Tangara vassorii
| Tangara vassorii | |
|---|---|
| |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Família: | Thraupidae |
| Gênero: | Tangara |
| Espécies: | T. vassorii
|
| Nome binomial | |
| Tangara vassorii (Boissonneau, 1840)
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Tangara vassorii é uma espécie de ave da família dos traupídeos. No inglês é conhecida como "blue-and-black tanager".
Adultos medem, em média, 13 cm de comprimento e pesam 18 g, sendo predominantemente azuis com máscaras, asas e caudas pretas. A espécie apresenta leve dimorfismo sexual, com as fêmeas sendo ligeiramente menos brilhantes que os machos.
Indivíduos da espécie T. vassorii se alimentam de frutos e artrópodes, com preferência por frutos do gênero Miconia. Forrageiam em bandos mistos, geralmente em pares ou grupos de 3 a 6 indivíduos, especialmente com espécies dos gêneros Iridosornis ou Anisognathus.
O período de reprodução da espécie é de fevereiro a agosto, quando constroem ninhos em forma de taça com musgos e pequenas raízes.
Taxonomia e sistemática
A espécie foi descrita pela primeira vez como Tanagra (Euphone?) vassorii por Auguste Boissonneau em 1840.[1] O nome genérico Tangara vem da palavra tupi tangara, que significa "dançarino". O epíteto específico vassorii homenageia o francês coletor M. Vassor.[2] "Blue-and-black tanager", no inglês, é o nome comum oficial designado pela União Internacional dos Ornitólogos.[3]
T. vassorii é uma das 27 espécies do gênero Tangara.[4]
Subespécies
Há três subespécies reconhecidas da espécie T. vassorii,[3] diferenciadas principalmente por variações na plumagem.[4]
- T. v. vassorii (Boissonneau, 1840): Subespécie nominada. Encontrada do sul da Venezuela ao norte do Peru.
- T. v. branickii (Taczanowski, 1882): Encontrada do centro do Peru à Bolívia. Similar à nominada, mas com topo e laterais da cabeça em azul-esverdeado opaco, tingido de cinza.
- T. v. atrocoerulea (Tschudi, 1844): É encontrada dos Andes do norte do Peru ao sul do Amazonas e La Libertad. Distingue-se por um tom de azul mais claro, uma mancha amarelada, às vezes branca, na nuca, e listras pretas no peito. Algumas autoridades a consideram uma espécie distinta.[4][5]
Descrição
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Tangara vassorii é uma espécie de tamanho médio para o gênero, com comprimento médio de 13 cm e massa de 18 g. Apresenta leve dimorfismo sexual, com fêmeas ligeiramente menos brilhantes que os machos. Machos adultos são predominantemente azul-cobalto com uma máscara preta. As penas das asas e da cauda são pretas com bordas azuis. Subadultos são majoritariamente cinzentos, com asas, caudas e loros pretos. O bico é muito curto em comparação com outras espécies de Tangara. A íris é marrom, o bico é preto, e os pés são cinza-vinho.[4]
A espécie pode ser confundida com indivíduos de Diglossa cyanea, mas distingue-se pelo olho marrom, maior quantidade de preto nas asas e bico mais curto e grosso. Populações da subespécie atrocoerulea podem ser confundidas com a espécie Chalcothraupis ruficervix [en], mas são diferenciadas pelo dorso mais preto e ausência de partes inferiores canela.[4]
Vocalizações
As vocalizações da espécie incluem um "tsit" agudo e fino, um "swit" ligeiramente mais grave, um "swit-swit-swit" repetido e um "SWIT-it" forte. O canto é uma série de 2 a 3 segundos de notas agudas rítmicas, começando lentas e acelerando em um trinado "zieeu-zie-zie-zizizizee", emitido a cada 15 segundos.[4]
Distribuição e habitat
