Simeón Paiva

Simeón Payba
Desenho de Simeón Payba
Dados pessoais
Nascimento1804
Curuzú Cuatiá, Argentina
Morte13 de março de 1877 (73 anos)
Buenos Aires, Argentina
Carreira militar
ForçaPartido Unitário

Simeón Payba ou Paiva (Curuzú Cuatiá, Província de Corrientes, 1804 - Buenos Aires, 13 de março de 1877) foi um militar argentino que participou por longos anos das guerras civis argentinas e da Guerra do Paraguai.

Biografia

Foi filho de Pantaleón do Payba e Ana Riveiro,[1] ambos brasileiros de São Paulo, que se estabeleceram em Curuzú Cuatiá por volta do ano 1800, e foram fundadores da cidade de Paso de los Libres (Corrientes).[2][3]

Foram seus irmãos Eusebio Payba, falecido em Paso de los Libres em 1863, e Saturnina Payba, nascida em Curuzú Cuatiá em 1806.[2][3]

Alistou-se nas milícias de sua província em 1818, para a guerra contra as invasões portuguesas e as desordens causadas pelos indígenas guaranis missionários, perseguidos por aquelas. Durante muito tempo serviu com a patente de sargento.[2][3]

Era tenente quando participou da batalha de Pago Largo. Com a patente de capitão fez toda a campanha de Juan Lavalle, combatendo em Don Cristóbal, Sauce Grande, Quebracho Herrado e Famaillá. Foi parte da divisão correntina que, às ordens de José Manuel Salas, cruzou o Chaco para regressar à sua província.[2][3]

Participou da batalha de Caaguazú, em que foi gravemente ferido. Após uma longa convalescença, combateu no desastre de Arroyo Grande. Exilou-se no Brasil, e regressou na época do governador Joaquín Madariaga. Foi o único dos oficiais superiores da divisão de Juan Madariaga que se salvou – com 400 homens – da derrota de Laguna Limpia. Por isso foi promovido à patente de coronel. Participou de uma campanha rumo a Entre Ríos, e obteve uma pequena vitória em Mocoretá. Foi nomeado comandante de San Roque, e participou da batalha de Vences.[2][3]

Exilou-se novamente no Brasil, mas apenas um mês e meio depois foi anistiado pelo governador Benjamín Virasoro, e posto no comando da comandância de Goya.[2][3]

Teve uma destacada participação na vida de Camila O'Gorman. Segundo o livro "Romances Turbulentos de la Historia Argentina" de Daniel Balmaceda conta que em sua fuga ao "Rio de Janeiro, o destino sonhado, estava muito longe de suas possibilidades econômicas. Instalaram-se em Goya (Corrientes). Cabe perguntar por que escolheram essa cidade. A versão mais difundida é a que forneceu o capitão da barcaça, que disse —muitos anos depois— que ele foi quem lhes havia sugerido desembarcar ali porque podia recomendá-los ante o coronel Simeón Payba, que era a máxima autoridade militar em Goya. Esclarecemos que Payba era federal, mas muito antirrosista (comandaria um regimento na batalha de Caseros e, como dado curioso, seria quem decidisse instalar um acampamento militar em Yapeyú, durante a guerra da Tríplice Aliança).[2][3]

Segundo essa versão, Payba teria recebido o casal de braços abertos porque podiam se encarregar de ensinar a ler e escrever aos analfabetos do povoado. Pode passar despercebido o fato de que uma das principais famílias de Goya eram os Perichon?" Pág. 95, além disso podemos acrescentar que os Payba e Perichon estavam relacionados por uniões familiares.[2][3]

Foi acusado de ter favorecido o inimigo em Vences. Mais tarde foi chefe da fronteira do norte da província, e lutou contra uma invasão paraguaia, em 1849.[2][3]

Incorporou-se ao Grande Exército e participou da batalha de Caseros como chefe do regimento de cavalaria número 3. O governador Juan Pujol o nomeou novamente comandante de Goya. Defendeu o governo de Pujol frente aos levantamentos de Nicanor Cáceres e Plácido López, e também apoiou o governo autonomista de José María Rolón. Ao renunciar Rolón como consequência da batalha de Pavón, renunciou e se retirou à vida privada.[2][3]

Quando se produziu a invasão paraguaia de Corrientes em 1865, iniciando a Guerra do Paraguai, reuniu milícias na zona do rio Uruguai, com as quais perseguiu de perto os invasores. Devido a que suas forças eram muito escassas, não apresentou batalha exceto quando esteve muito seguro da vitória, em um pequeno combate em Itacuá. Quando os paraguaios se fecharam em Paso de los Libres, incorporou-se ao exército de Venancio Flores, às ordens do qual combateu na batalha de Yatay; apoiou desde a costa correntina o cerco de Uruguaiana.[2][3]

Participou da campanha de Humaitá, segunda fase da Guerra do Paraguai, e lutou na batalha de Tuyutí. Foi nomeado chefe da divisão entrerriana. Mas pouco depois passou à reserva, em sua casa de La Cruz, sobre o rio Uruguai. Faleceu em 13 de março de 1877 na cidade de Buenos Aires. Recebeu sepultura na Cripta localizada na Seção 14, Militar do Cemitério da Recoleta.[2][3]

Referências

  1. Irmã do general de cavalaria brasileiro José Antonio Riveiro, que atuou na Guerra do Paraguai e que a visitou após a batalha de Yatay na qual lutou ao lado de seu sobrinho Simeon Payba, estando paralisada, e aos cuidados de dois servos que haviam permanecido em Paso de los Libres durante a ocupação paraguaia, morreu aos 102 anos, viveu em Paso de los Libres, desde a fundação da cidade em 1843, com seus filhos e parentes, que de Yapeyú e Curuzu Cuatía foram povoar.
  2. a b c d e f g h i j k l Castello, Antonio Emilio, Hombres y mujeres de Corrientes, Ed. Moglia, Corrientes, 2004. ISBN 987-1035-30-6
  3. a b c d e f g h i j k l Giorgio, Dante A., Yatay, la primera sangre, Revista Todo es Historia, Nro. 445, Bs. As., 2004.

Bibliografia

  • Castello, Antonio Emilio, Historia de Corrientes, Ed. Plus Ultra, Bs. As., 1991. ISBN 950-21-0619-9
  • Daniel Balmaceda, "Romances Turbulentos de la Historia Argentina", pag 95 Editorial Sudamericana, Buenos Aires.
  • Juan Cruz Jaime "Corrientes Poder y Aristocracia" Tercer edición pag 521.