Superaglomerado de Virgem

Superaglomerado Local

Distâncias do Grupo Local para grupos e aglomerados selecionados dentro do Superaglomerado Local
Dados de observação (Época J2000)
Constelação Virgem
Ascensão reta 12h 31m 00s
Declinação 12° 04′ 00″
Número de galáxias Mais de 100
Estrutura parente Laniakea
Desvio para o vermelho Efeito Doppler
Distância 200 mly (60 mpc)
Massa de ligação ~1.48 × 1015[1] M
Luminosidade (específico) 3×1012 L[1] (total)
Outras designações
Superaglomerado de Virgem (antigo), LSC, LS

O Superaglomerado de Virgem, chamado também de Superaglomerado Local (SAL ou SL), é um superaglomerado de galáxias, que contém o Grupo Local e com ela, nossa galáxia, a Via Láctea. O superaglomerado contém cerca de 100 grupos e aglomerados de galáxias e é dominado pelo Aglomerado de Virgem, localizado próximo ao seu centro. O Grupo Local está localizado próximo à borda do Aglomerado de Virgem, para o qual é atraído.

O comprimento do Superaglomerado de Virgem é de aproximadamente 60 megaparsecs (200 milhões de anos-luz; em comparação, o Grupo Local tem 1 megaparsec de comprimento máximo). Este superaglomerado é um dos milhões de superaglomerados espalhados pelo Universo observável.

Devido ao efeito gravitacional que exerce sobre o movimento das galáxias, estima-se que a massa total do Superaglomerado de Virgem seja 1015 massas solares (2 × 1046 kg); veja ordens de magnitude para massa. Como sua luminosidade é muito pequena para um número tão grande de estrelas, acredita-se que uma quantidade considerável de sua massa seja composta de matéria escura.

Suspeita-se que, à medida que os aglomerados se agrupam em superaglomerados, os superaglomerados também se agrupam em complexos de superaglomerados ou filamentos galácticos ou grandes muralhas. O Superaglomerado Local (ou de Virgem) junto com o Superaglomerado Hidra-Centauro formam uma das cinco partes que compõem o Complexo de superaglomerados Peixes-Baleia.

O Superaglomerado de Virgem é atualmente considerado apenas um pequeno lóbulo do ainda maior Superaglomerado de Laniakea.[2]

Uma anomalia gravitacional conhecida como Grande Atrator existe em algum lugar dentro do Superaglomerado Local.

Acontecimentos

Começando com a primeira grande amostra de nebulosae publicada por William e John Herschel em 1863, sabia-se que há um excesso acentuado de campos nebulares na constelação Virgem, perto do norte pólo galáctico. Na década de 1950, o astrônomo franco-americano Gérard de Vaucouleurs foi o primeiro a argumentar que esse excesso representava uma estrutura semelhante a uma galáxia em grande escala, cunhando o termo "Supergaláxia Local" em 1953, que ele mudou para "Superaglomerado Local" (SAL[3]) em 1958. Harlow Shapley, em seu livro de 1959 Of Stars and Men, sugeriu o termo Metagálaxia.[4]

Houve debates durante as décadas de 1960 e 1970 sobre se o Superaglomerado Local (SAL) era na verdade uma estrutura ou um alinhamento casual de galáxias.[5] O problema foi resolvido com grandes pesquisas de desvio para o vermelho do final da década de 1970 e início da década de 1980, que mostraram de forma convincente a concentração achatada de galáxias ao longo do plano supergaláctico.[6]

Estrutura

Em 1982, R. Brent Tully apresentou as conclusões de sua pesquisa sobre a estrutura básica do SL. Ele consiste em dois componentes: um disco consideravelmente achatado contendo dois terços das galáxias luminosas do superaglomerado, e um halo aproximadamente esférico contendo o terço restante.[7] O disco em si é um elipsoide fino (~1 Mpc) com uma relação eixo longo/eixo curto de pelo menos 6 para 1, e possivelmente tão alta quanto 9 para 1.[8] Dados divulgados em junho de 2003 do 2dF Galaxy Redshift Survey de 5 anos permitiram que os astrônomos comparassem o LS a outros superaglomerados. O LS representa um superaglomerado típico pobre (isto é, sem um núcleo de alta densidade) de tamanho bastante pequeno. Ele tem um rico aglomerado de galáxias no centro, cercado por filamentos de galáxias e grupos pobres.[1]

O Grupo Local está localizado na periferia do SL em um pequeno filamento que se estende do Aglomerado Fornax ao Aglomerado de Virgem.[6] O volume do Superaglomerado de Virgem é aproximadamente 7.000 vezes maior que o do Grupo Local, ou 100 bilhões de vezes maior que a da Via Láctea.

