Sizenando Sátyro de Souza
Sizenando Sátyro de Souza (1840–1897) foi um proprietário rural, oficial da Guarda Nacional (Brasil) e agente político brasileiro do século XIX, cuja atuação concentrou-se no interior da então Província da Paraíba, especialmente na região de Patos. Ao longo de sua trajetória, exerceu funções militares, administrativas e judiciais durante o período imperial, mantendo vínculo político com o Partido Liberal e participando de articulações relacionadas ao movimento republicano e à causa abolicionista.
Origem familiar
Nascido em 1840, na Fazenda São José, localizada no território que atualmente corresponde ao município de São José de Espinharas, Sizenando Sátyro de Souza era o quinto filho do capitão Miguel Sátyro e Souza e de Maria Vieira da Silva.[1] [2]
Casamento
Por volta de 1861, contraiu matrimônio com sua prima Cândida Maria de Souza, filha de Caetano Pedro de Sousa e Mônica Rodrigues de Santo Agostinho.[1] [2] O casal teve doze filhos: Maria Amélia de Sousa; Regina Sátyro de Sousa; Maria; Anália Cândida Sátyro de Sousa; Francisca Sátyro de Sousa; Miguel Sátyro de Sousa; Sizenando Florido de Sousa; Regina Elvira Sátyro de Sousa; Antônio Sizenando Sátyro de Sousa; Cândida Anália Sátyro de Sousa; Capitulina Delmira de Sousa; e Severino Sátyro de Sousa.
A família residia em uma casa construída por Sizenando no sítio Farias, também localizado em São José de Espinharas.[2]
Carreira militar
Em 12 de fevereiro de 1863, foi nomeado alferes da 6ª Companhia do 23º Batalhão da Guarda Nacional de Patos.[3]Em 21 de janeiro de 1864, foi promovido ao posto de tenente da mesma companhia.[4] Em 1870, alcançou a patente de capitão da 3ª Companhia do 23º Batalhão da Guarda Nacional de Patos.[5] Paralelamente à atuação militar, integrou o conselho da Junta Conservadora de Patos em 1868 e exerceu, a partir de 24 de maio de 1870, a função de substituto de juiz de paz, para a qual foi nomeado por meio da Portaria nº 65, datada de 31 de janeiro de 1870.[5] [6]
Movimento republicano
Apesar de ter participado de instâncias locais vinculadas ao Partido Conservador, como as juntas políticas do período, e de ter nascido e sido criado em um contexto social e econômico marcado pelo conservadorismo e pela vigência do sistema escravagista, Sizenando Sátyro de Sousa passou, ao longo do tempo, por um processo gradual de mudança de posicionamento político. A partir da década de 1880, aproximou-se de iniciativas associadas ao Partido Liberal e ao movimento abolicionista.
Participação na imprensa

no sertão da Paraíba e em áreas vizinhas, incluindo localidades do Rio Grande do Norte. Nesse período, passou a manifestar publicamente posições críticas e questionamentos de caráter político e social, entre os quais destacava o descontentamento com o que considerava falta de respeito ao direito de propriedade, tema que, segundo seus posicionamentos, não vinha sendo devidamente observado por determinados grupos de grandes capitais.
Participou de eventos públicos e articulações políticas em apoio à causa republicana e manteve colaboração com a imprensa de orientação liberal e republicana. Atuou como correspondente do jornal Libertador: Órgão da Sociedade Cearense Libertadora, que noticiou episódios relacionados à sua atuação política e à controvérsia judicial da década de 1880. Também contribuiu para a Gazeta do Sertão: Órgão Democrata, publicação semanal na qual publicou textos de caráter político.
A perseguição judiciária

Em 1883, dois escravizados pertencentes ao capitão Antônio Pereira, residente em Serra Negra do Norte, no Rio Grande do Norte, fugiram de sua propriedade. Por meio de ações judiciais, Sizenando Sátyro buscava reaver a posse de ambos — um homem e uma mulher — com o propósito de posterior concessão de alforria. Em decorrência desse episódio, foi instaurado processo judicial.[9]
Na véspera de uma audiência relacionada ao caso, durante a noite, Sizenando, acompanhado de aliados e de homens armados, entrou em Serra Negra do Norte e se ocultou em uma casa desabitada, sem que a maior parte da população tivesse conhecimento de sua presença.[9] Após a apresentação de provas pelo advogado do capitão Antônio Pereira, o juiz reconheceu a legitimidade da posse da escravizada Josefa por seu senhor e determinou que o oficial de justiça a entregasse ao proprietário. Entretanto, a uma curta distância do local da audiência, a escravizada foi retirada do oficial de justiça por indivíduos ligados a Sizenando e conduzida ao imóvel onde ele se encontrava escondido. Horas depois, Sizenando e seus companheiros deixaram a vila a cavalo, conduzindo Josefa em direção à sua fazenda.[6]
Diante dos fatos, o capitão Antônio Pereira Monteiro ingressou com ação criminal contra Sizenando Sátyro, com o auxílio do juiz de direito José Peregrino de Araújo, acusando-o do roubo da escravizada Josefa. Após a fase processual e a pronúncia do réu, foi designado julgamento pelo tribunal do júri. Dias antes da sessão, Sizenando retornou a Serra Negra do Norte acompanhado de familiares e apoiadores. O julgamento reuniu representantes locais e contou com a atuação do professor Rafael Arcanjo da Fonseca na defesa. Ao final da sessão, o júri popular absolveu Sizenando Sátiro por unanimidade.[6]
Morte

Sizenando Sátyro de Sousa faleceu em 20 de janeiro de 1897, à 1h da manhã, em sua residência no sítio Farias, em São José de Espinharas.[6] Seu falecimento foi noticiado pelo jornal A União, que registrou a morte do proprietário rural e agente político em sua primeira página.
Referências
- ↑ a b SOUSA 2022, p. 213.
- ↑ a b c FERNANDES 2018, p. 23.
- ↑ PARAÍBA 1892, p. fólio 328.
- ↑ PARAÍBA 1892b, p. fólio 480.
- ↑ a b FERNANDES 2003, p. 87.
- ↑ a b c d FERNANDES 2018, p. 25.
- ↑ GAZETA DO SERTÃO 1889, p. 3.
- ↑ O LIBERTADOR 1886, p. 2.
- ↑ a b FERNANDES 2018, p. 26.
- ↑ A UNIÃO 1897, p. 1.
- PARAÍBA (1892). Carta Patente de nomeação de Alferes (Comarca de Patos). João Pessoa: Arquivo Histórico do TJPB / British Library EAP627
- PARAÍBA (1892). Carta Patente de nomeação de Tenente (Comarca de Patos). João Pessoa: Arquivo Histórico do TJPB / British Library EAP627
Bibliografia
- FERNANDES, Flávio Sátiro (2003). Na rota do tempo: Datas, fatos e curiosidades da história de Patos. João Pessoa: Imprell Editora. 440 páginas
- SOUSA, Thiago Aécio de (2022). A família Sousa do sertão paraibano 5 ed. João Pessoa: Edição do autor. 310 páginas. ISBN 978-65-00-34002-0
- FERNANDES, Flávio Sátiro (2018). Ernani Sátyro, Amigo Velho: uma biografia. 1 1 ed. João Pessoa: A União Editora. ISBN 978-85-8237-163-3