Telheiras

 Nota: Este artigo é sobre o bairro. Para a paragem de metro, veja Estação Telheiras.
Telheiras
Telheiras
I Festival de Telheiras
Gentílico telheirense
Distrito Lisboa
Município Lisboa
Freguesia Lumiar
Carnide
Localização
Coordenadas
Povoações de Portugal

Telheiras é um bairro das freguesias do Lumiar e Carnide, portanto na parte Norte do concelho de Lisboa. O bairro não tem fronteiras físicas consensualmente definidas, correspondendo, pelo menos originalmente, a um “triângulo” de 98 hectares delimitado pelo Eixo Norte-Sul (a Oeste), pela Avenida Padre Cruz (a Leste) e a Avenida General Norton de Matos / 2.ª Circular (a Sul).

História

Telheiras antiga

A zona de Telheiras será habitada pelo Homem desde a Pré-História, em muito devido à sua fertilidade. Os povos celta e lusitano, adoradores do deus Lug, terão construído neste lugar um povoado em redor da antiga capela de São Vicente, tendo esta malha urbana inicial provavelmente dado origem à disposição do núcleo antigo de Telheiras.

É também tido como provável que Telheiras tenha sido habitada por Romanos — a igreja de Nossa Senhora das Portas do Céu poderá ter sido um templo, hipótese apoiada pelo facto de a antiga entrada do local ser exposta a Sul.[1]

O Convento da Nossa Senhora das Portas do Céu

No século XVII, a povoação ganhou alguma notoriedade, quando o príncipe D. João de Cândia, proveniente do Ceilão (actual Sri Lanka) aqui decidiu construir uma Igreja e um Convento para perpetuar a sua memória, aplicando os fundos que a Coroa lhe pagava generosamente.

O núcleo antigo de Telheiras

Antiga capela na Quinta de São Vicente

As mais antigas referências concretas ao povoado de Telheiras (preservado ainda hoje no chamado núcleo antigo — Estrada de Telheiras, antigo Convento e envolvências) estão contidas em documentos dos séculos XVIII e XIX.

Estrada de Telheiras

O lugar é descrito como um conjunto de propriedades agrícolas, bem como de residências de veraneio e recolhimento da nobreza fugida para os arrabaldes da cidade, à semelhança dos aglomerados urbanos de Carnide, Luz e Paço do Lumiar.

Em 1758, nas suas Memórias Paroquiais, o Padre Feliciano Luiz Gonzaga, prior do Lumiar, escrevia que em Telheiras “se [achavam] noventa e dois fogos e quatrocentos e quarenta pessoas”.

Gonzaga descreveu o património religioso existente na zona: o Convento da Nossa Senhora das Portas do Céu, “que sempre passava de vinte religiosos conventuais”; a ermida da Quinta de São Vicente, antiga propriedade dos Condes de Alvito (“do Illustríssimo e Excelentíssimo Conde-Barão”); e a actualmente inexistente ermida de Santo António, na posse de António Francisco George.[2]

As construções presentes nestas quintas caracterizam-se por fachadas de traço rectilíneo e sóbrio, onde apenas se destacam “as molduras de alvenaria dos vãos, das portas, das janelas dos quartos senhoriais e dos portais”. Um exemplar ainda existente é o Solar da Nora, cuja nora ainda se conserva. Funciona hoje neste edifício a parte central da Biblioteca Orlando Ribeiro, renovada em 2003. Anexo a este palácio, está a antiga Capela de São Vicente, que servia como espaço de culto da quinta homónima.[1]

Simultaneamente, fixam-se em Telheiras lavradores e assalariados agrícolas — os chamados “saloios de Tilheiras [sic]”, que trabalhavam nas quintas dos nobres proprietários. Em 1863, no Archivo Pittoresco, era assim descrito por Vilhena Barbosa, num artigo intitulado Fragmentos de um roteiro em Lisboa, o povoado de Telheiras:

Do fim do passeio do Campo Grande partem duas estradas, uma pelo lado direito que vai ao Lumiar, Loures, etc., e a outra segue para a esquerda, e conduz a Telheiras, Nossa Senhora da Luz e Carnide. Deixando a primeira para outra excursão, encaminharemos o leitor pela segunda.

“Telheiras” é uma pequena aldeia de trinta e tantos fogos, com umas cento e cinquenta almas, pertencente à freguesia de S. João Baptista do Lumiar. Tem muitas quintas, algumas com boas casas, mas nenhuma merece menção especial. Tiveram um convento em Telheiras os religiosos de S. Francisco, da província de Portugal, dedicado a Nossa Senhora das Portas do Céu, cujo edifício se acha em bastante ruína. Foi fundado no ano de 1633 por um príncipe asiático, chamado D. João, senhor de Cândia, na ilha de Ceilão, de onde veio para Lisboa, e aqui faleceu em 1642, ao cabo de longa residência. Na igreja deste convento jaz o dito príncipe em túmulo de mármore.[3]

O Bairro Jardim, atravessado pela Alameda Ventura Terra, começou a ser construído em 1923. Na altura, a estrada seria de terra batida, recebendo iluminação apenas depois de 1930, e a água para consumo provinha do chafariz de Telheiras de Cima, onde actualmente existe uma entrada para o Metro. Uma testemunha oral conta que havia comércio local, “onde somente os proprietários serviam moradores, raramente tinham empregados”. Em Telheiras de Cima, havia cerca de “15 lojas e um médico” (Dr. José de Sousa Gomes), e em Telheiras de Baixo, 4 lojas e vários ofícios (“relojoeiro, bordadeira, vendedeira de tachos e alguidares de barro e duas leiteiras”, que vendiam o leite de porta em porta em bilhas de metal).[1]

No século XIX e até meados do século XX, funcionou também na Quinta de São Vicente um restaurante “fora de portas”.[4]

As já referidas quintas de lazer das famílias abastadas de Telheiras eram compostas de duas partes distintas — os terrenos de cultura e a zona da casa e jardim do proprietário. A prevalência de propriedades de tamanha extensão aliada à fraca ligação viária a este lugar dos arredores de Lisboa explica o número tão reduzido de habitantes que Telheiras teve até à década de 1960.[1]

Para uma melhor compreensão dos limites das quintas de Telheiras, poderá ser consultado um mapa da Cartografia História de Lisboa, concebido por Júlio António da Silva Pinto em 1909.

