Saíra-dourada

Saíra-dourada
T. a. goodsoni, Equador
Classificação científica edit
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Thraupidae
Gênero: Tangara
Espécies:
T. arthus
Nome binomial
Tangara arthus
Lesson, R, 1832
Área de distribuição da subespécie nominada
Área de distribuição das outras subespécies

Saíra-dourada (Tangara arthus) é uma espécie de ave pertencente à família Thraupidae. É amplamente distribuída e frequentemente comum em florestas de altitude dos Andes (a partir da Bolívia em direção ao norte) e na Cordilheira Costeira Venezuelana, no noroeste da América do Sul.[2]

Sua plumagem é predominantemente amarelo-dourada, com preto nas costas, asas, cauda e coberturas auriculares. Algumas subespécies apresentam coloração parcial ou predominantemente marrom na parte inferior.

Taxonomia e sistemática

A saíra-dourada foi descrita pela primeira vez como Tangara Arthus por René Primevère Lesson em 1840, com base em um espécime coletado em Caracas, Venezuela.[2][3] O nome genérico Tangara deriva da palavra tupi tangara, que significa dançarino. O nome específico arthus homenageia Arthus Bertrand, um livreiro francês.[4] Golden tanager é o nome comum oficial em inglês designado pela International Ornithologists' Union.[5] Outros nomes em inglês para a espécie incluem "chestnut-breasted tanager".[6]

A saíra-dourada é uma das 27 espécies do gênero Tangara. Dentro do gênero, integra um grupo de espécies com a saíra-de-bigode-azul, saíra-ouro, saíra-esmeralda, saíra-de-papo-prateado, saíra-de-cabeça-dourada, saíra-de-orelha-dourada e saíra-cara-de-fogo. Nesse grupo, é táxon-irmão de um clado formado pela saíra-esmeralda e pela saíra-de-papo-prateado. Essa posição é apoiada por evidências de DNA mitocondrial.[7] O seguinte cladograma mostra as relações filogenéticas dentro do grupo de espécies com base no estudo citado:[8]

Saíra-de-orelha-dourada (Tangara chrysotis)
Saíra-de-cabeça-dourada (Tangara xanthocephala)
Saíra-de-bigode-azul (Tangara johannae)

Saíra-ouro (Tangara schrankii)

Saíra-cara-de-fogo (Tangara parzudakii)

Saíra-de-papo-prateado (Tangara icterocephala)

Saíra-esmeralda (Tangara florida)

Saíra-dourada (Tangara arthus)

Subespécies

Existem nove subespécies reconhecidas da saíra-dourada.[5] As subespécies são diferenciadas por variações em sua aparência e distribuição geográfica.[7] Todas as subespécies, exceto arthus, são por vezes consideradas uma espécie distinta, Tangara aurulenta, com base nas diferenças de plumagem.[9]

  • T. a. arthus (Lesson, 1832): A subespécie nominada. Ocorre nas montanhas do norte e oeste da Venezuela.[7]
  • T. a. palmitae (Meyer de Schauensee [en], 1947): Encontrada na encosta ocidental dos Andes em La Palmita, Santander, Colômbia.[7]
  • T. a. sclateri (Lafresnaye, 1854): Ocorre nos Andes do leste da Colômbia e, provavelmente, também no sul de Táchira, Venezuela.[7]
  • T. a. aurulenta (Lafresnaye, 1843): Encontrada na Sierra de Perijá, Venezuela, e na encosta ocidental dos Andes no leste da Colômbia.[7]
  • T. a. occidentalis Chapman, 1914: Ocorre na encosta ocidental dos Andes no centro da Colômbia e em ambas as encostas no oeste da Colômbia.[7]
  • T. a. goodsoni Hartert, 1913: Encontrada na encosta ocidental dos Andes no Equador, e provavelmente também no noroeste do Peru.[7]
  • T. a. aequatorialis (Taczanowski & Berlepsch, 1885): Ocorre na encosta oriental dos Andes no Equador e áreas adjacentes no norte do Peru.[7]
  • T. a. pulchra (Tschudi, 1844): Encontrada na encosta oriental dos Andes, do Amazonas ao Junim, no Peru.[7]
  • T. a. sophiae (Berlepsch, 1901): Ocorre na encosta oriental dos Andes, do sudeste do Peru até La Paz e Cochabamba, na Bolívia.[7]

Distribuição e habitat

Cali, Valle, Colômbia.

A saíra-dourada é encontrada na Cordilheira Costeira Venezuelana, na Venezuela, e nos Andes da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, em altitudes de 700 a 2500 metros, sendo mais comum entre 1000 e 1500 metros. Habita florestas montanas úmidas e perenes, além de bordas de florestas e áreas próximas de crescimento secundário.[7]

Estado de conservação

A subespécie nominada da saíra-dourada é classificada como uma espécie pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na Lista Vermelha da IUCN, devido à sua ampla distribuição, relativa abundância e ausência de um declínio populacional suficientemente rápido.[10] As demais subespécies, consideradas uma espécie distinta pela IUCN, também são classificadas como espécies pouco preocupantes pelos mesmos motivos.[11] No entanto, a população da saíra-dourada está em declínio, ameaçada pela destruição de habitat.[10][11]

Referências

  1. BirdLife International (2017). «Tangara arthus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103849276A119485491.enAcessível livremente. Consultado em 13 de novembro de 2021 
  2. a b Lesson, R. P. (1831). Illustrations de zoologie, ou, Recueil de figures d'animaux peintes d'après nature. Paris: Arthus Bertrand 
  3. Field Museum of Natural History (1936). Catalogue of birds of the Americas and the adjacent islands in Field Museum of Natural History and including all species and subspecies known to occur in North America, Mexico, Central America, South America, the West Indies, and islands of the Caribbean Sea, the Galapagos Archipelago, and other islands which may properly be included on account of their faunal affinities. 13. Chicago: [s.n.] 
  4. Jobling, James A. (2010). Helm Dictionary of Scientific Bird Names. London: Christopher Helm. pp. 56, 379. ISBN 978-1-4081-3326-2 
  5. a b «Tanagers and allies – IOC World Bird List» (em inglês). Consultado em 7 de setembro de 2021 
  6. «Tangara arthus (Golden Tanager) - Avibase». avibase.bsc-eoc.org. Consultado em 22 de outubro de 2021 
  7. a b c d e f g h i j k l Cameron, Jennifer Lauren; Burns, Kevin J. (4 de março de 2020), Billerman, Shawn M.; Keeney, Brooke K.; Rodewald, Paul G.; Schulenberg, Thomas S., eds., «Golden Tanager (Tangara arthus)», Cornell Lab of Ornithology, Birds of the World (em inglês), doi:10.2173/bow.goltan1.01, consultado em 22 de outubro de 2021 
  8. Burns, Kevin J; Naoki, Kazuya (2004). «Molecular phylogenetics and biogeography of Neotropical tanagers in the genus Tangara». Molecular Phylogenetics and Evolution (em inglês). 32 (3): 838–854. Bibcode:2004MolPE..32..838B. PMID 15288060. doi:10.1016/j.ympev.2004.02.013 
  9. «Golden Tanager (Tangara aurulenta)». BirdLife. Consultado em 25 de outubro de 2021 
  10. a b BirdLife International (2017). «Tangara arthus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103849276A119485491.enAcessível livremente. Consultado em 14 de novembro de 2021 
  11. a b BirdLife International (2017). «Tangara aurulenta». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2017. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T103849300A119486025.enAcessível livremente. Consultado em 14 de novembro de 2021 

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