Superfície desenvolvível

O cilindro é um exemplo de superfície desenvolvível.

Em matemática, uma superfície desenvolvível é uma superfície regrada com curvatura gaussiana zero, ou seja, é uma superfície que pode ser achatada em um plano sem esticar, distorcer, rasgar ou vincar.[1][2] Todas as retas nesse tipo de superfície são tangentes a uma mesma curva de dupla curvatura.[3]

Matematicamente, superfície desenvolvível pode ser definida como uma superfície regrada do tipo gerada pela família com se . [4]

Superfície desenvolvível também é aquela gerada através de transformações do plano, como dobres, cortes e rotações. Podem ser descritas por linhas com trajetórias espaciais específicas.[5]

Exemplo de plano como superfície desenvolvível.

As superfícies desenvolvíveis que podem ser configuradas no espaço tridimensional incluem:

  • A seção transversal dos cilindros;
  • Os cones;
  • O oloide e o esférico, que desenvolvem toda a sua superfície ao rolar por um plano;
  • Trivialmente, os planos, que podem ser compreendidos como cilindros cuja seção transversal é uma linha.
  • Superfície tangente é um caso particular de superfície desenvolvível, tal que . [4]

Essas superfícies podem ser mapeadas com o comprimento das curvas preservados, isto é, podem ser mapeadas isometricamente no plano. [6]

Aplicações

Disney Concert Hall projetado por Gehry utiliza de superfícies desenvolvíveis.

As superfícies desenvolvíveis foram utilizadas por Gehry & Partners, considerado um ícone no desconstrutivismo[7], na estrutura de apoio do projeto Disney Concert Hall[6], completado em 2003.[7]

Além disso, a superfície da Terra pode ser representada diretamente por um superfície desenvolvível. Quando a superfície de projeção adotada é uma figura geométrica desenvolvível, a projeção é classificada como projeção por desenvolvimento. [8]

Superfícies não desenvolvíveis

Grande parte das superfícies lisas, bem como a maioria das superfícies em geral, não são superfícies desenvolvíveis.

Algumas das superfícies não desenvolvíveis são:

  • Esferas não são superfícies desenvolvíveis sob nenhuma métrica, pois não podem ser desenroladas em um plano.
  • O helicoide é uma superfície regrada, mas, diferentemente das superfícies regradas mencionadas acima, não é uma superfície desenvolvível.
  • O paraboloide hiperbólico e o hiperboloide são superfícies duplamente regradas ligeiramente diferentes, mas, diferentemente das superfícies regradas mencionadas acima, nenhuma delas é uma superfície desenvolvível.

Aplicações de superfícies não desenvolvíveis

Muitas estruturas de grade, estruturas de tração e construções similares ganham resistência ao usar formas duplamente curvadas.

Referências

  1. bradmin (4 de maio de 2017). «Série Projeto: Superfície Desenvolvível, Uma Questão de Custo». Brana. Consultado em 25 de abril de 2025 
  2. Nicotera Junior, Eloy; Lodovici, Sinuê Dayan Barbero (2017). «Uma Apresentação do Teorema de Mamikon». Revista Ciencias Exatas e Naturais (em inglês) (2). ISSN 1518-0352. doi:10.5935/RECEN.2017.02.05. Consultado em 25 de abril de 2025 
  3. Leite, Douglas Gonçalves (2024). A Geometria de Gaspard Monge. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. UNESP. Consultado em 25 abril 2025.
  4. a b Lima, Edilson Expedito da Silva (30 de agosto de 2019). «Torção total de linhas de curvatura fechadas». Consultado em 29 de abril de 2025 
  5. Lima, Fábio (20 de janeiro de 2021). «A PRÁTICA DA TESSELAÇÃO: RACIONALIZAÇÃO CONSTRUTIVA DE PAINÉIS ARQUITETÔNICOS COMPLEXOS». Arquitetura Revista (1): 01–16. ISSN 1808-5741. doi:10.4013/arq.2021.171.01. Consultado em 25 de abril de 2025 
  6. a b Pires, Janice; Pereira, Alice Theresinha Cybis (30 de dezembro de 2019). «A estruturação do saber para o reconhecimento das superfícies complexas da obra Disney Concert Hall». Design e Tecnologia (19): 29–42. ISSN 2178-1974. doi:10.23972/det2019iss19pp29-42. Consultado em 29 de abril de 2025 
  7. a b «Gehry's Walt Disney Concert Hall was the most significant building of 2003». Dezeen (em inglês). 9 de janeiro de 2025. Consultado em 29 de abril de 2025 
  8. Aguirre, A. J., & Mello Filho, J. D. (2009). Introdução à cartografia. Santa Maria: UFSM.