A urbanização de Telheiras

O Plan Masse de Telheiras

Em 1967, o Plano Geral de Urbanização da Cidade de Lisboa (PGUCL) indicava Telheiras como área para fins habitacionais. A Câmara Municipal de Lisboa encomendou o primeiro plano de urbanização do bairro a uma equipa francesa coordenada pelo arquitecto Gilles O’Callaghan, envolvendo as empresas OTAM (Omnium Technique d’Aménagement) e Interlande — Sociedade de Estudos e Programações Lda. A OTAM, dedicada ao planeamento urbano, era então fortemente influenciada pelos ideais do sociólogo e filósofo francês Henri Lefebvre.[5]

Foram apresentados documentos em duas fases distintas:

  1. Programme d’Amenagement de la Maille de Telheiras (Programa de Desenvolvimento da Malha de Telheiras), entregue a 8 de Julho de 1969, mais enquadrado num plano de análise e definição de objectivos e planeamento. Teve o parecer do então Conselheiro da Cidade de Lisboa, Georges Meyer-Heine;
  2. Zone d’ Habitation de Telheiras: Dossier de Plan Masse (Zona habitacional de Telheiras: Plano de Implantação), apresentado a 10 de Abril de 1972, que constitui a proposta final, sendo assim o primeiro plano de ordenamento efectuado para a zona da actual Telheiras.

Este plano inicial procurava atingir um carácter acentuadamente urbano, distinguindo três “redes” de intervenção: uma primária (transversal Nascente-Poente), uma secundária (partindo da transversal e servindo os quarteirões adjacentes) e uma terciária (de ligação aos edifícios).

O projecto foi condicionado por vários obstáculos e infra-estruturas ao redor do “triângulo” onde se insere o bairro – o enquadramento rodoviário (que isolava o bairro), o depósito de água da EPAL (a Norte), as vias interiores e o património da antiga aldeia – a histórica Estrada de Telheiras, o Convento de Nossa Senhora das Portas do Céu, o jardim do palacete Burnay, o “Bairro Jardim” (vivendas alemãs na Avenida Ventura Terra)…

O traçado urbanístico apresentava uma estrutura celular com um sistema viário claramente definido e hierarquizado, em que o estacionamento se distribuía ao longo das ruas segundo o princípio de Radburn, libertando assim o interior das células da presença de veículos. Uma mancha contínua de espaço verde, distribuída pelo plano, envolvia os equipamentos sociais localizados no centro de cada célula. O Plan Masse definiu como núcleo central do projecto o centro da antiga aldeia, ligado a uma zona comercial orientada para o peão e para a vida comunitária. O plano não se limitava à concepção de um parque habitacional, antes se fundamentava na criação de um bairro multifacetado, dotado de equipamentos comerciais, culturais, de lazer e de ensino.

O alojamento seria dividido em quatro tipologias (T2, T3, T4 e T5) e duas categorias principais (habitação social e fogos de promoção privada), com inspiração nos recém-construídos bairros dos Olivais e da Quinta do Morgado. Assim se repartiriam os fogos:

  • Habitação social — 1300 unidades (60% de T2, 30% de T3, 10% de T4), com um rácio de 0,7 lugares de estacionamento por fogo;
  • Fogos de promoção privada — no mínimo 1600 unidades (36% de T2, 34,5% de T3, 21,5% de T4, 8% de T5), com um rácio de 1 lugar de estacionamento por fogo.

Assinale-se ainda que o plano francês abrangia uma área substancialmente maior do que o actual bairro, incluindo toda a zona oriental para além da Av. Padre Cruz até ao limite do aeroporto.

Porém, a situação política e social instável que Portugal vivia na época (a substituição de Salazar por Caetano como Presidente do Conselho de Ministros e, posteriormente, a Revolução dos Cravos) afectou o rumo do projecto de Telheiras, e o Plan Masse de O’Callaghan acabou por ser descartado.[6]

O Plano Urbanístico de Telheiras (Vieira de Almeida)

A nova lei dos solos (Decreto-Lei 576/70) e a criação da EPUL (Decreto-Lei 613/71, de 31 de Dezembro) permitiram “a introdução de novos modelos de ocupação dos terrenos urbanos e a aplicação de sistemas de gestão e de promoção que estavam vedados às câmaras municipais”. Consequentemente, procedeu-se a uma revisão do Plan Masse de O’Callaghan, fortemente baseada no mesmo. Porém, os estudos da equipa do Arquitecto Pedro Vieira de Almeida resultaram num plano estruturalmente novo. Nas palavras do Arquitecto Augusto Pita, integrante do grupo de trabalho:

O modo como a encomenda da revisão foi feita, isto é, por etapas avulsas não programadas, levou a que nas fases iniciais se tivesse procurado não ultrapassar a área atribuída, embora a coerência interna do plano levasse a alterar, em alguns pontos, aspectos do estudo existente para além das fronteiras que tinham sido propostas. O que colocou a equipa na situação incómoda de procurar que os sucessivos planos parcelares por um lado se articulassem com o resto do plano de conjunto existente e por outro que, completada a etapa final, o resultado global não redundasse numa mera adição de estudos parcelares elaborados segundo premissas que não eram “as nossas”. Quer dizer: não foi possível questionar globalmente o plano anterior e acabou por se produzir um plano novo não inteiramente assumido à partida como tal. O que se revelou ter o seu lado positivo, como adiante se referirá. Não obstante este circunstancialismo, podem claramente detectar-se algumas das questões que fundamentalmente estiveram presentes ao longo do trabalho: “a recuperação do Núcleo Antigo de Telheiras, a implantação e vitalização dos percursos pedonais, a tipologia e conceito de rua, a substantivação dos espaços exteriores, o grau prescritor do plano em relação aos edifícios, a proposição de uma linguagem transmissora de exigências formais (esquema de “notação espacial”), a criação de uma “pré-existência” integradora da intervenção arquitectónica, o sistema construtivo subjacente.[7]

