Tanga (Deu no New York Times?)
Tanga (Deu no New York Times?)
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| Tanga (EN) | |
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1987 • cor • 90 min | |
| Género | comédia |
| Direção | Henfil |
| Produção | Daniel de Carvalho |
| Roteiro |
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| Elenco | |
| Música | Wagner Tiso |
| Cinematografia | Edgar Moura |
| Direção de arte | Edgard Moura |
| Edição |
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| Distribuição | Embrafilme |
| Lançamento | 4 de agosto de 1987 |
| Idioma | português |
Tanga (Deu no New York Times?) é um filme de comédia brasileiro de 1987, dirigido por Henfil e roteirizado por Joffre Rodrigues. Estrelado por Rubens Correa, Elke Maravilha e Cristina Pereira, o filme é uma sátira que conta a história de uma pequena ilha do Caribe a qual é controlada por um ditador que extinguiu a imprensa local e é o único no local a ter fonte de informações externas. Conta ainda com as atuações de Henfil, Flavio Migliaccio, Haroldo Costa, Ricardo Blat e grande elenco.
Tanga (Deu no New York Times?) é uma metáfora da situação do Brasil nos anos 1980. O país estava sobre o poder de ditadores, a imprensa censurada, a população pobre e analfabeta. A informação não chegava para a grande massa de brasileiros. Para se instruir sobre o que realmente estava acontecendo no mundo (e às vezes mesmo no Brasil), era necessário recorrer a jornais estrangeiros. Entre eles, o mais exaltado e procurado era o jornal estado-unidense The New York Times.[1]
O filme foi apresentado no Rio Cine Festival, em 1987, onde recebeu sete prêmios, incluindo o de Melhor Filme, Melhor Atriz para Cristina Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lutero Luiz, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Cenário.[2] Já no Festival de Cinema e TV de Natal, o filme recebeu o prêmio de Melhor Cenografia.[2]
Enredo
Um filme de comédia coberto de metáforas críticas sobre a "ditadura maquiada" e a aculturação, que é muito atual. A história se passa na fictícia república do Caribe, na ilha de Tanga, que tem mais de 99% da população analfabeta. No poder, um ditador que acabou com a imprensa local, e que todos os dias recebe o único exemplar na ilha do jornal The New York Times, enviado por seu sobrinho. É a partir deste jornal que ele recebe as informações de todo o mundo e confia em todas as informações do jornal. Porém após lê-lo todos os dias, o jornal é queimado para que não haja o risco de cair nas mãos de um dos sete grupos guerrilheiros que lutam para ter o The New York Times, pois quem tem o jornal, tem poder.[3]
Elenco
- Rubens Correa como Herr Walkyria Von Mariemblau (ditadura)
- Elke Maravilha como Frau Regine de Regine, primeira-dama (ditadura)
- Cristina Pereira como Liga da Mulher Ideal (guerrilheira)
- Henfil como Kubanin (ditadura)
- Flavio Migliaccio como Partido Comunista Tanganês (guerrilheiro)
- Haroldo Costa como Ovo
- Ricardo Blat como Pentelho Luminoso (guerrilheiro)
- Joffre Rodrigues como Paralelo Zero (guerrilheiro)
- Lutero Luiz como Militar de Tanga
- Sérgio Roberto como Ação Paranoica Radical (guerrilheiro)
- Hélio Pellegrino como Militar Americano
- Zózimo Barroso do Amaral como Militar Americano
- Marcelo Escorel como Ação Insurrecional Democrática Sexual - Aids (guerrilheiro)
- Ernani Moraes como Vodka Sectária (guerrilheiro)
- Fabio Perez como O Locutor (povo)
- Fausto Wolff como Militar Americano
- Ken Kaneco (ditadura)
- Regina Rocha (povo)
- Nelson Rodrigues Filho (povo)
- Zaqueu Bento (povo)
- Gugu Olimecha (povo)
- Procópio Mariano
População de Quissamã
- Procopio Mariano (militar de tanga)
- Olney Cazarré (militar de tanga)
- Luizão (militar de tanga (saudades))
- Robson (militar de tanga)
- Sidney (militar de tanga)
- Nelson Conceição (militar de tanga)
- Evandro Patello Jr. (militar de tanga)
- Ivan La Belle (militar americano)
