Sewu

Sewu (em javanês antigo: Sewu )?, [1] em javanês: ꦱꦺꦮꦸ) é um templo budista Mahayana situado na província de Java Central, na Indonésia, a cerca de 800 metros a norte do complexo de Prambanan. Em javanês, o termo utilizado para designar templos hindus ou budistas é "candi" ( (kaw: caṇḍi )? ), razão pela qual o local é conhecido como "Candi Sewu". Trata-se do segundo maior conjunto de templos budistas do país, sendo apenas superado por Borobudur. O templo de Sewu é mais antigo, e está relativamente perto do templo de Loro Jonggrang, em Prambanan. Apesar de o complexo ser composto por 249 estruturas, o seu nome significa literalmente “mil templos” em javanês, uma designação inspirada numa popular história javanesa, A Lenda de Roro Jonggrang. Os arqueólogos acreditam que o nome original do templo seria Manjusrigrha, em referência ao bodisatva Manjusri. [2] [3]
História
Construção
De acordo com a Inscrição Kelurak (datada de 782 d.C.) e a Inscrição Manjusrigrha (datada de 792 d.C.), que foram descobertas em 1960, o nome original do complexo do templo era provavelmente “Manjusri grha” (A Casa de Manjusri)[4]. Manjusri é um Bodhisatva das doutrinas Mahayana do budismo que simboliza a “glória suave” da sabedoria transcendente (sânscrito: prajñā). O Templo Sewu foi construído no final do século VIII, durante o reinado de Rakai Panangkaran, e concluído no reinado do seu sucessor, o Rei Indra. Rakai Panangkaran (746–780 d.C.) era conhecido como um rei devoto do budismo Mahayana que governava o Reino de Medang Mataram.

O templo Manjusrigrha foi o maior templo budista da região da Planície de Prambanan, anterior ao templo shivaísta de Prambanan nas proximidades por mais de 70 anos e ao de Borobudur por cerca de 37 anos. Localizado no coração de Mataram, o templo serviu como o templo real budista do reino. Cerimónias religiosas solenes realizavam-se aí regularmente. A inscrição Manjusrigrha (792) louva a beleza perfeita do prasāda (templo em forma de torre) deste complexo religioso. O templo Bubrah, situado a algumas centenas de metros a sul, e o templo Gana, situado a leste do templo Sewu, provavelmente serviam como templos guardiães para o complexo Manjusrigrha, guardando as quatro direcções cardinais à volta do templo Sewu. As ruínas do templo Lor, a norte de Sewu, e do templo Kulon, no lado ocidental, estão ambos em mau estado; restam apenas algumas pedras nesses locais. Antes da construção de Borobudur e Prambanan, Sewu provavelmente servia como o principal templo do reino. Os templos estão organizados segundo um traçado de mandala, que simboliza o universo na cosmologia budista.[5]
O templo Sewu provavelmente foi ampliado e concluído durante o reinado de Rakai Pikatan, um príncipe que casou com uma princesa budista da dinastia Sailendra, Pramodhawardhani. A maior parte dos seus súbditos manteve as suas antigas religiões depois de a corte retornar a favorecer o hinduísmo. A proximidade do templo Sewu com Prambanan, um templo hindu, sugere que as comunidades hindu e budista viveram em harmonia durante a era em que os templos foram construídos. A escala do complexo do templo sugere que Candi Sewu era um templo budista real que servia como um importante local religioso.[6] O templo está localizado na Planície de Prambanan, entre as encostas sudeste do vulcão Merapi e a cordilheira da montanha Sewu no sul, perto da actual fronteira da província de Yogyakarta e do distrito de Klaten em Java Central. A planície possui muitos sítios arqueológicos dispersos a poucos quilómetros uns dos outros, o que sugere que esta área servia como um importante centro religioso, político e urbano.
Redescoberta
Embora enterradas profundamente sob os detritos vulcânicos em redor do Monte Merapi[7], as ruínas do templo não foram completamente esquecidas pelos habitantes javaneses locais. No entanto, as origens do templo eram um mistério. Ao longo dos séculos, os aldeãos contavam histórias e lendas impregnadas de mitos de gigantes e de princesas amaldiçoadas. Dizia-se que Prambanan e Sewu teriam origem sobrenatural, e na lenda de Loro Jonggrang afirmava-se que teriam sido criados por uma multidão de demónios sob a ordem de Bandung Bondowoso.[8] Tais contos são muito provavelmente a razão pela qual os templos foram preservados ao longo dos séculos antes da Guerra de Java (1825-1830). Os aldeões locais não ousavam remover nenhuma das pedras do templo, acreditando que as ruínas eram assombradas por seres sobrenaturais.
- ↑ Zoetmulder, P.J. (1982), Old Javanese-English Dictionary (em kawi e inglês), Koninklijk Instituut voor Taal-, Land- en Volkenkunde
- ↑ Gunawan Kartapranata; Septa Inigopatria; Emille Junior (20 de abril de 2015), «Candi Sewu Mandala Suci Manjusrigrha», Harian Kompas via Youtube, consultado em 8 de setembro de 2018
- ↑ Joachim Schliesinger (2016). Origin of Man in Southeast Asia 5: Part 2; Hindu Temples in the Malay Peninsula and Archipelago. [S.l.]: Booksmango. ISBN 9781633237308
- ↑ Copplestone, Louis (1 de novembro de 2024). «Temple-Monasteries, Buddhist Monks, and Architectural Exchange Between India, Java, and Tibet in the Late 8th Century». Religions (em inglês) (11). 1338 páginas. ISSN 2077-1444. doi:10.3390/rel15111338. Consultado em 8 de outubro de 2025
- ↑ Copplestone, Louis. «Temple-Monasteries, Buddhist Monks, and Architectural Exchange Between India, Java, and Tibet in the Late 8th Century»
- ↑ Pertiwi, Ayu Ratna; Hardiyati; Winarto, Yosafat (25 de março de 2020). «Evolution of Hindu–Buddhist Architectural Ornaments Into Javanese Traditional Architecture: Case Study of Sewu Temple». Atlantis Press (em inglês): 119–129. ISBN 978-94-6252-939-7. doi:10.2991/assehr.k.200323.017. Consultado em 9 de outubro de 2025
- ↑ Centre, UNESCO World Heritage. «Prambanan Temple Compounds». UNESCO World Heritage Centre (em inglês). Consultado em 9 de outubro de 2025
- ↑ adminprogram (22 de junho de 2020). «Sewu Temple, The Buddhist Temple Known for The Legend of Roro Jonggrang». Yogyakarta Tourism Portal (em inglês). Consultado em 9 de outubro de 2025