Já desde a atribuição do projecto urbanístico ao Arquitecto Vieira da Silva se previa entregar o desenho dos edifícios aos arquitectos Teotónio Pereira, Álvaro Siza Vieira, Manuel Vicente e Raul Hestnes Ferreira. Porém, esta decisão foi contestada por vários trabalhadores da EPUL, que preferiam, por motivos de orçamento e de transparência, dar uso aos recursos humanos qualificados da própria empresa. Este ponto de vista acabou por vingar, após várias assembleias gerais com a administração daquela empresa pública. Assim, a cooperação entre arquitectos e projectistas de uma única empresa poderá até ter facilitado a realização do projecto, respeitando todo o código formal e orientações prévias.[8]

Área de intervenção, acessos e vias

A área de intervenção desejada para o projecto era similar à do Plan Masse de 1972 — o “triângulo” delimitado pela Avenida Padre Cruz (a Este), pela 2.ª Circular (a Sul) e pelo Eixo Norte-Sul (a Oeste). Na verdade, na passagem para o Plano de Pormenor de Telheiras, considerou-se apenas a subzona de Telheiras-Sul, isto é, a área a sul da actual Rua Professor Pulido Valente (63,5 ha). Estas barreiras viárias acabaram por condicionar o plano — várias passagens tiveram de ter sido em conta, como vemos no actual bairro:

  • 2.ª Circular (Sul) — apenas dois viadutos de passagem pedonal, um em direcção ao Estádio Universitário de Lisboa (a Este) e outro em direcção ao bairro da Quinta da Calçada (a Oeste). Não há ligação viária directa;
  • Avenida Padre Cruz (Este) — de Norte para Sul, tem-se:
    • a Rua Professor Vieira de Almeida / Avenida Rainha D. Amélia, que faz a ligação da Rua Prof. Pulido Valente (parte Norte do bairro) até ao Lumiar e Quinta das Conchas;
    • a Rua Professor Fernando da Fonseca, que liga a parte Sul do bairro à zona do Estádio José Alvalade e Alameda das Linhas de Torres;
    • um túnel pedonal e ciclável no prolongamento da Rua Professor Vítor Fontes, que liga a parte Sul de Telheiras à zona da interface do Campo Grande;
  • Eixo Norte-Sul (Oeste) — de Norte para Sul, tem-se:
    • a Rua Professor Abel Salazar, que liga Telheiras-Norte (zona de construção posterior) ao Alto da Faia;
    • a Avenida das Nações Unidas, no prolongamento da Rua Professor Pulido Valente, que liga a parte Norte de Telheiras ao Centro Comercial de Telheiras, ao bairro da Horta Nova e à Praça São Francisco de Assis;
    • a Rua Fernando Namora, no prolongamento da Rua Professor Francisco Gentil, que liga a parte Sul de Telheiras à Quinta dos Inglesinhos, à Escola Secundária Vergílio Ferreira e ao Largo da Luz.
Dados sobre o projecto

O Plano Urbanístico previa a construção de 3300 fogos com capacidade para 14 400 habitantes, e 3500 lugares de estacionamento. As unidades de alojamento seriam divididas por categoria (42% de categoria única, 37% de categoria média e 21% de categoria média-melhorada) e tipologia (8% de T1, 24% de T2, 40% de T3, 22% de T4 e 6% de T5). Outros 300 fogos seriam construídos, mas não sob promoção directa da EPUL.

Planeou-se uma área total de construção de 425 000 , dos quais 83% se destinariam a habitação, 8% a serviços, 6% a equipamento e 3% a estacionamento coberto. A construção foi dividida em 17 células diferentes.[9]

Esta foi a equipa de arquitectos responsáveis pela elaboração do plano:[9][8]

Plano de pormenor (1973-74)
  • Arq. Pedro Vieira de Almeida
  • Arq. Augusto Pita
Promoção e apoio técnico
  • EPUL
Coordenação da implementação do plano (1974-78)
  • Arq. Augusto Pita
Projectos de edifícios (1975-78)
  • Arq. Augusto Pita
  • Arq. Leopoldo Criner
  • Arq. Sérgio Melo
  • Arq. Duarte Nuno Simões
  • Arq. Maria João Cardoso
  • Arq. Rodrigo Rau
  • Arq. Maria Eugénia Cruz
  • Arq. Gabriela Tomé
  • Arq. Maria do Céu Trocado
Centro de dia
  • Arq. Couto de Almeida
Centro cívico
  • Arq. Rodrigo Rau
Grupo escolar
  • Arq. Palma de Melo
Outros arquitectos intervenientes
  • Arq. Marília Noura
  • Arq. Torre do Valle
  • Arq. Gastão Cunha
Concepção estética e funcional
Prédios amarelos (Arquitecto Rodrigo Rau) sitos na Rua Hermano Neves

A equipa do Plano Urbanístico pretenderia redefinir a “tipologia e o conceito de rua”, que os trajectos viários e pedonais fossem interessantes do ponto de vista da forma das próprias vias ou dos edificados. Procurava-se estabelecer um compromisso entre duas tendências urbanísticas:

  1. O conceito de rua-corredor;
  2. As teses da Carta de Atenas.

Assim, Telheiras caracteriza-se pela separação dos imóveis (ao contrário, por exemplo, do bairro de Alvalade ou de qualquer grande avenida lisboeta) e pela existência de espaços e passagens interiores entre os edifícios. Os edifícios não estão no entanto isolados, como em vários bairros projectados de Lisboa (com excepção das torres da célula 8).

Porém, esta tentativa de desconstrução da noção de corredor e quarteirão não foi levada tão adiante, em muito devido ao surgimento de novas tendências minimalistas e sóbrias.

