida como teoria empírica do campo, é um modelo de estudo da teoria da comunicação que trata da influência exercida pelos meios de comunicação, considerando não apenas seu efeito direto, mas suas relações sociais como todo. Essa Teoria afirma que a mídia não tem influência suficiente para manipulação da opinião do público, mas tem o poder influenciar a tomada de decisão tanto na esfera social quanto na política e na economia. Um exemplo atual é quando um determinado candidato faz propaganda nas eleições sobre suas propostas e sua história. Segundo essa teoria, nem todos os telespectadores estarão convencidos apenas pela propaganda. Ou seja, aqueles que já apoiam determinado candidato irão votar nele; aqueles que não gostam dele continuarão na oposição às suas ideias; e aqueles que estão em dúvida podem ser influenciados pela família ou pelos amigos na decisão de votar ou não nesse candidato.
A abordagem empírica de campo ou dos efeitos limitados procurou estudar os fatores de mediação existentes entre os indivíduos e os meios de comunicação de massa. Essa teoria é composta de duas correntes: a) o estudo da composição diferenciada dos públicos e dos seus modelos de consumo de comunicações de massa; b) as pesquisas sobre a mediação social que caracteriza o consumo: a percepção de que a eficácia dos mass media só é susceptível de ser analisada no contexto social em que funcionam.[1]
Essa Teoria, por considerar a complexidade dos fenômenos da comunicação, deixa de enfatizar uma relação direta entre a propaganda e a manipulação pública. Em vez disso, passa a destacar que a influência ocorre indireta, envolvendo-se em dinâmicas sociais e os processos de comunicação. Embora, seu foco continue sendo os meios de comunicação de massa, o interesse principal recai como eles participavam na formação da opinião pública. [2]
Além disso, esse estudo teve papel fundamental no desenvolvimento do modelo do two-step flow,[3] ao identificar formadores de opinião e fluxo comunicacional em dois níveis. Seu grande avanço dessas descobertas foi apresentar que os efeitos da comunicação não dependem de uma pessoa isolada, mas de suas relações sociais que está inserido. Ganhando ideia que os processos são enraizados em seu contexto social seguindo uma lógica não linear.
Na Teoria dos Usos e Gratificações, as pessoas ou sociedade utilizam a mídia para se satisfazerem em seu uso pessoal, ao contrário de outras teorias, que foram mencionadas, as pessoas são controladas pelas mídias que exercem influência na tomada de decisão, sendo agente responsável em decidir qualquer coisa que ele quer consumir. As pesquisas de uso e gratificações mostravam uma série de casos não compreendidos nas relações entre mídia e público. Segundo Martino[4] (2018, págs. 188 a 195). Essa fase da teoria da comunicação se caracterizou pela preocupação em mostrar a força da imprensa e sua influência no contexto em ano eleitoral ou dia a dia.
Por volta de 1940, as pesquisas em comunicação passaram por um momento de transformação, desse modo, nessa época, o público era obrigado a assistir qualquer coisa transmitido na tela. Entretanto, ter interação com esse veículo era questão de escolha. Em 1949, o pesquisador americano Bernard Berelson fez estudo a partir da greve de jornalistas que ocorreu em Nova York onde ficaram seis dias sem circulação de jornais, pois ele teve uma brilhante ideia, elaborar um questionário para as pessoas, em relação ao não ter Jornal para se atualizar dos acontecimentos, para essa entrevista, foram selecionadas 60 moradores de Manhattan onde tiveram as seguintes respostas: informação e interpretação de questões políticas, ferramentas de orientação para vida cotidiana, escapar de questões cotidianas e prestígio social.
Com o tempo, as pesquisas mostraram que os efeitos da comunicação não são diretos nem uniformes, mas dependem dos fatores sociais, políticos e econômicos. Assim a influência da mídia ocorre pela relação intermediada entre conteúdo veiculado e interpretação do público. Um exemplo disso é o estudo do autor Mundim[5] (2006) ao analisar a cobertura da imprensa brasileira nas eleições para presidente em 2006, quando Lula foi reeleito mesmo depois do escândalo do Mensalão, pois foi noticiado que no final do primeiro mandato, Lula (PT) comprava apoio financeiro dos partidos aliados para aprovação dos projetos do governo, em troca de cargos para esses partidos. O autor analisa que os meios de comunicação, embora não determinem voto, influenciavam para moldar opinião pública, pois alguns temas ganharam debate público. Essa atuação da mídia hegemônica reforça seu papel de formadora de agenda e enquadramento, conceito fundamental nos estudos de Efeitos da comunicação. Dessa forma, a Teoria dos Efeitos evolui de um princípio que a visão inicial dos meios para uma perspectiva complexa, reconhece que a mídia serve como formadora de opinião, autônoma e crítica do público na interpretação da mensagem.
Referências
- ↑ «Teoria dos Efeitos Limitados». Comunicativo. 10 de abril de 2012. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Teoria dos Efeitos Limitados». Comunicativo. 10 de abril de 2012. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Two-step flow of communication». Wikipedia (em inglês). 19 de junho de 2025. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ SA, Martino (2009). Teoria da Comunicação - Ideias, escolas e métodos. [S.l.]: Petropoles: Vozes. p. 188-195. 7 páginas
- ↑ Mundim, Pedro (2014). Cobertura imprensa e eleições presidenciais de 2006 efeitos realmentes limitados? (PDF). [S.l.]: Petropoles: Vozes. p. 91-107. 18 páginas