Socialismo na Turquia

O movimento socialista na Turquia começou com a formação do Partido Comunista da Turquia (TKP) por Mustafa Subhi em 1920 e o marxismo-leninismo, o maoísmo e o confederalismo democrático estão entre as ideologias socialistas mais proeminentes. O movimento socialista também esteve intimamente ligado ao apoio aos direitos humanos curdos alevitas, aos direitos LGBT e a outras causas sociais.[1]

Origens

O primeiro congresso do TKP foi realizado em Baco, em setembro de 1920, onde Mustafa Subhi foi eleito o primeiro presidente do partido.[2] O TKP era composto por comunistas que buscavam a vitória contra as potências ocidentais que ocupavam a Anatólia e visavam estabelecer um estado comunista.[3] Subhi e outros 14 comunistas viajaram posteriormente para a Anatólia, após o que as atividades do partido naquela região se tornaram mais proeminentes.[4]

Embora Mustafa Atatürk e o governo de Ancara se opusessem ao comunismo, mantiveram relações estreitas com a União Soviética, que forneceu ajuda durante a Guerra de Independência Turca .[5] Atatürk fundou um partido socialista separado, o Partido Comunista Turco (TKF), para conter a influência do TKP. O TKF chegou a solicitar a adesão à Comintern, mas foi rejeitado principalmente devido à pressão do TKP, que já era membro.[5] O TKF foi dissolvido em 1921, após a revolta dos circassianos .[5] Em sua viagem de retorno ao Azerbaijão, Subhi e seus 14 companheiros foram assassinados pela tripulação do navio[6]

Durante a presidência de Atatürk, o governo do CHP tentou suprimir o pensamento socialista prendendo socialistas e proibindo seu partido.[4] Em 1925, a lei Takrir-i Sukun foi aprovada, permitindo ao governo fechar outros partidos. O TKP também foi proibido, porém, o partido continuou a operar secretamente. Em 1926, o partido decidiu ser mais crítico em relação ao CHP vigente e ao regime de Atatürk.[4]

O partido também teve problemas internos, devido às suas posições contra o kemalismo e na maioria das vezes, agiram de acordo com o que a Comintern queria, porém, nem todos concordavam.[7] Em 1927, Vedat Nedim Tör, que era o secretário-geral do TKP na época, deixou o partido e entregou todos os arquivos à polícia e isto deu início a prisões em massa de membros do TKP.[8]

Revistas socialistas como "Aydınlık" e "Orak-Çekiç" foram proibidas. Da mesma forma, escritores e poetas marxistas como Nazim Hikmet Ran e Sabahattin Ali foram presos.[9][10]

Pós Atatürk

Com o aumento da liberdade política e operária após o golpe de 1960, o socialismo começou a ganhar mais popularidade na Turquia.[11]

Os conflitos entre direita e esquerda foram um dos principais eventos da década de 1970 para a Turquia.[12] Foram travados entre ultranacionalistas e marxistas. Os partidos armados comunistas tiveram um papel fundamental nesses conflitos, pois lutavam por uma revolução marxista-leninista.[12] Em 1970, o THKP-C foi formado por Mahir Çayan,[13] e sua primeira ação foi o sequestro de Ephraim Elrom, um cônsul israelense que foi achado morto em maio de 1971.[14] Çayan foi preso quatro dias depois.[13] O TİİKP e o THKO (outro partido marxista formado no final da década de 1960) enviaram seus militantes para a FPLP na Palestina para treinamento em guerrilha.[13] A THKO primeiro assaltou um banco em Ancara, vários meses depois, sequestraram 4 militares dos EUA e exigiram um resgate de 40.000 dólares e libertaram os soldados porque não conseguiram obter o dinheiro.[13]

Após o memorando militar turco de 1971, o exército adotou uma postura agressiva contra esses partidos de esquerda.[15] Deniz Gezmiş, Hüseyin İnan e Yusuf Aslan (os líderes e fundadores da THKO) foram presos alguns dias após o memorando militar[16] e eles foram condenados à morte.[16]

Um mês antes disso, em abril de 1972, o TKP/ML separou-se do TİİKP, tendo İbrahim Kaypakkaya como seu primeiro presidente.[17] Ao contrário de muitos socialistas da época, Kaypakkaya era maoísta e anti-kemalistasendo que acreditava que a URSS não era verdadeiramente marxista e que havia se tornado novamente um estado burguês.[18] Em janeiro de 1973, Kaypakkaya foi baleado no pescoço em um confronto com a gendarmaria turca.[19][19] Yıldız, um dos comandantes do TKP/ML, morreu no confronto junto com vários outros militantes.[19] Após dias viajando sozinho pelas montanhas, ele chegou a uma aldeia onde foi denunciado à gendarmaria por um professor chamado Cafer Atan.[19] Kaypakkaya foi preso e enviado para a prisão de Diyarbakır sendo torturado e interrogado por semanas antes de morrer em maio de 1973.[19] O TKP/ML continuou a operar sob o comando de Süleyman Cihan.[17]

Vários outros partidos e organizações socialistas foram formados posteriormente, como o MLSPB e a Organização Progressista da Juventude,[13] o TİİKP foi dissolvido em 1977[13] e durante toda essa década, os socialistas trouxeram à tona a opressão contra curdos e alevitas como no caso de Kaypakkaya, que tinha a ideia de Lenin sobre o "Direito das Nações à Autodeterminação" e achava que ela deveria ser implementada também para os curdos.[18]


