Teorema de Hurwitz (análise complexa)

Em matemática e, particularmente, no campo da análise complexa, o teorema de Hurwitz é um teorema de Adolf Hurwitz, que associa os zeros do limite de uma seqüência de funções holomorfas com zeros da funções da sequência, sob a condição que a convergência é uniforme em compactos.[1][2]

Enunciado do Teorema

Seja {} uma sequência de funções holomorfas, definidas em um domínio , e que convergem uniformemente em compactos de para uma função holomorfa não identicamente nula. Se tem um zero de ordem em , existe uma vizinhança aberta de , e tal que para , tem zeros em U. Além disso, conforme , os zeros de convergem para e .[3]

Considerações

  • Deve-se notar que o teorema não vale para qualquer escolha de conjunto aberto no papel de . De fato, se escolhermos um conjunto tal que ( pertence ao fecho de ), o teorema falha. Para exemplificar isto, considere o disco unitário centrado na origem e a sequencia de funções definida por , que converge uniformemente para . Essa função limite contém um zero na fronteira de , i. e. não contem zeros em ; entretanto, cada contém um zero em .
  • Quando dizemos , entende-se que o diâmetro da menor vizinhança de que contém os zeros, converge para zero.

Aplicações

O Teorema de Hurwitz é usado na demonstração do Teorema do Mapeamento de Riemann.[4] Além disso, seguem corolários imediatos:

  • Sejam um aberto conexo e {} uma sequência de funções holomorfas que converge uniformemente em compactos de para uma função holomorfa . Se (nenhuma atinge 0), então é identicamente nula, ou nunca atinge
  • Se {} é uma sequência de funções univalentes que converge uniformemente em compactos de (como definido acima) para uma holomorfa. Então é univalente, ou constante.[5]

Demonstração

Seja uma função holomorfa em um aberto de com um zero de ordem em , e suponha que {} é uma sequência de funções holomorfas que converge uniformemente em compactos para . Sendo holomorfa, sabemos que esse zero é isolado, então tal que para todo , só tem como zero para . Por continuidade, temos que tal que , e da convergência uniforme vem que para suficientemente grande. Isso implica que as funções e estão bem definidas, são holomorfas, e uniformemente em compactos. Usando o Principio do Argumento, vemos que[3]

,

onde é o número de zeros de , e por ser um número inteiro, para grande devemos ter . Note que os argumentos da demonstração não dependem de , podemos fazer , de modo que os zeros de se acumulam em .[6]

Na demonstração, podemos comutar o limite com a integral devido ao teorema da convergência dominada.

Ver também

Referências

  1. Douglas N. Arnold (1997). «COMPLEX ANALYSIS» (PDF). University of Minnesota's School of Mathematics. Consultado em 9 de janeiro de 2014 
  2. Gaston Maurice Julia (15 de março de 2001). «MÉMOIRE SUR L' ITÉRATION DES FONCTION RATIONNELLES» (PDF). Sun Yat-sen University. Consultado em 9 de janeiro de 2014 
  3. a b Ahlfors, Lars V. (1979). Complex analysis: an introduction to the theory of analytic functions of one complex variable. Col: International series in pure and applied mathematics 3d ed ed. New York: McGraw-Hill 
  4. Gamelin, Theodore W. (2003). Complex analysis. Col: Undergraduate texts in mathematics corr. print ed. New York, NY: Springer 
  5. Gamelin, Theodore W. (2001). Complex analysis. Col: Undergraduate texts in mathematics. New York: Springer 
  6. Ahlfors, Lars V. (1979). Complex analysis: an introduction to the theory of analytic functions of one complex variable. Col: International series in pure and applied mathematics 3d ed ed. New York: McGraw-Hill 

Bibliografia

  • Ahlfors, Lars V. (1966), Complex analysis. An introduction to the theory of analytic functions of one complex variable, International Series in Pure and Applied Mathematics 2nd ed. , McGraw-Hill 
  • Ahlfors, Lars V. (1978), Complex analysis. An introduction to the theory of analytic functions of one complex variable, ISBN 0070006571, International Series in Pure and Applied Mathematics 3rd ed. , McGraw-Hill 
  • John B. Conway. Functions of One Complex Variable I. Springer-Verlag, New York, New York, 1978.
  • E. C. Titchmarsh, The Theory of Functions, second edition (Oxford University Press, 1939; reprinted 1985), p. 119.
  • Solomentsev, E.D. (2001), «Hurwitz theorem», in: Hazewinkel, Michiel, Enciclopédia de Matemática, ISBN 978-1-55608-010-4 (em inglês), Springer