Sarah Good
| Sarah Good | |
|---|---|
| Nascimento | 11 de julho de 1653 Wenham |
| Morte | 19 de julho de 1692 (39 anos) Danvers |
| Cidadania | Inglaterra |
| Filho(a)(s) | Dorothy Good |
| Ocupação | dona de casa, memorialista, moradora de rua |
| Causa da morte | forca |

Sarah Good foi a segunda de três pessoas acusadas de praticar bruxaria durante os julgamentos das Bruxas de Salém, que ocorreu em 1692. Ela era conhecida de Mary Eastey, uma das também acusadas de bruxaria, ambas nunca confessaram sua relação com a bruxaria e nem alianças ao demônio. Até hoje não há indícios que comprovam sua adoração ao demônio e nenhum tipo de bruxaria.
Embora conhecida em 1692 como uma mendiga indigente, a vida de Sarah Good foi marcada por uma drástica mobilidade social descendente. Ela provinha de uma família abastada, seu pai tinha sido um rico estalajadeiro francês que cometeu suicídio quando ela ainda era jovem. Após a morte do pai, a herança foi mal gerida pelo padrasto e, aos vinte anos, Sarah perdeu o seu primeiro marido, herdando apenas dívidas. Essa sucessão de infortúnios transformou-a numa "mendiga semi-itinerante" e numa "ameaça local" aos olhos dos vizinhos puritanos, desafiando os ideais da comunidade.[1]
Julgamento
Sarah Good foi detida a 29 de fevereiro de 1692 e levada para a taverna de Nathaniel Ingersoll no dia seguinte. Devido à grande multidão, o interrogatório foi transferido para a casa de reuniões da aldeia. Os juízes John Hathorne e Jonathan Corwin presidiram à sessão, marcada por uma forte presunção de culpa por parte de Hathorne, que iniciou o inquérito perguntando: "Com que maus espíritos tem familiaridade?".[2][3] Durante o exame, Good negou ferir as crianças, embora as acusadoras (as meninas da aldeia) entrassem em convulsões violentas apenas ao olharem para ela. Quando pressionada a identificar quem então torturava as meninas, Good acusou Sarah Osborne.[4] Um ponto central do interrogatório foi o seu hábito de resmungar quando lhe negavam caridade; Good alegou que recitava os Mandamentos e Salmos, mas os magistrados interpretaram os seus sussurros como maldições e feitiços contra os vizinhos.[5]
Evidências e Testemunhas
O caso contra Sarah Good foi agravado por "evidências espectrais" e traição familiar. O seu marido, William Good, testemunhou contra ela, afirmando que ela era uma "inimiga de todo o bem" e revelando que ela possuía uma "marca de bruxa" abaixo do ombro direito.[6][7] Além disso, houve um episódio notável de "prova espectral", um aldeão afirmou ter golpeado o "espectro" de Sarah com uma vara na noite anterior, no dia seguinte, os guardas encontraram um ferimento correspondente no braço real de Sarah, o que foi tomado como prova irrefutável de que o seu espírito vagava fora do corpo para atacar pessoas.[8]
Condenação Sarah Good foi mantida presa durante meses, chegando a tentar o suicídio na prisão de Ipswich devido às condições desumanas[9] Em junho de 1692, foi formalmente julgada pelo Tribunal de Oyer and Terminer. Novas testemunhas, como Susannah Shelden e Sarah Bibber, alegaram ter sido esfaqueadas e sufocadas pelo espectro de Good. Acusada também de presidir como "diaconisa" em missas negras e sabbats das bruxas, Good manteve a sua inocência até ao fim, se recusando a confessar, uma decisão que, ironicamente, garantiu a sua execução, uma vez que a corte tendia a poupar a vida daqueles que confessavam.[10]
A Filha: ''Dorcas'' Good
A perseguição estendeu-se à família de Sarah com a prisão de sua filha, Dorothy Good (frequentemente referida como Dorcas), de apenas quatro ou cinco anos de idade. A menina foi a mais jovem acusada durante os julgamentos e, sob interrogatório, confessou ter uma "cobrinha" que se alimentava do seu sangue, mostrando uma mancha no dedo como prova dessa ligação sobrenatural. A criança foi mantida na cadeia durante quase nove meses, acorrentada com miniaturas de algemas feitas sob medida. O trauma da prisão, onde viu a sua irmã bebê falecer e de onde a sua mãe foi levada para a execução, causou danos permanentes à sua saúde mental, relatos indicam que Dorothy "ficou louca" e necessitou de cuidados pelo resto da vida.[11]
Análise Historiográfica
A historiografia moderna analisa a acusação de Sarah Good não apenas como um evento religioso, mas como um processo de "limpeza social". Historiadores como Paul Boyer e Stephen Nissenbaum, analisados na obra de Stacy Schiff, identificam em Good o arquétipo da bruxa que se tornava alvo da comunidade: uma mulher pobre, sem herança, sem apoio masculino e de temperamento "resmungão". O seu julgamento e execução serviram, na prática, para criminalizar a pobreza e a não submissão feminina na estrutura social puritana de Salem.[12][13]
Referências
Referências
- ↑ Schiff, Stacy. As Bruxas: Salem, 1692. Rio de Janeiro: Zahar, 2019, p. 41.
- ↑ Schiff, 2019, p. 45.
- ↑ University of Virginia, Salem Witchcraft Papers, n63.
- ↑ University of Virginia, Salem Witchcraft Papers, n63.
- ↑ Schiff, 2019, pp. 46-47.
- ↑ Schiff, Stacy. As Bruxas: Salem, 1692. Rio de Janeiro: Zahar, 2019, p. 44.
- ↑ University of Virginia, Salem Witchcraft Papers, n63.
- ↑ Schiff, 2019, p. 177.
- ↑ Schiff, 2019, p. 136.
- ↑ Schiff, 2019, p. 242.
- ↑ Schiff, Stacy. As Bruxas: Salem, 1692. Rio de Janeiro: Zahar, 2019, pp. 159, 316.
- ↑ Schiff, Stacy. As Bruxas: Salem, 1692. Rio de Janeiro: Zahar, 2019, pp. 41-42.
- ↑ University of Virginia, Salem Witchcraft Papers, n63.
Bibliografia
Schiff, Stacy (2019). As Bruxas: Intriga, traição e histeria em Salem. Traduzido por José Rubens Siqueira. Rio de Janeiro: Zahar. ISBN 978-8537818275
«Sarah Good. Examination, Documents, and Records». Salem Witchcraft Papers. University of Virginia. 2002. Consultado em 26 de novembro de 2025