Abdullah Öcalan aderiu ao marxismo-leninismo no início da década de 1970. Em 1974, fundou a ADYÖD, uma organização estudantil marxista.[20] Foi preso um ano depois por fazer "propaganda comunista".[20] Em 1978, fundou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Após o golpe de 1980, mais membros do PKK foram presos, como Kemal Pir, um dos membros fundadores do PKK, e Mazlum Doğan, editor-chefe da Ebun .[21] Ambos foram enviados para a prisão de Diyarbakır, onde morreram devido a torturas.[22] Em 1984, o PKK declarou uma "Insurgência Curda".[21]

Após e durante a década de 1990, o PKK abandonou a ideia de um Estado-nação curdo e, em vez disso, começou a lutar por uma região autônoma dentro da Turquia.[23] Eles também abandonaram o marxismo-leninismo em favor da nova ideologia de Abdullah Öcalan, chamada " confederalismo democrático".[24] Uma ideologia que se inspirou fortemente no comunalismo, Öcalan a apresentou como uma forma de curdos e turcos viverem juntos.[24] Em 199, ele foi preso em Nairóbi e levado para a Turquia.[25] Ele foi inicialmente condenado à morte, pena que posteriormente foi alterada para prisão perpétua.[26] A União das Comunidades do Curdistão (KCK) foi fundada em 2005 como uma organização política que abraçou o confederalismo democrático.[27] Ela se tornou muito ativa na Guerra Civil Síria.[28]

Ligaçõe externas e bibliografia

  1. Kakışım, Can. «Sosyalist Hareketlerin Kimlik ve Azınlık Meselelerine Yaklaşımlarının Geçmişi ve Bugünü:Bir Paradigma Değişimi» (PDF) 
  2. Atasoy, Emel Sayhan (2008). Türkiye İştirakiyun Teşkilatlarının Birinci Kongresi (TKP Kuruluş Kongresi) (em turco). [S.l.]: Sosyal Tarih Yayınları. ISBN 9789758683734 
  3. Zenkovsky, Serge (1 de janeiro de 1960). Pan-Turkism and Islam in Russia (em inglês). [S.l.]: Harvard University Press. ISBN 0674653505 
  4. a b c Ulus, Özgür Mutlu (15 de janeiro de 2011). The Army and the Radical Left in Turkey: Military Coups, Socialist Revolution and Kemalism (em inglês). [S.l.]: I.B.Tauris. ISBN 978-1848854840 
  5. a b c Aslan, Yavuz (1 de janeiro de 2007). Türkiye Komünist Fırkası'nın Kuruluşu ve Mustafa Suphi (em turco). [S.l.]: Türk Tarih Kurumu. ISBN 9789751609397 
  6. Kılıç, Ecevit (14 de setembro de 2008). «TKP'nin liderleri denizde öldürüldü». Sabah. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2013 
  7. Akbulut, Erden (janeiro de 2024). Türkiye Komünist Partisinin Bölünmesi 1928-1932 (em turco). [S.l.]: Yordam Kitap. ISBN 9786051726489 
  8. Ergüden, Jülide (1978). 1927 Komünist Tevkifatı-İstanbul Ağır Ceza Mahkemesindeki Duruşma (em turco). [S.l.]: Birikim 
  9. Dağıstanlı, Mustafa Alp (3 de junho de 2019). «Nazım Hikmet Hopa'da:İlk tutuklama,ilk yargılama,ilk cezaevi». BBC 
  10. «Sabahattin Ali'nin cezaevine girme sebebi ne,neden tutklandı? Sabahattin Ali kariyeri Sabahattin Ali neden cezaevine girdi?». Aydınpost. 31 de março de 2025 
  11. «Analiz:1960 Darbesinin Nedenleri ve Sonuçları». akademikkaynak 
  12. a b Karakurt, Mehmet Süreyya (15 de outubro de 2024). Türkiye'de Sağ ve Solun Oluşumu ve 1975-1980 "Sivil" İç Savaşı (em turco). [S.l.]: Notabene Yayınları. ISBN 9786052604304 
  13. a b c d e f Aykol, Hüseyin (1996). Türkiye'de Sol Örgütler (em turco). [S.l.]: Phoenix Yayınevi. ISBN 9786055738426 
  14. «Konsolos 3 kurşunla şakağından öldürüldü». Milliyet 
  15. «Yaklaşan Fırtınanın Habercisi 12 Mart». Solhaber 
  16. a b Çelenk, Halit. «1.THKO Davası» (PDF) 
  17. a b TKP(ML)'den MKP'ye Bu Tarih Bizim-MKP 1.Kongre Belgeleri (em turco). [S.l.]: Kardelen Yayınları. 2003 
  18. a b «İbrahim Kaypakkaya Seçim Yazılar» (PDF). marxists.org 
  19. a b c d e «İbrahim Kaypakkaya İşkencede Katledildi». marxist.org 
  20. a b Eager, Paige Whaley (16 de abril de 2008). From Freedom Fighters to Terrorists:Women and Political Violence (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9780754672258 
  21. a b Jongerden, Joost. Chronology of the PKK: From Group formation to Party. [S.l.: s.n.] 
  22. «Diyarbakır Zindanında Ölümler». Diyarbakir Zindani. Cópia arquivada em 11 de março de 2012 
  23. Şenay, Gonca. «"PKK'nın amacı hala bağımsızlık"». Al Jazeera 
  24. a b Biehl, Janet. «Bookchin,Öcalan,and the Dialects of Democracy». New Compass Press. Cópia arquivada em 15 de abril de 2020 
  25. Akan, Ali Kemal. «"Terörist başı 60 saniyede paketlendi"». Anadolu Ajansı 
  26. Laizer, Sheri (1999). «Abdullah Öcalan:A plea for justice». Socialist Lawyer (31): 6–8. JSTOR 42949064 
  27. «KCK Sözleşmesi». Vikikaynak. Cópia arquivada em 24 de novembro de 2015 
  28. Boynukara, Adnan. «The issue of PKK/KCK presence in Syria.». KritikBakış