Tantras
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Tantras Sutras ("teares" ou "tecelagens") se referem a numerosas e variadas escrituras que pertencem a qualquer uma das várias tradições esotéricas enraizadas na filosofia do hinduísmo e do budismo. Os tantras são, no total, noventa e duas escrituras, em que sessenta e quatro são puramente Ābheda (literalmente, "sem diferenciação") ou Tantras do Xivaísmo da Caxemira, dezoito são Bhedabheda (literalmente, "com diferenciação e sem diferenciação" ou monístico com dualístico), conhecidos como os Shiva Tantras. Os últimos dois (Rudra Tantras e Shiva Tantras) são usados pelos seguidores do Śaiva Siddhanta, e, portanto, às vezes chamados de Śaiva Siddhanta Tantras, ou Śaiva Siddhanta Āgamas.[1]
Enquanto prática filosófica, refere-se a um conjunto específico de doutrinas e práticas religiosas comuns às tradições dármicas, que remontam pelo menos ao século VII. Embora seja difícil de definir, em linhas gerais baseia-se numa visão de mundo fundamentada na ideia mística da correlação entre o macrocosmo e o microcosmo, expressa na unidade Brahman-Atman dos Upanishads. Ao mesmo tempo que herda as tradições védicas, também as minimiza ou nega a depender dos escritos. Reconhece um princípio supremo absoluto e busca alcançar a libertação durante a vida por meio da fusão e união com Ele. É um sistema esotérico de doutrinas e práticas que afirmam e controlam livremente o mundo presente. Suas práticas, incluindo atos tipicamente proibidos na sociedade convencional, como o consumo de carne, álcool e relações sexuais com parceiros de castas consideradas inferiores, eram consideradas extremas e perigosas.[2]
O hinduísmo classifica os Tantras como Shrutis revelados pelo deus Xiva em forma de Svacchandanath, que criou cada tantra como uma combinação de suas cinco energias universais: cit shakti (energia da oniconsciência), ānanda śakti (energia da felicidade completa), īccha śakti (energia da vontade completa), jñāna śakti (energia do conhecimento completo) e kriya śakti (energia da ação). O Tantrika Parampara pode ser considerado paralelo ou entrelaçado com o Vaidika Parampara. Diz-se que Svacchandanath iluminou o universo, começando o Sat Yuga através da revelação desses tantras. Com o passar do tempo, enquanto os grandes mestres do tantra se escondiam para escapar do toque da crescente população mundana, esses ensinamentos foram perdidos durante o Kali Yuga. Como parte da graça de Xiva, Xiva tomou a forma de Śrikanthanatha no monte Kailasa, revelou esses tantras ao Durvasa Rishi, e então desapareceu no éter.[3] O termo também é usado para se referir às escrituras que ensinam a doutrina de Shakti (comumente associadas ao poder sexual), uma dinâmica feminina comparada à consorte divina Shiva.[4]
Segundo a tradição Nath, a lenda atribui a origem do tantra a Dattatreya, um yogi semi-mitológico e o autor presumido do Jivanmukta Gita ("Canção da alma liberada"). Matsyendranath é creditado com a autoria do Kaulajnana-nirnaya, um volumoso tantra do nono século que lida com assuntos místicos e mágicos, e ocupa uma importante posição na linhagem tântrica hindu, e também no budismo tibetano Vajrayana.
Os tantras budista e hindu, apesar de terem muitas similaridades vistos de fora, possuem, certamente, claras distinções. O tantra budista é particular da escola de budismo Vajrayana, e se espalhou a partir do norte da Índia, principalmente ao Tibete. Também teve certa influência no budismo chinês e japonês (notavelmente, Shingon). Habitualmente, no budismo, trata-se de um nome comum para as escrituras esotéricas posteriores que foram estabelecidas na Índia medieval, principalmente a partir do século VIII. Tantra às vezes é amplamente considerado como se referindo a todas as escrituras esotéricas.
Em contradistinção ao ritual Vaidik, que é tradicionalmente realizado ao ar livre, sem ídolos nem emblemas, o ritual tântrico é geralmente associado a templos e ídolos. Os tantras são, principalmente, descrições e especificações para a construção e manutenção de templos, junto com os seus ídolos e lingas. Um exemplo desse tipo de texto é o Ajita Mahaatantra. [1] [2] [3] [4] Outra função era a conservação, como segredos, dos textos, para uso da realeza, a fim de manter a autoridade nos rituais direcionados a deidades controladoras dos assuntos políticos -- um exemplo disso é o Saarada-tilaka Tantra. [5] [6] [7]
Contemporaneamente, a ideia de "Tantra" passou a ser associado a um modelo de "sexo espiritual", algo que advém de uma reinterpretação e reformulação ocidental moderna do Tantra tradicional. Tais práticas utilizam do orgasmo sexual tanto para intensa satisfação física quanto para transcendência espiritual e mental. É, portanto, uma reinterpretação erótica que combina sexo e meditação, por vezes criticada pela leitura exótica que possui. [5]
Ver também
Referências
- ↑ Lakshmanjoo, Swami (2003). Kashmir Shaivism: The Secret Supreme (em inglês). Delhi: Universal Shaiva Fellowship. 176 páginas. ISBN 1-58721-505-5
- ↑ Urban, Hugh (2003). Tantra: Sex, Secrecy, Politics, and Power in the Study of Religion (em inglês). [S.l.]: University of California Press (publicado em 14 de outubro de 2003). 390 páginas. ISBN 9780520230620. Consultado em 16 de janeiro de 2026
- ↑ Dhallapiccola, Anna (2002). Dictionary of Hindu Lore and Legend (em inglês). [S.l.]: Thames & Hudson. 232 páginas. ISBN 9780500510889
- ↑ Walker, Benjamin (1982). Tantrism: Its Secret Principles and Practices (em inglês). [S.l.]: Aquarian Press. 176 páginas. ISBN 9780850302721
- ↑ Urban, Hugh B. (2022). 45 - Modernity and Neo-Tantra (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press (publicado em 18 de agosto de 2022). ISBN 9780197549889. Consultado em 16 de janeiro de 2026