É de assinalar também a intenção do Arquitecto Vieira de Almeida em construir um bairro relativamente diverso, sem nunca se exceder os oito pisos de altura. Em Telheiras, podemos observar vivendas e pequenos edifícios em banda a complementar quarteirões uniformes e torres mais ou menos isoladas — as casas mais baixas estão localizadas junto ao núcleo antigo, a Sul, e na fronteira entre Telheiras-Norte e Telheiras-Sul, enquanto as torres mais elevadas se erguem mais na periferia, a Leste e Oeste.

Estas células-quarteirões não são fechadas, sendo intercaladas por caminhos subtis entre edifícios, quarteirões e espaços verdes, criando-se pequenas praças comuns.

Para orientar os valores de densidade, foi implementada uma grelha (3m x 3m nos planos à escala 1:500 e 12m x 12m nos planos à escala 1:1000). O objetivo era facilitar a gestão do número de habitações e da ocupação, em relação a cada categoria de habitação. Uma “área operacional” garantia um grau de liberdade ao projetista, sem comprometer a visão global do plano.

Passagem pedonal junto à Praça Central, em Telheiras
As ruas e as estradas

À semelhança do Plan Masse de O’Callaghan, é recuperada a ideia de rua como espaço canal do tecido urbano, dando-se ênfase ao percurso do peão. Assim, pretendia-se uma segregação acentuada entre o automóvel e o peão, a tal ponto de se pretender construir uma série de passagens desniveladas percorridas por tráfego na parte de baixo. Porém, não só a necessidade de cortar na despesa mas também receios de insegurança levou a que o plano inicial não fosse efectivamente realizado. Algumas passagens permanecem visivelmente inacabadas — nomeadamente junto à Escola Básica 1 (Rua Hermano Neves) e na zona do actual Restaurante Solar de Telheiras (Rua Professor Francisco Gentil). Outras foram construídas, mas não cumpriram a sua missão final de “enterrar” o tráfego, constituindo apenas partes de jardins e passagens pedonais — o que se verifica, por exemplo, em frente à Escola Básica 2/3 de Telheiras (Rua Professor Vieira de Almeida), ou na zona da Praça Central (célula 14).

As vias de circulação rodoviária internas ao bairro seguem um sistema claramente hierarquizado. A “espinha dorsal” da estrutura de Telheiras é constituída pelas ruas principais: a Rua Professor Vieira de Almeida serve de coluna vertebral para a Rua Professor Pulido Valente e para a Rua Professor Fernando da Fonseca, que cruzam a fronteira de forma directa e ortogonal. A partir destas ramificam-se vias de grau de utilização progressivamente inferior, análogas a ramificações orgânicas, que tendem a terminar em becos sem saída. Para evitar o tráfego, a maioria dos cruzamentos é concebida em T, seguindo o desenho da cidade tradicional referenciado por Camillo Sitte em The Art of Building Cities.

[8][5][10]

Notação espacial

A notação espacial constituiu um método introduzido exclusivamente no Plano de Pormenor de Telheiras, em Lisboa, com a finalidade de estabelecer um código de expressão arquitectónica que incidia sobre as dimensões volumétricas, espaciais e funcionais dos edifícios, articulando a sua forma construída com o espaço urbano.

Os responsáveis pelo plano justificaram a criação deste sistema afirmando:

Procurando introduzir um maior grau de informação na orientação a fornecer aos vários projectistas que serão chamados a trabalhar em Telheiras, favorecendo portanto uma maior liberdade e responsabilidade no desenvolvimento de cada proposta isolada, e ainda procurando propor um grau tão elevado quanto possível de comparticipação por parte da EPUL na coordenação e controle dos diversos projectos, tentou-se criar uma notação que definisse articulações estruturais ao nível do espaço urbano

A introdução da notação espacial foi considerada inovadora no contexto português, dado que ampliava o nível de informação habitualmente fornecido num plano de pormenor. Este sistema era definido por três dimensões distintas:

  1. Características volumétricas dos edifícios: definição de planos de fachada e delimitação dos volumes
  2. Atributos espaciais: concepção dos arruamentos e dos espaços entre os edifícios, de modo a condicionar a sua utilização;
  3. Qualidades de uso: definição da localização de equipamentos e da distribuição das funções urbanas.

As características volumétricas dos edifícios são definidas por quatro atributos avaliados segundo três níveis de intensidade, identificados pelo sombreamento associado — 0, 1, 2, respetivamente, sem sombra, moderadamente sombreado, fortemente sombreado:

Atributos 0 1 2
Inclinação do plano de fronteira

(referente à inclinação da fachada)

inclinado intermédio vertical
Dinamismo volumétrico

(relativo a recortes e protuberâncias, ou à sua ausência)

dinâmico intermédio não-dinâmico
Vitalização e contacto com o exterior

(valorizando a interação entre o espaço interior e exterior)

animado intermédio não-animado
Recorte da cobertura

(avaliando o corte e o movimento na secção superior do edifício)

recortado intermédio não-recortado

Os atributos espaciais descrevem as desvios e alterações a um espaço neutro assumido. Pedro Vieira de Almeida destaca o dinamismo associado a tais atributos, em contraste com a estática das características volumétricas dos edifícios. O conceito de “espaço neutro” e de dinamismo versus estática como atributos do espaço já haviam sido discutidos na sua teoria espacial (CODA — Ensaio sobre o Espaço da Arquitectura[11]), relativamente à teoria do espaço como campo de tensão e à sua manipulação através da colocação de corpos dentro ou ao redor dele. Nas áreas de descompressão, pode-se discernir a zona de influência exercida por um corpo sobre um espaço alargado, enquanto as áreas de compressão estão intimamente relacionadas com o conceito de “enclosure” de Gordon Cullen. As “barreiras espaciais” e “núcleos fortemente acentuados quer por características formais quer por características de uso” evocam os conceitos de barreira e nó de Kevin Lynch.

