Segunda Conferência Internacional de Eugenia
| Segundo Congresso Internacional de Eugenia | |
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![]() Logotipo do congresso: a "árvore eugênica" simbolizando as diversas raízes da eugenia | |
| Data(s) | 22–28 de setembro de 1921 |
| Local | American Museum of Natural History, Nova Iorque, Estados Unidos |
| Participantes | Mais de 300 delegados |
O Segundo Congresso Internacional de Eugenia (em inglês: Second International Congress of Eugenics) foi um evento científico realizado de 22 a 28 de setembro de 1921 no American Museum of Natural History, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Foi o segundo de três congressos internacionais sobre eugenia realizados entre 1912 e 1932, servindo como fórum para a discussão de pesquisas e políticas relacionadas à chamada melhoria da hereditariedade humana.
Contexto histórico
Originalmente planejado para 1915, o congresso foi adiado em decorrência da Primeira Guerra Mundial. Após o conflito, o movimento eugênico ganhou força nos Estados Unidos, e o evento refletiu a transferência da liderança internacional da eugenia do Reino Unido para a América do Norte.[1] O primeiro congresso havia ocorrido em Londres, em 1912.
Organização e participantes
O congresso foi presidido por Henry Fairfield Osborn, então presidente do American Museum of Natural History, tendo Alexander Graham Bell como presidente honorário.[2]
Entre as figuras centrais estiveram Charles B. Davenport, Madison Grant (tesoureiro) e Harry H. Laughlin, responsável pela organização da exposição. Leonard Darwin, filho de Charles Darwin, participou como palestrante.
Mais de 300 delegados estiveram presentes, sendo a maioria das comunicações apresentadas por pesquisadores norte-americanos. Não houve participação alemã, em razão das tensões políticas no período pós-guerra.[3]
Estrutura e temas
O congresso foi dividido em quatro seções principais:
- Hereditariedade humana e comparativa
- Eugenia e a família
- Diferenças raciais humanas
- Eugenia e o Estado
Foram apresentadas aproximadamente 105 comunicações científicas, com forte ênfase na genética como forma de conferir legitimidade científica à eugenia.[4]
Exposição
Paralelamente ao congresso, realizou-se a Second International Exhibition of Eugenics, organizada por Harry H. Laughlin. A exposição apresentou painéis e materiais sobre hereditariedade, diferenças raciais e aplicações práticas da eugenia, contando com contribuições de numerosos expositores norte-americanos e internacionais.[5]
Publicações
As atas do congresso foram publicadas em dois volumes, em 1923:
- Eugenics, Genetics and the Family (Volume 1)
- Eugenics in Race and State (Volume 2)
As obras foram editadas por Charles B. Davenport, Henry Fairfield Osborn e outros colaboradores.[6]
Impacto e legado
O congresso contribuiu para o fortalecimento do movimento eugênico nos Estados Unidos, influenciando políticas públicas, como o Immigration Act of 1924. Partes da exposição foram apresentadas ao Congresso dos Estados Unidos, e um comitê formado a partir do evento deu origem à American Eugenics Society.[7]
Atualmente, a eugenia é amplamente condenada em razão de suas bases pseudocientíficas, de sua associação com o racismo e de seu papel na promoção de políticas de esterilização forçada e outras violações de direitos humanos.
Referências
Referências
- ↑ University of Missouri Libraries (ed.). «International Eugenics Congresses». Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Embryo Project Encyclopedia (ed.). «The International Eugenics Congresses (1912–1932)». Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Eugenics Archive Canada (ed.). «Second International Eugenics Congress». Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Charles B. Davenport; et al., eds. (1923). Eugenics, Genetics and the Family: Scientific Papers of the Second International Congress of Eugenics. 1. [S.l.]: Williams & Wilkins
- ↑ Harvard Medical Library (ed.). «The Second International Exhibition of Eugenics». Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ Eugenics in Race and State: Scientific Papers of the Second International Congress of Eugenics. 2. [S.l.]: Williams & Wilkins. 1923
- ↑ National Human Genome Research Institute (ed.). «Eugenics: Its Origin and Development». Consultado em 29 de dezembro de 2025
Ligações externas
- Volume 1 das atas no Internet Archive
- Volume 2 das atas no Internet Archive
