Shūkan Bunshun

Shūkan Bunshun
Shūkan Bunshun
Logotipo da revista
Categoria Notícias
Frequência Semanal
Fundação 1959
Primeira edição Abril de 1959
Empresa Bungeishunjū
País Japão
Idioma japonês
https://bunshun.jp/

Shūkan Bunshun (週刊文春, Shūkan Bunshun) é um tabloide semanal japonês (shūkanshi)[1][2] com sede em Tóquio, Japão, conhecido por seu jornalismo investigativo e frequentes confrontos com o governo japonês.[3] Isso fez com que fosse considerada uma das revistas semanais mais influentes do país.[1]

História e perfil

O Shūkan Bunshun estreou em abril de 1959.[4] A revista faz parte da Bungeishunjū, um grupo editorial com sede em Chiyoda, Tóquio.[4] De outubro de 2014 a setembro de 2015, Shūkan Bunshun foi a quarta revista semanal mais vendida no Japão, com 680.296 cópias em circulação.[5] Em 2023, o número total de cópias vendidas caiu para 165.794.[6] Como uma revista de notícias gerais, o principal concorrente é o Shukan Shincho,[7] de perfil mais conservador.[1][8]

A revista é elogiada, mas também criticada por suas reportagens investigativas que abordam tanto escândalos políticos quanto aqueles do mundo do entretenimento,[3] e reportagens desse cunho são coloquialmente conhecidas como "Bunshun cannon" (文春砲, Bunshunhō).[9] Segundo a BBC, no primeiro trimestre de 2016 "derrubou um ministro e um político, praticamente destruiu as carreiras de uma celebridade popular e de um comentador de notícias e quase acabou com uma das maiores boy bands do Japão", afirmando que a revista estava "abalando o aconchegante clube de mídia" no Japão.[3] No entanto, a revista também foi amplamente criticada por sua exposição do adultério de Tetsuya Komuro, com o The Japan Times afirmando que a história não foi recebida favoravelmente e que "os internautas japoneses parecem ter se voltado contra o Shukan Bunshun e outras publicações que provocam escândalos".[10]

O Bunshun também é conhecido por manchetes e textos sensacionalistas que colocam os assuntos que abordam em maus lençóis pois, em um sistema em que o lucro da publicidade aumenta de acordo com número de contatos, o que importa é atrair a atenção dos leitores. Segundo o “conceito de que o interesse (atenção) é economicamente superior à qualidade da informação”[11] houve casos como o observado pelo professor da Universidade de Estudos Internacionais de Kanda Jeffrey J. Hall, quando Komuro Kei, consorte da ex-princesa Mako, começou a usar um aplicativo difundido como o Telegram e o Bunshun associou Komuro ao crime porque o Telegram seria usado por alguns criminosos.[12]

Relatórios e controvérsias notáveis

Onyanko Club

Em abril de 1985, Shūkan Bunshun publicou a foto de seis membros do grupo de idols Onyanko Club fumando em uma cafeteria. Isso levou à remoção de cinco das seis membros do grupo. Como eram consideradas integrantes essenciais do grupo, o escândalo mudou a forma e o destino do Onyanko Club.[13][14][15]

Caso Junko Furuta

Em 1989, o tabloide descobriu e publicou as identidades dos quatro garotos (Hiroshi Miyano, Jō Ogura, Shinji Minato e Yasushi Watanabe) que sequestraram, estupraram, torturaram e posteriormente assassinaram Junko Furuta, alegando que, dada a gravidade do crime, os acusados não mereciam que seu direito ao anonimato fosse mantido.[16]

Johnny & Associates

Em 2001, o Shūkan Bunshun publicou uma série de alegações de assédio sexual[17] contra o fundador da Johnny & Associates, Johnny Kitagawa, juntamente com alegações de que Kitagawa teria forçado os meninos a beber álcool e fumar.[18][19][20] Essa exposição foi particularmente notável porque o Shūkan Bunshun foi o único meio de comunicação disposto a publicar tais alegações, principalmente porque Kitagawa era conhecido por controlar a mídia do entretenimento.[21] Johnny & Associates processou Shukan Bunshun por difamação e, em 2002, o Tribunal Distrital de Tóquio decidiu a favor de Kitagawa, concedendo a ele 8.8 milhões de ienes em danos.[19][20] Em 2003, a multa foi reduzida para 1.2 milhões com base em que as alegações de consumo de álcool e fumo eram difamatórias, enquanto as alegações de assédio sexual não eram.[20] Kitagawa interpôs recurso ao Supremo Tribunal do Japão, mas este foi rejeitado em 2004.[22]

Mitsuo Kagawa

Em 2001, Bunshun acusou Mitsuo Kagawa, um professor da Universidade de Beppu, de fraude após as supostas descobertas paleolíticas japonesas feitas pelo arqueólogo amador Shinichi Fujimura. Depois que o Mainichi Shimbun revelou a verdade por trás da fraude arqueológica de Fujimura, Bunshun alegou que as ferramentas de pedra descobertas na província de Oita também eram falsificações feitas pelo professor Mitsuo Kagawa. Kagawa cometeu suicídio e deixou uma nota de suicídio na qual alegou inocência. A família entrou com uma ação de indenização para resgatar a honra do falecido. Em 23 de fevereiro de 2004, o grupo Bungeishunju foi condenado pelo Tribunal Superior de Fukuoka a pagar 9,2 milhões de ienes e a colocar um anúncio de desculpas na primeira página do Bungeishunju.[23]