As qualidades de uso atendem a como o espaço é utilizado pelo peão, englobando passagens inferiores e superiores servidas por pontes e túneis, os cruzamentos de edifícios e secções de caminho mais inclinada.

Os autores do plano reconheceram que o sistema não se constituía como uma linguagem analítica de rigor absoluto, sendo antes “aproximativa, inexacta, redundante em alguns aspectos, e até contraditória noutros”.

A proposta gerou, contudo, controvérsia entre projectistas. O arquitecto Manuel Vicente, em entrevista incluída no livro Arquitectura Falada – O Exercício da Palavra, estabeleceu uma analogia com experiências de “tratamento das fachadas” na Avenida José Malhoa:

Claro, mas ele referia-se a um certo modelo que penso presidiu muito à feitura da Avenida Malhoa […] aquilo é bastante parecido com o que ele tinha no Plano de Telheiras; "este é fechado, aquele é opaco, aquele é transparente e o outro é menos transparente e o outro é mais não sei o quê"; umas ideias de mutações do espaço e da vibração do espaço através das fachadas. […] Pessoalmente, ‘não é a minha chávena de chá’. Mas é muito aquele programa como se a arquitectura fosse uma espécie de ‘massa de pasteleiro’; dás um murro aqui, sobeja dali e dás um murro acolá e sobra daqui […]. Pessoalmente, não é o meu modo de desenhar arquitectura, não me interessa, nunca senti essa necessidade…[12]

Na prática, a aplicação do sistema conduziu a edifícios de volumetria recortada, com avanços e recuos, zonas de sombra e de luz. Este resultado contrastava com a estética minimalista que começava a afirmar-se através da escola do Porto, marcada pela sobriedade formal. A contestação de alguns projectistas levou a que o sistema não fosse integralmente cumprido, mas a maior parte das construções realizadas no âmbito do plano reflectem ainda as regras definidas, tanto na organização das fachadas como na própria implantação.

O arquitecto Augusto Pita, em entrevista à revista Arquitectura de 7 de Agosto de 1980, destacou que a dinâmica decorrente deste processo valorizava o resultado final, sem comprometer os princípios que tinham presidido à introdução da notação espacial nos planos de pormenor.[8]

O fracasso da pré-fabricação

Em Telheiras, ensaiou-se a introdução da pré-fabricação no sector habitacional português, apesar de este contexto ser considerado pelo Arquitecto Vieira de Almeida pouco favorável e necessitado de reforma. O plano previa que as fachadas fossem compostas por painéis pré-fabricados assentes numa estrutura de betão, solução que pretendia simultaneamente uniformizar a linguagem arquitectónica das várias equipas e criar uma atmosfera semelhante à de núcleos urbanos de formação orgânica. A escolha deste sistema construtivo visava ainda separar a flexibilidade do espaço interior da definição exterior, reservando a distinção entre diferentes categorias de habitação para o nível dos acabamentos — quer nos materiais, quer no grau de conclusão na entrega ao proprietário. Apesar das intenções estéticas e operacionais, a aplicação prática do sistema revelou-se infrutífera, acabando Telheiras, tal como outros empreendimentos contemporâneos, por recorrer sobretudo a métodos tradicionais de construção.

Implementação do plano
As 17 células do Plano de Pormenor de Telheiras

Grande parte dos terrenos abrangidos pelo plano da EPUL eram propriedade da CML, sendo os restantes terrenos pertencentes ao projecto assinalados como terrenos a expropriar — com algumas excepções, como os terrenos da Quinta de S. Vicente, do depósito da EPAL e da Escola Alemã. Vários fogos e espaços destinados a serviços foram alienados, procedendo-se a venda ao público e o realojamento. Algumas novas habitações do bairro acabaram também por acolher moradores antigos de Telheiras.

As Células 8–15 foram as primeiras a ser construídas, constituindo a parte norte de Telheiras-Sul, enquanto as Células 1–7, 16 e 17, edificadas posteriormente, compõem a zona sul. A cada equipa foi atribuída a concepção do desenho de cada célula, em Telheiras, de acordo com as suas preferências e vocação. Esta forma de gestão permitiu maior eficiência e agilidade, e incentivou a diversidade formal do bairro.

O traçado de Telheiras distingue-se de Alvalade e Olivais por não se limitar a células isoladas: embora estas funcionem como sub-unidades, o plano é concebido de forma integral, considerando relações internas e externas às células. Segue a teoria de Christopher Alexander da “cidade como rede” e depende de intensa comunicação entre equipas, tendo o espaço público como elemento central, que conecta os edifícios e unifica o bairro, sendo também a principal motivação do arquitecto.[5]

Dificuldades financeiras da EPUL obrigaram à venda de terrenos sem projecto em concurso. Por isso, é possível observar a existência de vários imóveis de construção privada inseridos no perímetro de Telheiras mas não integrados na linguagem do Plano Urbanístico — são o caso da “banda habitacional a Sul da célula 8, com o edifício da zona Norte da célula 16 e com as torres a Norte da célula 15”.

A primeira fase de venda de fogos habitacionais em Telheiras começou com as bandas do Arquitecto Leopoldo Criner na zona Nascente da célula 13. Uma delas foi vendida a uma cooperativa; a outra comercializada via concurso público pela EPUL, sendo os remanescentes entregues por venda directa.

A Câmara Municipal de Lisboa construiu uma série de pequenas moradias do lado Norte da Rua Professor Pulido Valente com o intuito de alojar os arrendatários de vários edifícios antigos que tiveram de ser demolidos, passando estes a ser inquilinos da própria autarquia. Foram ainda lá realojados moradores do Martim Moniz (Rua Marquês do Alegrete), onde se construiu um edifício do Arquitecto Bartolomeu da Costa Cabral. Este conjunto habitacional está implantado num declive, e as casas são acessíveis através de escadarias transversais à rua principal.

