Sistema de Mobilidade do Mondego

 Nota: Este artigo é sobre o sistema em autocarros em corredor próprio (BRT/metrobus) na região de Coimbra, com entrada em funcionamento prevista para 2025. Para a versão anterior deste projeto, um sistema de metro ligeiro cujas obras de construção foram suprimidas em 2010, veja Metro Mondego.
Metro Mondego
Sistema de Mobilidade do Mondego
Informações
LocalCoimbraCoimbra
LousãLousã
Miranda do CorvoMiranda do Corvo
Tipo de transporteBRT/Metrobus
Número de linhas3[1]
Número de estações42[2]
Tráfego anual13 milhões (estimativa)[2]
WebsiteMetro Mondego
Funcionamento
Início previsto2025[3]
Operadora(s)Metro-Mondego, S.A.
Número de veículos35[2]
Comprimento dos veículos18,75 m[2]
Headway5 minutos (período de ponta em perímetro urbano)[2]
Dados técnicos
Extensão do sistema42 km[2]
Mapa da Rede

O Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), operado sob o nome Metro Mondego, é uma rede de Bus Rapid Transit (BRT) ou "Metrobus", nos municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, na região Centro de Portugal, que entrou parcialmente em serviço em 30 de Agosto de 2025.[3] Este sistema utiliza em grande parte o canal do antigo Ramal da Lousã, adaptado para a circulação de autocarros elétricos.

O SMM sucede ao projeto original do Metro Mondego, que previa a implementação de um sistema de metropolitano ligeiro de superfície. Após sucessivos adiamentos e a suspensão das obras em 2010, o projeto foi reformulado em 2017, tendo-se optado por um sistema de mobilidade baseado na tecnologia BRT.

A rede, com traçado em forma de “Y”,[1] ligará, numa primeira fase, a cidade de Coimbra à vila de Serpins, no município de Lousã, utilizando no seu percurso o traçado do antigo Ramal da Lousã. Posteriormente, haverá também uma ligação ao Hospital da Universidade de Coimbra, com recurso a um novo canal urbano, fazendo ligação entre o mesmo e a Baixa de Coimbra e ligando à atual Estação Ferroviária de Coimbra-B, resultando na desativação completa do Ramal da Lousã e do encerramento da Estação de Coimbra-A, prevista para 12 de janeiro de 2025.[4]

História

O projeto que viria a dar origem ao Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) tem raízes no antigo Ramal da Lousã, cuja circulação no ramal foi suspensa em 2010 para dar lugar ao projeto Metro Mondego, um sistema de metro ligeiro de superfície cuja construção foi interrompida em 2011, sem substituição imediata.[5]

Em 2017, o Governo apresentou uma nova solução baseada num sistema Bus Rapid Transit (BRT), que utilizariam o traçado previsto para o metro ligeiro. O relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) previu a circulação em toda a extensão de 41 quilómetros, entre Serpins e Coimbra-B e até aos Hospitais da Universidade, com diferentes tipos de veículos para os troços suburbano e urbano, e capacidade máxima de frota de 43 unidades. O projeto eliminava a construção do túnel de Celas e previa a desativação da ligação ferroviária entre a Estação Nova e Coimbra-B. Apesar de o estudo indicar que o gás natural permitiria equilíbrio financeiro, optou-se por veículos elétricos, cujo uso levaria a um défice de exploração de 460 mil euros, segundo o mesmo estudo.[5]

O auto de consignação da empreitada para o troço suburbano foi assinado a 11 de setembro de 2020, numa cerimónia presidida pelo então Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, que apresentou o projeto como um sistema teleguiado de autocarros elétricos, aproveitando o canal ferroviário existente. A empreitada, no valor de 23,8 milhões de euros, incluía a requalificação de 30 quilómetros de via, a intervenção em 13 pontes e sete túneis, e a criação de novos pontos de cruzamento. O ministro pediu desculpa às populações pelo atraso de uma década, comprometendo-se com a execução da obra em 15 meses.[6]

Viatura do SSM em frente à Estação da Lousã

Depois de inúmeros atrasos, em 2025, a Metro Mondego anunciou que a entrada em operação comercial do troço Serpins–Portagem estava prevista para o quarto trimestre desse ano. As obras e a instalação de sistemas deveriam concluir-se no final de junho, seguindo-se um período de testes e certificação no terceiro trimestre.[7]

O sistema começou a funcionar a partir de 30 de agosto de 2025, numa primeira fase limitada a um percurso de cinco quilómetros na cidade de Coimbra, de forma gratuita. O sistema de autocarros elétricos articulados a circular em via dedicada arrancou com uma operação preliminar gratuita entre o Largo da Portagem (Coimbra) e o Vale das Flores, na cidade de Coimbra.[8]

Referências

  1. a b «Rede Metrobus». Metro Mondego. Consultado em 12 de janeiro de 2025 
  2. a b c d e f «O Metrobus em Números». Metro Mondego. Consultado em 12 de janeiro de 2025 
  3. a b T&N (7 de janeiro de 2025). «Metro Mondego arrancará no final do primeiro semestre». Transportes & Negócios. Consultado em 12 de janeiro de 2025 
  4. «Encerramento da Estação de Coimbra - 12 de janeiro de 2025». Comboios de Portugal. Consultado em 11 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 11 de janeiro de 2025 
  5. a b Soldado, Camilo (1 de junho de 2017). «Vão-se os carris, ficam as rodas. Metro do Mondego, afinal, vai ser um autocarro». PÚBLICO. Consultado em 13 de agosto de 2025 
  6. Cipriano, Carlos (11 de setembro de 2020). «Ao fim de 30 anos, a obra da mobilidade do Mondego arrancou». PÚBLICO. Consultado em 13 de agosto de 2025 
  7. Rosado, António (30 de maio de 2025). «Metrobus não começa a funcionar antes de outubro». Homepage. Consultado em 13 de agosto de 2025 
  8. «Metro Mondego inicia operação preliminar no troço urbano entre Portagem e o Vale das Flores»