Spondias venulosa

Spondias venulosa
Classificação científica
Reino: Plantae
Filo: Tracheofitas
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Sapindales
Família: Anacardiaceae
Gênero: Spondias L.
Espécie: S. venulosa
Nome binomial
Spondias venulosa[1]
(Mart. ex Engl.) Engl.
Sinónimos

Spondias venulosa (Mart. ex Engl.) Engl., popularmente conhecida por acaipó-iba, acajá-de-tronco-liso, cajá-verde, "cajá-grande", manguinha-do-espírito-santo, cajá-pescoço, cajá-purungo, cajazinho e cajazeira é uma espécie da família Anacardiaceae, endêmica da floresta atlântica das regiões nordeste e sudeste do Brasil.[1][5]

Distribuição Geográfica

Spondias venulosa é endêmica da região de floresta atlântica do sul do estado da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.[6]

Morfologia

Spondias venulosa na floresta pode atingir 12-18 m de altura, com uma copa larga, densa e arredondada. Seu tronco, de cor cinza-esverdeado, é cilíndrico, liso e finamente fissurado na vertical, reto ou com fuste bi ou trifurcado podendo atingir 65 cm de diâmetro. As folhas são compostas, imparipinadas, com a raque medindo 20-50 cm de comprimento. Por ela se distribuem 6-15 pares de folíolos de textura membranácea, com 11-18 pares de nervuras secundárias, glabros em ambas as faces, de forma ovóide, medindo 4-7 cm de comprimento e 2,5-5,7 cm de largura; sua base é cuneada, a margem é lisa e o ápice é agudo. Inflorescências em panículas terminais, multifloras e densas com 15-40 cm de comprimento. Chegam a ter mais de 200 flores pequenas, com 2 mm, de cor esverdeada por fora e esbranquiçada por dentro. Os lobos do cálice são comprimidos no botão e os estames espalhados com filamentos de 1-1,7 mm de comprimento. Os frutos são drupas elipsóides, carnosos, de exocarpo fino e rugoso, amarelo-esverdeado, com 6-8 cm de comprimento por 4-5,5 cm de largura; o mesocarpo, espesso, amarelo-esverdeado, de sabor agridoce, envolve uma única semente, triangular, de 2-3 cm de comprimento.[1][7]

Ecologia

S. venulosa é uma planta secundária inicial endêmica de florestas ombrófilas da mata atlântica. É semidecídua, heliófita e seletiva higrófita e ocupa as várzeas úmidas da floresta, em altitudes abaixo dos 1000 metros. Sua reprodução é sexuada, e se dá através da polinização, principalmente por himenópteros, em geral por abelhas e algumas espécies de vespas. Suas flores são melíferas e seus frutos são dispersados por uma grande variedade de vertebrados, como aves; mamíferos, como morcegos, primatas, roedores, veados, queixadas, antas, quatis, juparás, cachorros-do-mato e raposinhas; e alguns répteis, como quelônios e lagartos.[8][9][10][7][11]

Referências

  1. a b c Engler, A. (1883). «Tribus II - Spondieae». In: Candolle, Alphonse de & Candolle, Casimir de. Monographiæ phanerogamarum: Burseraceæ et Anacardiaceæ (em latim). 4. Paris: G. Masson. pp. 245–246 
  2. Engler, A. (1876). «Anacaediaceæ». In: Martius, K.F.P., Eichler, A.W., Engler, A., Urban I., Progel, A. Flora Brasiliensis (em latim). 12. Monachii Munique: Typographia Regia C. Wolf et fil. 373 páginas. doi:10.5962/bhl.title.454 
  3. «Spondias venulosa (Mart. ex Engl.) Engl.». Catalogue of Life. 1883. Consultado em 26 de abril de 2025 
  4. Colla, Luigi Aloysius (1834). «Sistens Calycifloras ad Umbelliferas». Augustæ Taurinorum: Typis Regiis. Herb. Pedem. 2. 37 páginas 
  5. «Spondias venulosa (Mart. ex Engl.) Engl.». MAPA. Registro Nacional de Cultivares – RNC. 20 de janeiro de 2016 – via CultivarWeb 
  6. Silva-Luz, C.L.; Pirani, J.R.; Pell, S.K.; Mitchell, J.D. (27 de abril de 2025). «Anacardiaceae: Spondia venulosa». In: Flora e Funga do Brasil. Reflora. RJ: Jardim Botânico do Rio de Janeiro 
  7. a b Mitchell, J.D., Daly, D.C. (2015). «A revision of Spondias L. (Anacardiaceae) in the Neotropics». PhytoKeys. 55: 1-92. doi:10.3897/phytokeys.55.8489 
  8. Marangon, G. P.; Cruz, A. F.; Barbosa, W. B.; Loureiro, G. H.; Holanda, A. C. de  (2010). «Dispersão de sementes de uma comunidade arbórea em um remanescente de Mata Atlântica, município de BONITO, PE». Mossoró: Editora Verde. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. 5 (5): 80-87. ISSN 1981-8203 
  9. Almeida-Neto, Mário, Campassi, Flávia, Galetti, Mauro, Jordano, Pedro, Oliveira-Filho, Ary (2008). «Vertebrate dispersal syndromes along the Atlantic forest: Broad-scale patterns and macroecological correlates» (PDF). Global Ecology and Biogeography (em inglês). 17 (4): 503-513. doi:10.1111/j.1466-8238.2008.00386.x 
  10. Souza, Fernanda Cristina (2023). Características de dispersão de sementes e frutos ao longo dos biomas brasileiros: explorando tendências, predizendo e mapeando correlatos ecológicos (PDF) (Tese de Doutorado em Ecologia Aplicada). Lavras, MG: Universidade Federal de Lavras - UFLA. p. 142 
  11. Lorenzi, Harri (1998). Árvores brasileiras : manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 2. Nova Odessa, SP: Editora Plantarum. p. 384. ISBN 85-86714-07-0