Integrava o plano a demolição do Bairro Jardim (vivendas alemãs, células 6 e 7) e da zona histórica de Telheiras (célula 3) — porém, estas áreas foram mantidas, recuperando-se as mesmas e levando-se a cabo alguma construção nova. Isto deveu-se não só a precauções financeiras (decorrentes da necessária indemnização dos proprietários) mas também pelo esforço de preservar aquele centro antigo. Mantiveram-se elementos antigos como noras, poços, tanques e os edifícios pré-existentes (convento e solares) e estes foram integrados “de maneira viva e não-museológica o núcleo chamado Telheiras-Velho como embrião de uma vida já existente”. A zona da Estrada de Telheiras, nos seus 700 metros de comprimento, surge como espinha-dorsal histórica do que veio a ser o bairro, sob a forma de uma via pedonal pacata. Este eixo, que liga a Biblioteca Orlando Ribeiro à estação de metro e possibilita o acesso às zonas adjacentes à célula 3, parece assim coincidir com a visão de promenade de Christopher Alexander. [10][7]

Para se garantir que Telheiras obedecia fielmente ao seu Plano Urbanístico, a nível de qualidade dos arruamentos e espaços públicos, optou-se pela execução deste tipo de infra-estruturas antes dos edifícios. No entanto, a construção dos edifícios frequentemente danificava estes espaços, exigindo correcções dispendiosas. Paralelamente, a reestruturação das empresas de construção, com a substituição de operários qualificados por sub-empreiteiros, comprometeu a qualidade final das obras, dificultando o controlo e o cumprimento dos projectos.

Elaborado nos anos 1970, o plano de Telheiras revelou previsões insuficientes para o estacionamento público e privado, agravadas por restrições orçamentais que limitaram a construção de parques subterrâneos. Algumas soluções pontuais foram adoptadas, nomeadamente nas células 6 e 7 (Bairro Jardim), 12, 14 e 15. Para mitigar o problema, foi convertida a zona non ædificandi adjacente ao Eixo Norte-Sul, na célula 8, numa grande área de estacionamento público em substituição de um jardim inicialmente previsto. [13][10][8]

Serviços e equipamentos

À semelhança da crença de Leo H. Klaasen de que os equipamentos sociais enquadram o indivíduo no todo urbano, o Arquitecto Vieira de Almeida parece atribuir-lhes uma importância igual ou superior à da habitação – os equipamentos articulam-se com a cidade e determinam a sua saúde ou estagnação.

A relevância dos equipamentos educativos na estrutura do bairro não é original, sendo visível por exemplo em Alvalade. Porém, ao contrário de naquele bairro, aqui as escolas não assumem uma posição central (à imagem do conceito de unidade de bairro de Clarence Perry) e em vez disso surgem distribuídas por toda a área de intervenção, quase como vértices:

  • A Norte, tem-se a Escola Básica 2/3 de Telheiras, voltada para a Rua Professor Mário Chicó, transversal à Rua Professor Pulido Valente;
  • A Sudeste, tem-se a Escola Alemã de Lisboa, junto à Rua Konrad Adenauer e à Rua Professor Francisco Lucas Pires, que se ligam transversalmente à Estrada de Telheiras e à Rua Professor Fernando da Fonseca;
  • a Sudoeste, têm-se a Escola Básica de Telheiras (1.º ciclo) e o Jardim de Infância de Telheiras, em frente à Rua Hermano Neves, transversal à Rua Professor Francisco Gentil. Praticamente adjacente a este parque escolar, existe ainda a Escola Básica S. Vicente, separada apenas a Poente pelo Eixo Norte-Sul e acessível pela Rua Professor Francisco Gentil / Rua Fernando Namora.

Esta disposição dispersa terá tido o objectivo de permitir aos encarregados de educação levarem os educandos a diferentes escolas próximas, vitalizando-se o bairro como um todo. A nível de arquitectura, cada espaço caracteriza-se “não como um edifício, mas como uma composição de volumes”, no seguimento de toda a teoria urbanística aplicada ao bairro.[5][7]

O plano da EPUL chegou a contemplar uma série de serviços e equipamentos que acabaram por não ser construídos:

  • Centro comercial — previsto para a Célula 3, com três a cinco pisos, seria um dos pontos vitais da vida social de Telheiras. Ao contrário de Olivais Norte e Sul, onde espaços centrais foram cedidos a edifícios institucionais, aqui optou-se por habitação baixa com lojas no rés-do-chão, um café-esplanada (actual Padaria Portuguesa) e um jardim. O centro comercial acabou por ser construído fora do limite do Eixo Norte-Sul;
  • Centro cívico — projectado para a Célula 14, integraria habitação, escritórios, salas de exposição, cinema, biblioteca, área comercial, restaurantes e um grande anfiteatro ao ar livre. O desenho incluía circulações em diferentes níveis, articuladas com a topografia, e procurava abrir uma perspectiva para Telheiras Velho, conferindo à zona um carácter arquitectónico mais marcado;
  • Equipamentos culturais e desportivos — a Célula 16 deveria acolher piscinas e campos de jogos, mas o projecto foi abandonado com o argumento de que o complexo desportivo do Sporting Clube de Portugal bastava para suprir as necessidades da população local;
  • Posto de combustível — planeado para a Célula 15, junto à Rua Professor Fonseca, acabou inviabilizado pela oposição da ART e de outros moradores.

Posteriormente, no início do século XX, o bairro recebeu mais um equipamento social — a Biblioteca Orlando Ribeiro, inaugurada em 2003 e integrada no núcleo histórico de Telheiras, no antigo Solar da Nora, edifício do século XVIII. Em 2002 iniciou-se a sua reabilitação e ampliação, concluída em 2003 com a construção de um novo corpo. O projecto foi desenvolvido pelo arquitecto Duarte Nuno Simões. O conjunto é composto por dois edifícios: o Solar da Nora, a nascente, e o novo edifício, a poente, ligados por um pátio central e por uma ponte pedonal coberta. O espaço inclui salas de leitura para adultos e crianças, recepção, auditório com 140 lugares, áreas técnicas e administrativas. Na arquitectura preservaram-se elementos originais, como janelas e cantarias setecentistas, integrando-se materiais modernos como lioz, madeira de riga, vidro temperado e estruturas em betão armado. Ambos os edifícios dispõem de sistemas de climatização, ventilação, iluminação e segurança.

