TUE Série 100 (Trensurb)

Nippon Sharyo / Hitachi Heavy Industries / Kawasaki Series 100
Trensurb
Vista do exterior
Vista do interior
FabricanteNippon Sharyo / Hitachi / Kawasaki
FábricaHitachi/Kawasaki
Entrada em serviço1985 - presente
Período de renovação2001 - 2008, modernização de tração e frenagem
Total construídos25 (100 carros)
Total em serviço25 (100 carros)
Formação4 carros (MB+RB+RA+MA) / 8 carros
Capacidade1.228 passageiros
OperadorMetrô de Porto Alegre
Linhas1 - Azul
Especificações
CorpoAço inox
Comprimento total88 metros
Comprimento do veículo22 metros
Largura2.99 m
Altura4.11 m
Portas8 por carro / 32 por TUE
Velocidade máxima90 km/h (operacional, limitado pelo ATC/ATO) 120km/h (em testes)
Peso203.1 Toneladas
Aceleração0,8 m/s²
DesaceleraçãoServiço: 0,77 m/s²
Emergência: 1,1 m/s²
Tipo de traçãoElétrica, sistema de tração Hitachi HS-360-AR de CC 15 920 kgf de esforço trator
Potência2 520 kW
Tipo de transmissãoEixo de cames
Tipo de climatizaçãoVentilação forçada (salão de passageiros) Ar condicionado (Cabine)
Alimentação3.000 VCC
Captação de energiaPantógrafo
Truque ferroviárioChapas soldadas em estrutura H, suporte de mola helicoidal , método de almofada oscilante
FreiosFrenagem eletromagnética
AcoplamentoEngate padrão BSI
Bitola1.600 mm

O TUE Nippon Sharyo / Hitachi Rail / Kawasaki Heavy Industries Series 100 é um Trem unidade elétrico pertencente à frota do Metrô de Porto Alegre (Trensurb). Ele foi fornecido em em 1984 pela empresa Mitsui & Co. e foi produzido em consórcio formado pelas empresas japonesas Nippon Sharyo, LTD., Hitachi e Kawasaki Heavy Industries.

História

Projeto e fabricação

Em abril de 1980, a recém criada Trensurb (ainda subsidiária da RFFSA) lançou a concorrência internacional nº 4/80, objetivando a aquisição de 25 trens unidade elétrico de 4 carros totalizando 100 carros, num valor de mais de US$ 67 milhões financiado pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Seis empresas apresentaram propostas: Cobrasma, Mafersa, Santa Matilde, Sorefame, Nissho Iwai/Sumitomo e Mitsui/Nippon Sharyo. Após as propostas serem tornadas públicas, o resultado foi[1]:

  • Mafersa - US$ 2,963 milhões por trem unidade
  • Nissho Iwai/Sumitomo - Não informado
  • Mitsui/Nippon Sharyo - US$ 3,116 milhões por trem unidade

Após deliberações entre Trensurb e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, a Mitsui foi declarada vencedora (apesar do seu custo por trem unidade ser maior que o da Mafersa). A vitória da empresa japonesa desencadeou protestos da Mafersa, metalúrgicos paulistas e gaúchos e de políticos paulistas, que acusaram a Mitsui da prática de dumping. [2] A Trensurb alegou que a proposta da Mafersa, apesar de alcançar menor preço, previa apenas 1 ano de garantia para cada trem unidade enquanto que a Mitsui previa 2 anos.[3]. Além disso, o BIRD cancelou algumas das taxas tornando a vitória da Mitsui ainda mais vantajosa.[4][5] Dessa forma, foi confirmada a vitória da Mitsui em 1982. Os trens foram fabricados entre 1982 e 1984. [6]Durante uma viagem de testes dos trens, realizada em outubro de 1984, dois menores trabalhando como ambulantes conseguiram embarcar clandestinamente no trem que conduzia o ministro dos transportes Cloraldino Soares Severo e sua comitiva. Apesar dos funcionários da Trensurb tentarem expulsar os "penetras", o ministro permitiu que eles viajassem e conhecessem o novo trem, incluindo a cabine de comando. Ao final da viagem, os menores perguntaram se o ministro era o "dono do trem". [7]Ao final do contrato, a encomenda de 25 trens de 4 carros da Mitsui custou US$ 67 milhões.[8]

A viagem inaugural dos trens ocorreu em 2 de março de 1985, durante a inauguração da Linha 1 do Metrô de Porto Alegre. A primeira viagem comercial iniciou em 4 de março de 1985 entre Porto Alegre até a cidade de Sapucaia do Sul através de um trem com duas unidades acopladas (8 carros).

Características

A composição básica é formada por 4 carros, sendo os dois centrais reboques (RA e RB) e em cada ponta, dois motores (MA e MB). Eles podem operar em unidade simples (4 carros) ou até 3 unidades acopladas (12 carros).

Para o funcionamento do sistema e dos trens, existem quatro subestações elétricas (uma em Porto Alegre, uma em Sapucaia do Sul e outras duas em Canoas) cada uma com potência de 10 mV, fornecendo os 3 kV necessários para operação dos trens, e 6 kV para operação dos diversos equipamentos ao longo da linha ferroviária.

Referências

  1. «O Sr. Almir Pazzianotto Pinto (PMDB)» 🔗 (PDF). Diário Oficial do Estado de São Paulo. 13 de maio de 1982. Consultado em 26 de abril de 2019 
  2. «Mafersa acusa BIRD de beneficiar a Mitsui ao mudar seus critérios». Jornal do Brasil, Ano XCII, edição 13, Seção Economia/Negócios, página 20/republicado pela Biblioteca Nacional/Hemeroteca Digital Brasileira. 21 de abril de 1982. Consultado em 26 de abril de 2019 
  3. Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A.-TRENSURB (25 de abril de 1982). «Comunicado». Jornal do Brasil, Ano XCII, edição 17,Seção Economia/Negócios, página 37/republicado pela Biblioteca Nacional/Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 26 de abril de 2019 
  4. «Governo estuda caso Mafersa». Jornal do Brasil, Ano XCII, edição 21,Seção Economia/Negócios, página 27/republicado pela Biblioteca Nacional/Hemeroteca Digital Brasileira. 29 de abril de 1982. Consultado em 26 de abril de 2019 
  5. «Cloraldino acha legal caso Mitsui» 🔗. Jornal do Brasil, Ano XCII, edição 52,Seção Economia/Negócios, página 36. 30 de maio de 1982. Consultado em 26 de abril de 2019 
  6. «Sul fará esse ano teste do Trensurb». Jornal do Brasil, Ano XCIII, edição 273,Seção Nacional, página 19/republicado pela Biblioteca Nacional/Hemeroteca Digital Brasileira. 8 de janeiro de 1984. Consultado em 26 de abril de 2019 
  7. Informe JB (14 de outubro de 1984). «Estado de alerta». Jornal do Brasil, Ano XCIV, edição 189,Seção Cidade, página 6/republicado pela Biblioteca Nacional/Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 26 de abril de 2019 
  8. Informe Especial (3 de março de 1985). «Porto Alegre ganha metrô para 330 mil passageiros». Jornal do Brasil, Ano XCIV, edição 325, página 30/republicado pela Biblioteca Nacional/Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 26 de abril de 2019 

Ligações externas