Sermonde

Sermonde
Freguesia
Brasão de armas de Sermonde
Gentílico sermondense
Localização
História
Fundação 2025-03-14 (refundação)
Administração
Tipo Junta de freguesia
Características geográficas
Área total 1,41 km²
População total (2011) 1 360 hab.
Densidade 964,5 hab./km²
Outras informações
Orago São Pedro

Sermonde é uma povoação portuguesa do Município de Vila Nova de Gaia, do Distrito do Porto, que é sede da Freguesia de Sermonde, freguesia que tem 1,41 km² de área e 1360 habitantes (2011),[1] tendo, por isso, uma densidade populacional de 964,5 hab/km².

A Freguesia de Sermonde foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo o seu território sido agregado ao da Freguesia de Grijó para formar uma nova freguesia denominada Grijó e Sermonde.[2] Mas em 14 de março de 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais pela lei n.º 25-A/2025, pelo que a Freguesia de Sermonde foi de novo reposta.[3]

De carácter ainda marcadamente rural, é a freguesia com menos habitantes do município. Além da sede, tem como localidades principais Asprela e Brantães.

População

População da Freguesia de Sermonde[4]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
261 334 360 393 497 488 520 539 592 717 710 771 1 053 1 225 1 360
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 217 226 641 141 17,7% 18,4% 52,3% 11,5%
2011 220 164 758 218 16,2% 12,1% 55,7% 16,0%

Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%

Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%

Toponímia

O topónimo Sermonde deriva de Sesmondi, genitivo latino de Sesmondo, ou seja, "propriedade de Sesmondo". Sesmondo é um nome germânico associado ao significado de proteção.[5] Sesmondo, do qual se conhecem os patronímicos Sesmondiz, Sesmundiz e Sezemondisi, eram nomes frequentemente usados no Norte da Península Ibérica entre os séc. V e XIII, herdados dos Suevos e Visigodos. Assim, algures na Idade Média, estas terras terão pertencido a um Sesmondo, nome que lhes ficaria associado.

História

Sermonde teve presença pré-romana e romana, atendendo à proximidade com o Castro do Monte Murado (Srª da Saúde, Pedroso), um povoado castrejo habitado pelos Túrdulos Velhos e posteriormente romanizado (ano 7 d.C.).[6] No sopé sul do Castro, com abundantes fontes de água, os terrenos férteis de Sermonde seriam usados para a atividade agrícola, pastorícia ou caça. Relevante também da ocupação romana, a Via XVI do Itinerário de Antonino, estrada romana que ligava Lisboa a Braga e que passaria nos limites de Sermonde servindo o Castro, num trajeto sensivelmente semelhante ao da atual EN1.[7]

Da ocupação Suévica e Visigótica (séc. V a VIII) ficaram vestígios na toponímia, como o próprio nome Sermonde (ver Toponímia) e possivelmente Brantães (do antropónimo Burunta).[8]

Após a invasão Muçulmana no início do século VIII, estabelece-se ao longo do vale do Douro uma zona-tampão instável entre cristãos e muçulmanos, ficando esta faixa de território praticamente desabitada.

Com a reconquista, particularmente após a presúria de Portucale em 868, inicia-se o repovoamento da região. O território, de início assenhoreado pelos respetivos "presores" – nobres da monarquia asturo-leonesa – vai-se parcelando ao longo do séc. X e XI pela linha de herdeiros, em doações ao clero ou vendido a fidalgos em ascensão económica e social. É no contexto de aquisição de propriedades por um dos fidalgos da época, Soeiro Fromarigues, já detentor de vasto património a Sul do rio Douro, que surge a primeira referência escrita a Sermonde. Trata-se de uma escritura de 1087, a designada Carta de Penso,[9] em que Soeiro Fromarigues adquire a Mendo Trutesendes, por 100 “modios”, três partes de uma tal “vila” de Penso localizada entre "Billanes" e "Curveiros", sendo outra parte dividida com "Sesmondi" e com "Rial", abaixo do castro de Pedroso e no percurso do rio Serzedo.[8]