Telheiras actual e zonas de expansão

O bairro atraiu essencialmente jovens licenciados, com boas perspectivas de carreira, que rapidamente constituíram numerosas famílias. Daqui vem a designação “Bairro de Doutores” que lhe é conotada.

Ao longo das décadas que se seguiram à construção de Telheiras, no perímetro urbano definido pelo plano do Arquitecto Pedro Vieira de Almeida, verificou-se uma especulação imobiliária incrível na zona, graças à elevada procura. Várias empresas privadas têm então adoptado a designação do bairro na promoção de fogos imobiliários a Oeste de Telheiras e do Eixo Norte-Sul (Parque dos Príncipes, Quinta dos Inglesinhos e Horta Nova, junto a Carnide) e a Norte da Rua Professor Pulido Valente (Alto da Faia I, II e III, e zonas contíguas ao Paço do Lumiar). A amplitude leste-oeste da área urbana a que se chama vulgarmente Telheiras praticamente duplicou.

A diferença de linguagem urbanística entre estas áreas de expansão e a Telheiras propriamente dita é, porém, assinalável. A zona Oeste é caracterizada por prédios muito mais altos e em banda, mas de alta qualidade arquitectónica (é excedido o limite de oito andares que conferia a Telheiras o estatuto de bairro low-rise high-density). A zona Norte, especialmente o Alto da Faia, é definido por um conjunto de prédios muito similares entre si. Ambas as urbanizações têm em falta os conceitos de praça e espaços comuns tão aplicados no bairro “original”.

Actualmente, a população de Telheiras, apesar de ter envelhecido desde os anos 70, é ainda uma população jovem, no quadro municipal da cidade de Lisboa.[8]

Património

Personalidades ilustres

Equipamentos públicos

  • Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro e Auditório
  • Associação de Residentes de Telheiras (ART)
  • Jardim de Infância de Telheiras (pré-primária)
  • Escola Básica nº57 (1.º ciclo do EB)
  • Escola Primária do Alto da Faia (1.º ciclo do EB)
  • Escola E.B. 2+3 de Telheiras nº1 (2.º e 3.º ciclos do EB)
  • Escola E.B. 2+3 São Vicente (1.º, 2.º e 3.º ciclos do EB)
  • Escola Profissional de Animação Cultural de Lisboa
  • Escola Alemã de Lisboa (pré-primária a Ensino Secundário)
  • Colégio Planalto
  • Colégio Mira Rio
  • Campo Desportivo Multiusos do Alto da Faia
  • Agrupamento de Escuteiros de Telheiras
  • Escola de Condução de Telheiras (actualmente Segurança Máxima)

Acessibilidades

As acessibilidades de Telheiras são, de facto, uma das mais-valias desta área do bairro, sendo que Telheiras Sul beneficia das melhores acessibilidades. Encontra-se rodeado de vias rápidas (2ª Circular, Eixo Norte-Sul, avenida Padre Cruz) que facilmente encaminham os moradores para qualquer área de Lisboa e mesmo para as Autoestradas fora da cidade.

A nível interno, Telheiras Sul beneficia da estação Telheiras, da Linha Verde do Metropolitano de Lisboa, e da passagem de três carreiras da Carris (747, 767 e 778). A primeira liga o Campo Grande à Pontinha e atravessa Telheiras; a segunda vem das Avenidas Novas, atravessa Telheiras e o Parque dos Príncipes e segue para a Reboleira; a terceira vem do Campo Grande, atravessa Telheiras e dirige-se para o Alto da Faia, terminando no Centro Colombo. Existe igualmente uma praça de Táxis em Telheiras Sul, numa das ruas centrais.

Enquanto Telheiras Sul beneficia desta confluência de acessibilidades, o Alto da Faia I apenas beneficia da carreira 778 e o Alto da Faia II e III beneficiam da carreira 703, que vem de Benfica e segue para a Ameixoeira e para a Charneca.

Comércio e serviços

Distribuídos um pouco por todo o bairro, os estabelecimentos comerciais constituem uma outra mais-valia do bairro. O "comércio de rua" anima e movimenta as ruas de Telheiras. A diversidade satisfaz as necessidades básicas, pela existência de mercearias, padarias, papelarias, etc. e de dois supermercados de grande superfície. Os serviços estendem-se da restauração às empresas imobiliárias, das agências bancárias, aos serviços estéticos. Destaca-se, pela quantidade de movimento, a "Rua dos Cafés", também conhecida como "Docas Secas". São muitas as pessoas de fora do bairro que frequentam os cafés de Telheiras, especialmente em horário noturno e aos fins-de-semana.

Agrupamento de Escuteiros de Telheiras

A 15 de Janeiro de 1978, entra em funcionamento o Agrupamento em formação de Telheiras, apadrinhado pelo Agrupamento 66 do Lumiar. Mas, só em 1983, a 30 de Novembro foi oficialmente filiado no Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português recebendo o número 683. Nessa altura o seu efetivo era de: 6 Lobitos, 16 exploradores, 10 Caminheiros e 5 Dirigentes.

O agrupamento 683 de Telheiras conta atualmente com mais de 100 elementos, e é a maior e a mais antiga associação juvenil de Telheiras com atividade ininterrupta desde 1978. A sede do agrupamento 683 de Telheiras é contígua à actual igreja paroquial de Telheiras.

Associação de Residentes de Telheiras (ART)

Em 1988, numa fase em que ainda se procedia à construção do bairro por parte da EPUL, nasceu a Associação de Residentes de Telheiras (ART), com objetivos urbanísticos e ambientais. Contabiliza quase 30 anos de existência, tem sede própria e, para além de tentar defender os interesses dos moradores, oferece um considerável leque de atividades à população, de âmbito cultural, desportivo, recreativo e informativo.