T. vassorii é encontrada nos Andes da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, onde habita florestas montanhosas perenes, florestas anãs [en] e florestas secundárias em altitudes de 1.500-3.500 m. Essa espécie ocorre na maior altitude entre as espécies do gênero Tangara e é a única do gênero encontrada próxima à linha de árvores. Também pode ser encontrada em bordas de floresta, vegetação em clareiras e áreas próximas à linha de árvores. Geralmente permanece no dossel.[4]
Comportamento e ecologia

Indivíduos de T. vassorii juntam-se em grandes bandos mistos (com outras espécies) durante o forrageamento, geralmente em pares ou grupos de 3 a 6 indivíduos. Esses bandos podem conter até 15 indivíduos, de forma que, na Colômbia, foram registradas como espécie nuclear (que ajuda a formar e manter bandos mistos). É mais frequentemente encontrada com espécies dos gêneros Iridosornis ou Anisognathus do que com outras Tangara.[4]
Dieta
A espécie alimenta-se de frutos e artrópodes, com preferência por frutos do gênero Miconia. É um forrageador ativo, movendo-se constantemente pela folhagem. Forrageia em todos os estratos da vegetação, mas prefere o dossel. A busca por artrópodes ocorre por meio de saltos em ramos cobertos de musgo, inspecionando áreas como a parte inferior de ramos, folhas, musgos e pequenas bromélias. Alimenta-se de frutos alcançando-os rapidamente e consumindo-os em posição ereta.[4]
Reprodução

T. vassorii reproduz-se de fevereiro a agosto. Constrói ninhos em forma de taça com musgos e radículas, forrados externamente com folhas de bambu Chusquea e internamente com fibras e pelos de animais. Ninhos registrados em maio e junho medem 8 cm de largura e 7 cm de altura externamente, e 6 cm de largura e 3 cm de profundidade internamente. As ninhadas contêm dois ovos, de cor azul-clara com manchas canela, medindo em média 20 mm x 14,5 mm e pesando ~2,1 g. Filhotes chamando por comida foram registrados em janeiro, enquanto jovens emplumados (período do desenvolvimento avançado, mas em que ainda não conseguem voar) foram observados em maio.[4]
Estado de conservação
T. vassorii é uma espécie classificada como "pouco preocupante" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na Lista Vermelha da IUCN devido à sua ampla distribuição, relativa abundância e ausência de declínios populacionais significativos.[6] A subespécie atrocoerulea, considerada uma espécie distinta pela IUCN, também é classificada como de pouco preocupante pelos mesmos motivos.[7] No entanto, a espécie está ameaçada pela destruição de habitat, que reduz sua população.[6]
Referências
- ↑ Société Cuvierienne (1840). Revue zoologique. Paris: Société cuvierienne
- ↑ Jobling, James A. (2010). Helm Dictionary of Scientific Bird Names. [S.l.]: Christopher Helm. pp. 379, 399. ISBN 978-1-4081-3326-2
- ↑ a b Gill, Frank; Donsker, David; Rasmussen, Pamela (eds.). «Tanagers and allies». IOC World Bird List (em inglês). Consultado em 7 de setembro de 2021
- ↑ a b c d e f g h i j Bernabe, Annabelle; Burns, Kevin J. (2020). Schulenberg, Thomas S, ed. «Blue-and-black Tanager (Tangara vassorii)». Birds of the World (em inglês). doi:10.2173/bow.babtan1.01
- ↑ BirdLife International (2017). «Tangara atrocoerulea». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017: e.T103849103A119485741. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103849103A119485741.en
. Consultado em 15 de novembro de 2021
- ↑ a b BirdLife International (2017). «Tangara vassorii». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017: e.T103849068A119558363. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103849068A119558363.en
. Consultado em 15 de novembro de 2021
- ↑ BirdLife International (2017). «Tangara atrocoerulea». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017: e.T103849103A119485741. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103849103A119485741.en
. Consultado em 15 de novembro de 2021