Distribuição de galáxias

A densidade numérica de galáxias no SL cai com o quadrado da distância de seu centro perto do Aglomerado de Virgem, sugerindo que este aglomerado não está localizado aleatoriamente. No geral, a grande maioria das galáxias luminosas (menores que a magnitude absoluta −13) está concentrada em um pequeno número de nuvens (aglomerados de galáxias). Noventa e oito por cento podem ser encontrados nas seguintes 11 nuvens, dadas em ordem decrescente de número de galáxias luminosas: Canes Venatici, Aglomerado de Virgem, Virgem II (extensão sul), Leo II, Virgem III, Crater (NGC 3672), Leo I, Leo Minor (NGC 2841), Draco (NGC 5907), Antlia (NGC 2997) e NGC 5643.

Das galáxias luminosas localizadas no disco, um terço está no Aglomerado de Virgem. O restante é encontrado na Nuvem Canes Venatici e na Nuvem Virgem II, além do insignificante Grupo NGC 5643.

As galáxias luminosas no halo estão concentradas em um pequeno número de nuvens (94% em 7 nuvens). Esta distribuição indica que "a maior parte do volume do plano supergaláctico é um grande vazio".[8] Uma analogia útil que corresponde à distribuição observada é a das bolhas de sabão. Aglomerados e superaglomerados achatados são encontrados na intersecção de bolhas, que são grandes vazios aproximadamente esféricos (na ordem de 20–60 Mpc de diâmetro) no espaço.[9] Estruturas filamentosas longas parecem predominar. Um exemplo disso é o Superaglomerado Hidra-Centauro, o superaglomerado mais próximo do Superaglomerado de Virgem, que começa a uma distância de aproximadamente 30 Mpc e se estende até 60 Mpc.[10]

Mapas

Aglomerado de VirgemGrupo Centaurus A/M83Grupo M81Grupo Maffei 1Grupo NGC 1023Grupo M101Grupo NGC 2997Grupo M51Grupo M109Grupo M96NGC 4697NGC 7582Aglomerado FornaxGrupo LocalGrupo do Escultor
NGC 55Via LácteaGrande Nuvem de MagalhãesNGC 3109Messier 31Messier 33NGC 247Galáxia do CompassoNGC 5128NGC 5253NGC 5102Grupo NGC 5128Messier 83Aglomerado de VirgemNGC 1313NGC 625NGC 7793NGC 4945NGC 45NGC 253Grupo do EscultorGrupo LocalNGC 1569NGC 300IC 342Grupo MaffeiNGC 404NGC 784Maffei IMaffei IIDwingeloo 1NGC 1560Messier 81Messier 82NGC 3077NGC 2976NGC 4605NGC 6503NGC 5204NGC 3738NGC 4236NGC 2366NGC 2403Messier 94NGC 4244NGC 4214NGC 4449NGC 4395Grupo M94Grupo M81

Diagramas

Situação do superaglomerado no Universo

Ver também

Referências

  1. a b c Einasto, M.; et al. (Dezembro de 2007). «The richest superclusters. I. Morphology». Astronomy and Astrophysics. 476 (2): 697–711. Bibcode:2007A&A...476..697E. arXiv:0706.1122Acessível livremente. doi:10.1051/0004-6361:20078037 
  2. Gangale, Thomas (3 de dezembro de 2018). How High the Sky?: The Definition and Delimitation of Outer Space and Territorial Airspace in International Law (em inglês). [S.l.]: BRILL. ISBN 978-90-04-36602-2. Consultado em 8 de fevereiro de 2021 
  3. cfa.harvard.edu, The Geometry of the Local Supercluster, John P. Huchra, 2007 (accessed 12-12-2008)
  4. Shapley, Harlow Of Stars and Men (1959)
  5. de Vaucouleurs, G. (Março de 1981). «The Local Supercluster of Galaxies». Bulletin of the Astronomical Society of India. 9: 6 (ver nota). Bibcode:1981BASI....9....1D 
  6. a b Klypin, Anatoly; et al. (Outubro de 2003). «Constrained Simulations of the Real Universe: The Local Supercluster». The Astrophysical Journal. 596 (1): 19–33. Bibcode:2003ApJ...596...19K. arXiv:astro-ph/0107104Acessível livremente. doi:10.1086/377574 
  7. Hu, F. X.; et al. (Abril de 2006). «Orientation of Galaxies in the Local Supercluster: A Review». Astrophysics and Space Science. 302 (1–4): 43–59. Bibcode:2006Ap&SS.302...43H. arXiv:astro-ph/0508669Acessível livremente. doi:10.1007/s10509-005-9006-7 
  8. a b Tully, R. B. (15 de junho de 1982). «The Local Supercluster». Astrophysical Journal. 257 (1): 389–422. Bibcode:1982ApJ...257..389T. doi:10.1086/159999Acessível livremente 
  9. Carroll, Bradley; Ostlie, Dale (1996). An Introduction to Modern Astrophysics. New York: Addison-Wesley. p. 1136. ISBN 0-201-54730-9 
  10. Fairall, A. P.; Vettolani, G.; Chincarini, G. (Maio de 1989). «A wide angle redshift survey of the Hydra-Centaurus region». Astronomy and Astrophysics Supplement Series. 78 (2): 270. Bibcode:1989A&AS...78..269F. ISSN 0365-0138 

Ligações externas