Viver Telheiras

O Viver Telheiras é uma plataforma de comunicação e informação desenvolvida em articulação com a Parceria Local de Telheiras, cujas instituições integrantes são a sua principal fonte de informação. O Viver Telheiras divulga toda a riqueza e diversidade de Telheiras, para criar novas relações entre todos os intervenientes locais: os que vivem, os que trabalham, as instituições e o comércio local.

Referências

  1. a b c d ROGRIGUES VAZ. «Telheiras, A Aldeia dos Licenciados: Achegas para Memória Futura». Junta de Freguesia do Lumiar. Jornadas Histórico-Culturais do Lumiar (I): 16 
  2. MATOS, Alfredo de (1974). Lisboa em 1758: Memórias Paroquiais de Lisboa. Lisboa: Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa. 5.º: Lugar de Telheiras em que se acham noventa e dois fogos e quatrocentos e quarenta pessoas 10.º: O Convento que se acha nesta freguezia he hum só de Relegiozos de Sam Francisco e da sua Ordem em o lugar de Tilheyras que sempre passava de vinte Relegiozos conventuaes: o seu fundador foy o princepe Dom Joam de Cândia, que sendo jurado rey do reyno deste titolo esteve obrigado a deicha lo, fugindo a perceguiçam da violenta guerra, que lhe fez hum tirano arrenegado, e veyo buscar amparo nos Relegiozos de Sam Francisco que estavam no Estado da India, os quaes o defenderam das hostilidades do seu inimigo, e o instruhiram nos mistérios da nossa Sancta Fé; e dilatado naquele estado, e ensino por quinze annos em companhia de Dom Filipe, seo sobrinho, e neto do rajá, rey de Cota, a quem os Portuguezes haviam prezionado em huma guerra, vieram para este reyno e cidade de Lisboa no anno de mil seiscentos e quarenta e dous, no reynado de Felipe segundo (sic), adonde assestiram no Convento de Sam Francisco da Cidade. O sobrinho falesceo em Coimbra adonde passou para estudar, e o princepe Dom Joam de Cândia passou a Madrid adonde acrescentando as suas rendas, renunciou nas mãos de El Rey o seu reyno ordenando ce sacerdote, e Sua Majestade lhe deo as honras de grande de Espanha. Com estas honras e rendas, se restituhio a Lisboa e para se mostrar agradecido ao grande amor que tinha devido aos Relegiozos de Sam Francisco lhe fundou o Convento no lugar de Tilheyras nesta freguezia do Lumiar, e colocou na Igreja a imagem de Nossa Senhora da Porta do Ceo de que o Convento tomou a invocaçam, única deste titulo em Portugal, e a segunda de Espanha; nele assestiram sempre sinco Religiozos na sua vida, mas sem ordem nem forma de clauzura, athe que falescendo o dicto princepe na sua caza da Corte no primeiro de Abril de mil seiscentos e quarenta e dous, da idade de sessenta e quatro annos, se fechou o Convento em clauzura como Oratorio, e prezidencia e depois se erigio em guardiania em que hoge existe. Este Convento e Igreja totalmente se arruinou com o terremoto, mas ainda se vem quazi em pé as duas sepulturas altas, e de boas pedras que o dito princepe mandou fabricar para si e para seo sobrinho. A imagem da Senhora he de estatura grande e tem na mam por insígnia huma chave de prata. Foy munto milagroza como consta de vários prodígios que se autenticam, e se concervam as suas memorias: Tem huma grande Irmandade de que sempre sam Juizes Suas Magestades. Os Religiozos se acham hoge acomodados junto do mesmo Convento em huma barraca, em que fizeram huma piquena Igreja com tres altares. 13.º: As Ermidas que se acham nesta freguesia sam em o lugar de Tilheyras duas, huma de Sam Vicente em a quinta do Illustrissimo e Excelentissimo Conde de Baram sendo elle administrador de huma capella que foy instituhida na mesma , outra na quinta de Antonio Francisco George, de Sancto Antonio; ……………… LUMIAR 4 de Mayo de 1758 O Prior, Feliciano Luiz Gonzaga  line feed character character in |citacao= at position 95 (ajuda)
  3. Vilhena Barbosa (1863). «Fragmentos de um roteiro em Lisboa». Castro Irmão & Ca. Archivo pittoresco: semanário illustrado (Tomo VI) 
  4. Dicionário da História de Lisboa. Sacavém: Carlos Quintas & Associado - Consultores, Lda. 1994. pp. 901–902 
  5. a b c d SEQUEIRA JOSÉ, Emilija Egle (Junho de 2023). Telheiras: New Town Intown (PDF). Lisboa: Instituto Superior Técnico (Universidade de Lisboa) 
  6. O’Callaghan, Gilles (1970). Plan Masse de Telheiras – Plano de Ordenamento. Lisboa: CML 
  7. a b c PITA, Augusto, Telheiras Sul – Plano de Pormenor, Arquitectura, nº 137, Lisboa, 1980, p.48
  8. a b c d e f MELO, Sérgio (2013). Telheiras: Conteúdo e Continente (PDF). Lisboa: Instituto Superior Técnico (Universidade de Lisboa) 
  9. a b Ressano Garcia Lamas, José (1980). «PU Telheiras - Indicadores urbanísticos». Casa Viva, Editora. Revista Arquitectura (137) 
  10. a b c Tostões, Ana (2021). Lisboa Moderna. Lisboa: Docomomo International / Circo de Ideias. pp. 102–117 
  11. VIEIRA DE ALMEIDA, Pedro. CODA — Ensaio sobre o Espaço da Arquitectura. [S.l.]: Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto 
  12. VICENTE, Manuel (Maio de 2012). Arquitectura Falada – O Exercício da Palavra. Casal de Cambra: Atalho/Caleidoscópio. pp. 99–100 
  13. Plano de Urbanização de Telheiras. Lisboa: EPUL / CML. 1975 
  14. Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa n.º7, 1.º Trimestre de 1984.

Ligações externas