Stromatopelminae

Stromatopelminae
Heteroscodra maculata, espécie representativa da subfamília
Heteroscodra maculata, espécie representativa da subfamília
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Arachnida
Ordem: Araneae
Subordem: Mygalomorphae
Família: Theraphosidae
Subfamília: Stromatopelminae
Schmidt, 1993
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2 gêneros
Gêneros
  • Heteroscodra
  • Stromatopelma

Stromatopelminae é uma subfamília de aranhas migalomorfas pertencente à família Theraphosidae, que inclui as tarântulas. A subfamília agrupa espécies arbóreas nativas das regiões tropicais da África Ocidental e Central, caracterizadas por hábitos de vida exclusivamente arborícolas e adaptações morfológicas distintivas.[1]

Taxonomia

A subfamília Stromatopelminae foi formalmente proposta pelo aracnólogo alemão Günter Schmidt em 1993, com base na reavaliação taxonômica de gêneros previamente classificados na subfamília Eumenophorinae.[2] A validade da subfamília foi posteriormente confirmada por estudos moleculares realizados no início do século XXI, que demonstraram a monofilia do grupo através de análises filogenéticas baseadas em sequências de DNA.[3]

Análises filogenéticas indicam que Stromatopelminae forma um grupo monofilético intimamente relacionado à subfamília Harpactirinae, compartilhando um ancestral comum com este clado de tarântulas africanas.[4]

Descrição

As espécies de Stromatopelminae apresentam um conjunto de características morfológicas diagnósticas que permitem sua diferenciação de outras subfamílias de Theraphosidae. Entre os traços distintivos mais notáveis estão a ausência completa de órgãos estridulantes nas coxas e trocânteres das pernas, estruturas presentes em muitos outros grupos de tarântulas africanas.[1]

As pernas são desprovidas de espinhos ou apresentam espinulação muito reduzida, especialmente nas tíbias e metatarsos. A fóvea cefálica, depressão localizada no cefalotórax, possui formato circular. As cúspides labiais, projeções dentiformes no lábio inferior, são reduzidas em número e tamanho quando comparadas a outros grupos de Theraphosidae.[1]

Nos machos adultos, a perna do primeiro par não apresenta apófise subapical na tíbia, característica presente em diversos outros grupos de tarântulas. As fêmeas apresentam espermatecas tubulares simples ou, em casos excepcionais, ausência completa dessas estruturas de armazenamento de esperma.[1]

Todas as espécies conhecidas da subfamília apresentam hábitos estritamente arbóreos, construindo refúgios tubulares de seda nas cascas de árvores, bromélias ou outras estruturas vegetais elevadas.[5]

Distribuição geográfica

A subfamília possui distribuição restrita às florestas tropicais da África Ocidental e Central, com registros confirmados em países como Camarões, Gabão, Togo, Gana e regiões adjacentes. A preferência por ambientes florestais úmidos e a especialização arbórea limitam a ocorrência do grupo a áreas com vegetação densa e alta pluviosidade.[1]

Gêneros

Atualmente, a subfamília Stromatopelminae inclui dois gêneros validamente reconhecidos:[6]

  • Stromatopelma Karsch, 1881 — com espécies distribuídas na África Ocidental e Central
  • Heteroscodra Pocock, 1899 — inclui a espécie-tipo Heteroscodra maculata, conhecida popularmente como tarântula-estrela-de-togo

O gênero Encyocratella Strand, 1907, anteriormente incluído na subfamília, tem seu posicionamento taxonômico questionado por alguns autores, com estudos recentes sugerindo possível realocação para outras subfamílias ou tratamento como incertae sedis.[3]

Ligações externas

Referências

  1. a b c d e Gallon, Richard C. (2003). «A new African arboreal genus and species of theraphosid spider (Araneae, Theraphosidae, Stromatopelminae) which lacks spermathecae». Bulletin of the British Arachnological Society. 12 (9): 405-411 
  2. Schmidt, Günter (1993). «Vogelspinnen: Vorkommen, Lebensweise, Haltung und Zucht, mit Bestimmungsschlüsseln für alle Gattungen». Hannover. Landbuch Verlag 
  3. a b Foley, Ian C.; Loader, Simon P.; Barraclough, Timothy G. (2019). «The systematics of Theraphosidae (Araneae, Mygalomorphae): phylogenetic analyses based on morphology and molecules». Cladistics. 35 (3): 307-371. doi:10.1111/cla.12351 
  4. Guadanucci, José Paulo L. (2014). «Theraphosidae phylogeny: relationships of the 'Ischnocoloid' genera (Araneae, Mygalomorphae)». Zoologica Scripta. 43 (5): 508-518. doi:10.1111/zsc.12065 
  5. «Frontiers in Arachnid Science - Theraphosidae diversity». Frontiers. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  6. «World Spider Catalog - Stromatopelminae». Natural History Museum Bern. Consultado em 17 de janeiro de 2026