Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) é uma organização sindical portuguesa representativa de educadores e professores do ensino público, ensino privado e cooperativo, instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e investigadores científicos.
História
Formação
O SPGL considera-se fundado em 2 de maio de 1974, poucos dias após a Revolução do 25 de Abril,[1] então somente com o nome de Sindicato dos Professores,[2] rapidamente adoptando o nome Sindicato de Professores da Zona da Grande Lisboa (SPZGL) dada a necessidade de maior definição geográfica face aos demais grandes sindicatos, como o Sindicato dos Professores da Zona Norte e o Sindicato dos Professores da Zona Centro.[3]
A sua criação representou então uma das primeiras expressões da nova liberdade sindical em Portugal, surgindo como herdeiro direto da atividade clandestina desenvolvida pelos Grupos de Estudo dos Ensinos Preparatório e Secundário durante o Estado Novo, bem como, em menor grau, do então existente Sindicato de Professores do Ensino Particular, alguns dos seus membros passando-se para o SPGL.[4]
Formado com fortes vínculos ao Partido Comunista Português,[2][3][4] vários de seus membros viriam a ser militantes deste partido.[5]
Actuação
Foi uma das vozes sindicais que se opôs à recondução do bem sucedido ministro marcelista Veiga Simão nos governos provisórios.[3]
Em novembro de 1976, critica o ministério de educação de Mário Sottomayor Cardia pelo seu combater do poder informalizado dos professores, cujos plenários se vinham frequentemente a sobrepor às decisões ministeriais e hierarquias escolares oficiais, desde o 25 de Abril.[6] As acções do governo seriam descritas pelo sindicato como o "[aniquilar da] conquista principal das escolas após o 25 de Abril, isto é, a sua gestão democrática", o sindicato apresentando um recurso ao Presidente da Assembleia da República.[7]
Tendo-se oposto ao congelamento de carreiras de professor em 2011, na sequência da crise financeira, continuou pelos anos a lutar contra a medida.[8]
Entre as suas cooperações internacionais, constariam iniciativas com Fernando Haddad, candidato às presidenciais brasileiras pelo Partido dos Trabalhadores.[9]
Princípios
Afirmou-se como um importante sindicato de professores, destacando-se pelo seu funcionamento democrático[10], respeito pelo pluralismo de ideias e pela articulação com outras organizações sindicais e sociais e por organização de eventos culturais a dignificar a profissão.[11]
Estrutura e afiliações
O SPGL é membro fundador da Federação Nacional dos Professores (FENPROF,[12] um dos mais importantes sindicatos de professores em Portugal, sendo uma parte tão significativa da organização que são por vezes equiparados,[13] frequentemente presidentes da primeira transitando para presidir a FENPROF),[14] tendo dado ambas as organizações contributos significativos "para a construção da profissão docente" (em particular nos primeiros anos de democracia).[4] Desde abril de 2002, a SPGL integra a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), na sequência de um referendo realizado entre os seus associados.[15]
Também é membro da Federação Nacional da Educação (FNE), desde 1989.[16]
Eleições
As eleições internas do sindicato caracterizam-se por uma ampla participação dos associados.
Em 2022, foram a eleições sete listas, da qual foi vencedora a lista B, com 37 875 participantes.[17]
Ligações externas
Ver também
Referências
- ↑ Lisboa, SPGL-Sindicato dos Professores da Grande. «SPGL - Aniversário SPGL - 2 de maio». www.spgl.pt. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ a b «25 de Abril: As Transformações nas Escolas e nos Professores». www.marxists.org. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ a b c Ricardo, Maria Manuel Branco Calvet De Magalhães (2015). Os Grupos de Estudo do Pessoal Docente do Ensino Secundário, 1969-1974. (PDF). Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. p. 206, 221
- ↑ a b c Duarte, Rosa Serradas (1 de janeiro de 2013). «Percursos do Associativismo e do Sindicalismo Docentes em Portugal 1890-»: 73, 119. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Fonseca, Mário Rui (12 de janeiro de 2024). «Bernardino Soares quer devolver um deputado da CDU ao distrito de Santarém (c/áudio)». Médio Tejo. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Lima, Licínio C. (23 de julho de 2024). «Gestão democrática das escolas (1974-1976) e infidelidades normativas múltiplas». Revista Lusófona de Educação (63). ISSN 1646-401X. doi:10.60543/issn.1645-7250.rle63.05. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ «Sindicato dos professores discorda da demissão dos conselhos directivos» (PDF). A Capital (2989). 30 de novembro de 1976
- ↑ «Docentes concentrados em Almada dizem que a luta continua - O Setubalense». osetubalense.com. 21 de abril de 2023. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Falci, Bruno (24 de janeiro de 2019). «Haddad em Portugal: "Sempre de forma altiva, devemos encarar os grandes desafios que temos pela frente"». Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Estatutos do SPGL
- ↑ «Anos de Luta dos Professores». www.agendalx.pt. Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ «Quem somos». FENPROF - Federação Nacional dos Professores. Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ Stoer, Stephen R. (1985). «A Revolução de Abril e o sindicalismo dos professores em Portugal» (PDF): 64-68. ISSN 0871-0945. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ Lopes, Margarida Vaqueiro (17 de maio de 2025). «Estão confirmados os novos líderes da FENPROF». Diário de Notícias. Consultado em 21 de maio de 2025
- ↑ «Destaques». www.cgtp.pt. Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ Agency, Goweb. «SDPGL». fne.pt. Consultado em 31 de maio de 2025
- ↑ AbrilAbril (2 de dezembro de 2022). «Lista B vence as eleições para o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE». AbrilAbril. Consultado em 31 de maio de 2025