Hideo Higashikokubaru

Em 30 de junho de 2014, a Bushun foi condenado a pagar uma indenização de 2,2 milhões de ienes a Hideo Higashikokubaru por um artigo difamatório publicado em 2012, no qual o então governador da Prefeitura de Miyazaki foi acusado de comportamento impróprio para com funcionárias.[24]

Referências

  1. a b c Adam Gamble; Takesato Watanabe (1 de julho de 2004). A Public Betrayed: An Inside Look at Japanese Media Atrocities and Their Warnings to the West. [S.l.]: Regnery Pub. ISBN 978-0-89526-046-8 
  2. J. A. Mangan; Sandra Collins; Gwang Ok (2018). The Triple Asian Olympics—Asia Rising: The Pursuit of National Identity, International Recognition and Global Esteem. [S.l.]: Routledge. pp. 2309–2322. ISBN 9781135714192 
  3. a b c «The Japanese magazine shaking up the cosy media club». BBC News. 21 de abril de 2016. Consultado em 15 de janeiro de 2021 
  4. a b Mark Schreiber (20 de fevereiro de 2016). «Deja vu as Shukan Shincho turns back the clock». The Japan Times. Consultado em 15 de setembro de 2016 
  5. «10 Most Printed Magazines in Japan, 2015». Hatena Blog. 15 de janeiro de 2021. Consultado em 15 de setembro de 2016 
  6. «(956) 雑誌の王者『文芸春秋』ついに20万部割れ、週刊誌もジリ貧 ((956) The king of magazines, Bungei Shunju, has finally sold less than 200,000 copies, and the weekly magazine is also in dire straits.)». Sankei. 24 de dezembro de 2023. Consultado em 12 de fevereiro de 2024 
  7. «Tabloid magazine Shukan Shincho alleges rival 'stole' scoop from upcoming ad». Mainichi. 17 de maio de 2017. Consultado em 28 de novembro de 2020 
  8. Mark Schreiber (21 de outubro de 2017). «Magazines hold their own against TV's 'iron chefs'». The Japan Times. Consultado em 28 de novembro de 2020 
  9. «Keeping the 'Bunshun' Cannons Firing: The Japanese Weekly Outscooping the Traditional Media». nippon.com (em inglês). 31 de agosto de 2020 
  10. «Shukan Bunshun shoots itself in the foot with Komuro scandal». The Japan Times. 27 de janeiro de 2018. Consultado em 15 de janeiro de 2021 
  11. «構成員からのこれまでの主なご意見(第1回~第5回会合)- 2024 年 1 月 25 日 - デジタル空間における情報流通の健全性確保の在り方に関する検討会 事務局 (Main opinions from members so far (1st to 5th meetings) - January 25, 2024 - Study group on how to ensure the soundness of information distribution in the digital space Secretariat)» (PDF). Ministry of Internal Affairs. 25 de janeiro de 2024. Consultado em 9 de fevereiro de 2024 
  12. Jeffrey J. Hall (25 de janeiro de 2024). «A headline from Bunshun tells us Komuro Kei has started using a dark criminal gig app». Ministry of Internal Affairs. Consultado em 15 de fevereiro de 2024 
  13. Ashcraft, Brian (20 de abril de 2010). Japanese Schoolgirl Confidential: How Teenage Girls Made a Nation Cool. Tokyo, Japan: Kodansha International. ISBN 978-4770031150 
  14. Fujiki, TDC (16 de fevereiro de 1997). 芸能界スキャンダル読本 (em japonês). Tóquio: Takarajimasha. ISBN 4-7966-9299-1 
  15. «おニャン子クラブ黒歴史 未成年喫煙写真流出で欠番となったメンバーたち» [The Dark History of Onyanko Club: the members who were treated as missing numbers due to underage smoking photo leak]. Livedoor (em japonês). Tokyo, Japan. Consultado em 19 de março de 2022 
  16. «Japanese Horror Story: The Torture of Junko Furuta». 22 de fevereiro de 2013. Consultado em 6 de maio de 2023. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2013 
  17. Calvin Sims (30 de janeiro de 2000). «In Japan, Tarnishing a Star Maker». The New York Times (em inglês). Consultado em 14 de janeiro de 2021 
  18. Justin McCurry (23 de abril de 2000). «Japan's star-maker accused of sexually abusing boys». The Guardian. Consultado em 13 de janeiro de 2021 
  19. a b Chris Campion (21 de agosto de 2005). «J-Pop's dream factory». The Guardian. Londres. Consultado em 4 de setembro de 2009 
  20. a b c Natsuko Fukue (14 de abril de 2009). «So, you wanna be a Johnny?». The Japan Times. Consultado em 4 de setembro de 2019 
  21. Schilling, Mark (18 de julho de 2019). «Johnny Kitagawa: Power, Abuse, and the Japanese Media Omerta». Variety. Consultado em 29 de julho de 2019. Arquivado do original em 27 de julho de 2019 
  22. Secrets, Sex, and Spectacle: The Rules of Scandal in Japan and the United States. [S.l.]: University of Chicago Press. 15 de janeiro de 2007. ISBN 978-0-226-89408-9 
  23. «週刊文春の敗訴確定 遺跡ねつ造疑惑の名誉棄損 (Weekly Bunshun loses case for defamation over suspicion of fabricating ruins)». Kyodo News. 15 de julho de 2004. Consultado em 12 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2013 
  24. «東国原氏の記事で名誉毀損 文春に220万賠償命令 (Bunshun ordered to pay 2.2 million yen for defamation due to Higashikokubaru article)». Kyodo News. 30 de junho de 2014. Consultado em 12 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 7 de julho de 2014 

Ligações externas

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