Teorema da convergência monótona

Henri Lebesgue

Em matemática, o teorema da convergência monótona é um dos principais teoremas a respeito da integral de Lebesgue.

Enunciado

Seja uma seqüência de funções mensuráveis tal que:

Então é uma função mensurável e:

Em outras palavras, limite e integração comutam: a integral do limite é o limite das integrais.

Note que, para um dado , é uma sequência monótona, portanto converge em se, e somente se, for limitada. Para garantir que sempre converge, define-se que sempre que não é limitada. Ou seja, o codomínio de é , um subconjunto dos reais extendidos.

Demonstração

O limite é mensurável

é mensurável pois para todo temos

Como são, por hipótese, mensuráveis, os conjuntos são mensuráveis, isto é, eles pertencem a uma dada -álgebra sobre . Como -algebras são fechadas por uniões enumeráveis, pertence a essa mesma -algebra. Portanto é mensurável.

Limite e integração comutam

Como , para todo , segue facilmente da definição da integral de Lebesgue que , para todo . Portanto . Resta mostrar a desigualdade inversa, .

Da definição de integral de Lebesgue temos que para todo existe uma função simples que satisfaz e

.

Crucialmente, podemos escolher uma que satisfaz sempre que . Para ver isso, suponha inicialmente que não possui essa propriedade. Para a função é também simples, não-negativa, menor ou igual a e, para algum suficientemente próximo de , claramente satisfaz

.

Portanto poderia ter sido escolhida originalmente no lugar de . Mas claramente satisfaz sempre que , independente do valor de .

Considere os conjuntos . Queremos agora mostrar que

.

Para isso precisamos estabelecer algumas propriedades de . Da motonicidade da sequência temos que . Do fato que sempre que , e que converge para em todos os pontos do domínio, temos que para todo com existe algum tal que . Quando , obviamente temos . Portanto para todo existe algum tal que . Segue que . Considere os conjuntos . Eles são pares-disjuntos ( sempre que ) e . Portanto

.

Além disso, temos

.

Juntando as fórmulas acima segue imediatamente que

,

e como isso vale para qualquer , segue que

.

Isso conclui a prova.

Extensões e Consequências do Resultado

  • A proposição segue valendo se cada uma das desigualdades em vale somente em quase todo ponto, ou seja, quando falha em um conjunto de medida zero.
  • Dada , existem funções simples que convergem pontualmente para . O teorema garante que
  • A demonstração acima utiliza o fato que a integral de funções simples é linear, mas não supões que o mesmo vale para as integrais de funções não-negativas arbitrárias. Podemos usar o teorema para provar que tais integrais são de fato lineares. Se , existem sequências de funções simples e que convergem pontualmente para e , respectivamente. Para , temos

  • Se são funções não-negativas, então as funções satisfazem as hipóteses do Teorema. Segue que

  • A proposicão vale para a sequência pois temos , o que nos dá

.

  • Utilizando o fato que a integral de Lebesgue é linear no espaço das funções que satisfazem podemos concluir o seguinte: se é tal que mas existe função tal que e então

Como podemos somar aos dois lados da equação, temos

Ver também

Referências