Southern blot

O Southern blot é um método da biologia molecular que serve para verificar se uma determinada sequência de ADN está ou não presente em uma amostra de ADN analisada. Isso é feito por meio do realce do resultado de uma eletroforese em gel de agarose, conforme será descrito mais adiante. O método foi batizado com o nome de seu inventor, o biólogo britânico Edwin Southern, e isso fez com que outros métodos de blot fossem batizados com trocadilhos ao nome de Southern, por exemplo, Western blot e Northern blot.[1][2]

Método geral

Desnaturação

O gel onde foi feita a eletroforese de ADN é tratado com uma solução alcalina (tipicamente contendo hidróxido de sódio) para promover a desnaturação da dupla fita do DNA, separando-a em simples fitas. A desnaturação é necessária porque o ADN nas etapas seguintes irá aderir à membrana e irá parear com a sonda.

Transferência do ADN para uma membrana

Uma membrana de nitrocelulose (ou, alternativamente, nylon) é posta sobre o gel. Uma pressão é aplicada uniformemente sobre o gel (tanto usando-se sucção, ou pondo-se sobre a membrana uma pilha de toalhas de papel com um peso em cima). Isso faz com que o ADN passe do gel para a membrana, onde ele se adere.[3]

A membrana é então aquecida (no caso da nitrocelulose) ou exposta a radiação ultravioleta (no caso do nylon) para permanentemente ligar o ADN à membrana.

Cartografia por meio de RFLP. Representada a capacidade genética (azul) dum individuo homozigoto (A) e outro heterozigoto (B) para um marcador. Depois de se hibidrizar com uma sonda específica (rosa) observa-se o resultado do Southern blot à direita.

Tratamento com a sonda

A membrana é agora tratada com uma sonda hibridizadora - que é uma molécula de DNA isolada cuja sequência é conhecida e é idêntica, ou então complementar, àquela sequência a qual se quer determinar a presença ou não na amostra (como as duas fitas da dupla hélice do DNA são complementares uma a outra, tanto faz escolher uma sonda que seja idêntica ou complementar à sequência procurada). A sonda de ADN é marcada de tal forma que permita ser detectada a sua presença, essa marcação é normalmente feita incorporando-se a ela átomos radioativos ou ligando-se a ela corantes fluorescentes ou cromogênicos (substâncias incolores que produzem cor ao interagirem com um determinado meio). Em alguns casos, a sonda hibridizadora pode ser feita de ARN, em vez de ADN.

Essa sonda irá parear com qualquer sequência de ADN complementar a ela. Portanto se a sequência procurada não estiver presente na amostra não haverá o pareamento.

Então o excesso de sonda é lavado da membrana, e toda a sonda não hibridizada (não pareada) será removida. Depois disso, a presença ou não da sonda na membrana (e as posições onde ela está presente) é revelada por uma auto-radiografia em um filme de raio-x, ou pelo aparecimento de uma cor caso a marcação cromogênica tenha sido usada.

Resultados

As manchas no Southern Blot abaixo mostram onde a sonda se hibridizou com a amostra. E conhecendo-se os pontos onde a amostra de ADN foi clivada, é possível então dizer em quais trechos a sequência procurada está ou não presente.

Ligações externas

  1. «Southern Blot». www.genome.gov (em inglês). Consultado em 15 de setembro de 2025 
  2. Southern, Ed (agosto de 2006). «Southern blotting». Nature Protocols (em inglês) (2): 518–525. ISSN 1750-2799. doi:10.1038/nprot.2006.73. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  3. Green, Michael R.; Sambrook, Joseph (1 de julho de 2021). «Analysis of DNA by Southern Blotting». Cold Spring Harbor Protocols (em inglês) (7): pdb.top100396. ISSN 1940-3402. PMID 34210774. doi:10.1101/pdb.top100396. Consultado em 15 de setembro de 2025