- Antonio Carlos (militar americano)
- Alfredo "Sirkis" (militar americano)
- André Carvalho (militar americano)
Participação especial
- Chico Anysio
- Daniel Filho
- Jaguar
- Alan Riding
Produção

A concepção do roteiro filme teve início dez anos antes do diretor, Henfil, pensar em desenvolver a produção. Em 1983, de volta ao Rio de Janeiro após passar uma temporada entre Natal e São Paulo, Henfil tinha o objetivo de tirar do papel o roteiro do filme de comédia que ele havia pensado há uma década.[4] Ele então procurou o futuro produtor de Tanga (Deu no New York Times?), Joffre Rodrigues, e disse que o roteiro se tratava de como um grande jornal, como o The New York Times, tem o poder de influenciar na vida das populações. A história se passaria em um pequeno país do Caribe cujo é presidido por um ditador nazista.[4]
Apesar da sinopse já estar pronta no início da década de 1980, o filme começou a ser produzido apenas em 1984, três anos antes de seu lançamento, quando o roteiro começou a ser construído efetivamente. Henfil queria fazer uma comédia não convencional, com influência de Woody Allen, Jacques Tati e Monty Phyton. O diretor, que também é cartunista, realizou o storyboard de todas as cenas como se fossem cartuns. À época do desenvolvimento da obra, a equipe de produção considerou as piadas do roteiro "sutis" demais para o público espectador dos cinemas.[4]
O filme teve apoio financeiro da Embrafilme, no entanto enfrentou dificuldades no repasse orçamentário da empresa de filmes. O financiamento foi cortado em pouco tempo, mas a produção seguiu avançando e recebendo o custeio parcelado. As filmagens ocorreram em Duque de Caxias, no cais do Porto do Rio de Janeiro, em Nova Iorque e no pequeno município de Quissamã, no Norte do Rio de Janeiro.[4] Tanga foi o único filme dirigido por Henfil, que acabou falecendo em 1988 por complicações decorrentes da AIDS, a qual ele adquiriu após uma transfusão de sangue junto com seus dois irmãos.[5]
Lançamento
Tanga (Deu no New York Times?) foi lançado no Brasil em 4 de agosto de 1987. O momento em que o filme foi lançado foi marcado por um período em que o diretor, Henfil, estava afastado da mídia por já estar debilitado pela AIDS.[4] O filme ainda foi apresentado no Rio Cine Festival, onde foi premiado com sete prêmios, incluindo o de Melhor Filme, e no Festival de Cinema e TV de Natal, no Rio Grande do Norte.[carece de fontes]
Recepção
Repercussão
O filme não fez sucesso de bilheteria, sendo lançado em salas de cinema limitadas.[4] Tanga foi lançado em um período em que Casseta Popular, Planeta Diário e Chiclete com Banana faziam sucesso na comédia e humor nacional. O humor crítico do filme foi considerado deslocado para o momento, justificando a falta de repercussão que o filme teve à época de lançamento.[4]
Prêmios e indicações
| Prêmio | Categoria | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|
| Rio Cine Festival | Melhor Filme | Venceu | [2] |
| Melhor atriz para Cristina Pereira | Venceu | [2] | |
| Melhor Fotografia para Edgard Moura | Venceu | [2] | |
| Melhor Cénario para Henfil e Sales | Venceu | [2] | |
| Melhor Figurino para Henfil e Sales | Venceu | [2] | |
| Melhor ator coadjuvante para Lutero Luiz | Venceu | [2] | |
| Festival de Natal | Melhor Cenografia | Venceu | [2] |
Referências
- ↑ «Deu no New York Times». Consultado em 22 de junho de 2015
- ↑ a b c d e f g h i «Cinemateca - Tanga (Deu no New York Times)». Consultado em 21 de junho de 2015
- ↑ «Tanga (Deu no New York Times?)». Consultado em 23 de junho de 2015
- ↑ a b c d e f g Schott, Ricardo (26 de outubro de 2020). «Tanga: o único filme de Henfil». POP FANTASMA. Consultado em 27 de março de 2023
- ↑ Rocha, Antônio do Amaral (4 de fevereiro de 2014). «Cartunista Henfil completaria 70 anos nesta quarta, 5». Rolling Stone. Consultado em 27 de março de 2023
Ligações externas
Portal do cinema
Portal do Brasil
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