Sustentabilismo

Sustentabilismo é um conceito emergente no campo da sustentabilidade, utilizado para descrever uma abordagem integrada entre meio ambiente, sociedade e economia, com foco em regeneração ecológica, justiça social e reorganização econômica nos limites planetários. O termo passou a ser usado no Brasil por lideranças políticas e ambientais, como a ministra Marina Silva, e tem sido adotado em documentos partidários, veículos de imprensa e materiais institucionais.[1]

Embora relacionado à sustentabilidade tradicional, o sustentabilismo propõe ações proativas, com foco na regeneração dos sistemas naturais e na superação do modelo de crescimento econômico contínuo. Entre os pilares do conceito estão a equidade intergeracional, os limites ecológicos e a redefinição dos indicadores de progresso.

Fundamentos conceituais

O sustentabilismo reúne influências de diferentes áreas do conhecimento e movimentos contemporâneos que visam reestruturar as relações entre sociedade e natureza:

Teoria geral dos sistemas: propõe o entendimento sistêmico das interações entre sociedade, economia e natureza.[2]

Relatório Brundtland (1987): marco do conceito de desenvolvimento sustentável.[3]

Economia ecológica: defende limites ao crescimento econômico e valoriza o capital natural. [4]

Educação ambiental: destaca a importância da formação crítica e da cidadania ecológica.[5]

Economia donut: modelo de equilíbrio entre teto ecológico e piso social.[6]

Decrescimento: propõe a redução planejada da produção e do consumo, principalmente em países desenvolvidos.[7][8]

Aplicações e uso institucional

O termo vem sendo utilizado em discursos oficiais e partidários. Além de figuras públicas como Marina Silva, diversas pessoas, ativistas e grupos ambientais passaram a se autodefinir como '''sustentabilistas''', utilizando o termo em redes sociais, eventos, documentos e debates sobre a crise climática e a transição ecológica.

Pesquisadoras ligadas à Fundação Rede Brasil Sustentável, como Muriel Saragoussi — engenheira agrônoma, ex-diretora do CONAMA e do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente —, e Maristela Bernardo — socióloga, jornalista e presidente do Conselho Curador da Fundação — têm promovido o conceito em formações, debates e atividades institucionais. Em 2024, ambas participaram de cursos de formação política voltados à sustentabilidade com foco na construção de políticas públicas pautadas pelo sustentabilismo.[9]

A adoção da identidade "sustentabilista" ou "sustentabilista progressista" reflete o engajamento com práticas e valores que integram preservação ambiental, justiça social e responsabilidade intergeracional. A ministra Marina Silva, por exemplo, afirmou que o sustentabilismo deveria orientar as políticas públicas no século XXI. A Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina, autodefine-se como de “ideologia sustentabilista progressista”.

A Rádio Senado lançou, em 2023, um podcast semanal com o nome Sustentabilismo, abordando pautas ambientais e climáticas sob o ponto de vista institucional.

Recepção e críticas

Por ser recente, o termo ainda não está amplamente consolidado na literatura acadêmica internacional. Críticos argumentam que o conceito pode carecer de precisão ou ser apropriado de forma superficial. Por outro lado, defensores consideram que o sustentabilismo oferece uma narrativa integradora útil para pensar políticas ambientais em tempos de emergência climática.[carece de fontes?]

Ver também

Referências

  1. Rádio Senado (2023). «Podcast Sustentabilismo». Consultado em 28 de março de 2025 
  2. Bertalanffy, Ludwig von (1977). Teoria Geral dos Sistemas. [S.l.]: Vozes 
  3. Brundtland, Gro Harlem (1987). Nosso Futuro Comum. [S.l.]: ONU 
  4. Daly, Herman (1992). Economia Ecológica. [S.l.]: Elsevier 
  5. «Fundamentos Teóricos da Educação Ambiental» (PDF). Consultado em 28 de março de 2025 
  6. Raworth, Kate (2017). Economia Donut. [S.l.]: Zahar 
  7. Latouche, Serge (2009). Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno. [S.l.]: Vozes 
  8. Hickel, Jason (2020). Less is More: How Degrowth Will Save the World. [S.l.]: William Heinemann 
  9. Maia, Felipe (18 de abril de 2024). «"Política como serviço e oferta de amor", defende Marina Silva». redebrasilsustentavel. Consultado em 28 de março de 2025