Carta de Penso, Baio-Ferrado Mosteiro de Grijó, pág. 110

Neste período surgem também as primeiras referências à paróquia de Sermonde. No més de Agosto de 1144, descendentes de Ederónio Alvites doam o "Monasterio sancti de Sesmondi" ao Bispo do Porto D. Pedro Rabaldes e seus sucessores.[10][11] A data da fundação do "Monasterio" de Sermonde (um pequeno cenóbio, não um mosteiro na acepção atual do termo) é incerta, mas remontará à primeira metade do séc. XI. Neste período viveu aquele que terá sido o seu fundador, Ederónio Alvites, a quem também se atribui, juntamente com a sua esposa, Tristina Pinioliz, a fundação do Mosteiro de Pedroso entre 1017 e 1026.[12]

Desde aquela doação de Agosto de 1144, e até ao presente, a Paróquia de Sermonde foi então de apresentação à Sé do Porto. Isto tornou o povoado de Sermonde num pequeno enclave entre as vastas propriedades dos vizinhos Mosteiros de Grijó e Pedroso, independente das suas jurisdições.

No foral de Gaia e Vila Nova, concedido por D. Manuel I, em 20 de Janeiro de 1518, são referidos os foros a que a população de Sermonde estava obrigada.

Em 2013, no âmbito da reorganização nacional do território das freguesias, Sermonde é extinta enquanto freguesia autónoma, sendo agregada com Grijó numa nova freguesia denominada Grijó e Sermonde.[2]

Brasão

As chaves em aspa evocam São Pedro, orago da freguesia; as espigas de milho querem significar os trabalhos agrícolas; a fonte quer representar e lembrar a fonte da Ameixoeira e outras de menor significado existentes na freguesia; por fim, a lira faz lembrar a tradição musical existente na população desde tempos remotos. A autoria é de Luís Moreira (Gabinete de Estudos e Projetos de Heráldica Administrativa). Aprovado em Assembleia de Freguesia a 7 de Outubro de 1997.

Património

  • Igreja de São Pedro (matriz): A igreja primitiva com origens no séc. XI e utilizada ao longo dos tempos foi substituída pela atual, cuja primeira pedra foi colocada a 27 de Janeiro de 1876. A bênção e inauguração ocorreu a 29 de Junho de 1877. A arquitetura é marcadamente oitocentista, sóbria e modesta. Da frontaria sobressai um torreão sineiro central, coroando a empena; o pórtico é rectangular e sobrepujado por amplo janelão. No interior: a imagem do séc. XVIII de São Pedro (orago da freguesia), Menino Jesus, Santa Ana e Cristo Crucificado. A habitação adjacente hoje em ruínas, antiga residência paroquial, e terrenos anexos outrora pertencentes à paróquia, foram vendidos após a implantação da República e são hoje propriedade particular.
  • Capela de Nossa Senhora de Lourdes: inaugurada no dia 23 de Agosto de 1885 em homenagem às aparições da Virgem Maria em Lourdes. As obras ter-se-ão iniciado em 1883, nas comemorações dos 25 anos das aparições, conforme data gravada na padieira da porta principal, por iniciativa de Teodoro José de Lima e custeadas com donativos e ofertas da população. Em 1985, ano do centenário, são feitas obras de beneficiação: construção de torre sineira na fachada principal, alpendre, casa de mordomos na retaguarda e revestimento de interiores e exteriores com azulejos brancos, sobras de obras de manutenção da igreja matriz. A festa anual realizava-se no último domingo de Agosto com arraial, novena, missa e procissão até à igreja.
  • Quinta da Asprela -

Referências

  1. INE. «Census 2011, pág. 112» (pdf). Consultado em 4 de Janeiro de 2015 
  2. a b Diário da República, 1.ª Série, n.º 19,Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.
  3. «Reposição de freguesias agregadas». Diário da República. 13 de março de 2025. Consultado em 3 de setembro de 2025 
  4. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  5. «Germanic personal names in Galicia» 
  6. http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5357
  7. http://viasromanas.planetaclix.pt/#bragalisboa
  8. a b Barbosa da Costa, Francisco. S. Pedro de Sermonde Notas Biográficas. [S.l.: s.n.] 
  9. Baio-Ferrado Mosteiro de Grijó
  10. Censual do Cabido da Sé do Porto
  11. Maria João Oliveira e Silva. SCRIPTORES ET NOTATORES: A Produção Documental da Sé do Porto (1113-1247). Univ. Porto Fac. Letras. Dissertação de Mestrado. 2006
  12. Mattoso, José. A nobreza medieval portuguesa: a família e o poder. Lisboa: Editorial Estampa, 1981. Capítulo A nobreza rural portuense nos séculos XI e XII.